As línguas de sinais que são visuais-espaciais oferecem um campo de análise que se refere aos possíveis efeitos que a diferença na modalidade pode implicar para as teorias linguísticas e para as análises discursivas. Nesse sentido, assinale a alternativa CORRETA.
- A)As informações gramaticais atreladas às marcas não manuais apresentam um caminho de possibilidades de contribuições para o entendimento das interfaces.
Certa, porque as marcas não manuais têm função gramatical e ajudam a analisar interfaces entre estrutura linguística e discurso.
- B)Espaço na língua de sinais é apenas uma entidade semântica, um espaço mental, e não um dos elementos que faz parte de uma unidade lexical.
Errada, porque o espaço em Libras não é só semântico ou mental; ele também pode ter papel gramatical e integrar a unidade lexical e a organização sintática.
- C)Nas línguas de sinais, a concordância verbal existe enquanto concordância do ponto de vista linguístico.
Errada, porque a concordância verbal em Libras existe e é estudada como um fenômeno linguístico próprio, relacionado à direcionalidade e ao uso do espaço.
- D)As derivações visuais-espaciais não seguem a mesma lógica das derivações orais-auditivas, no sentido de observar restrições na organização sintática que delimitam as possibilidades existentes na derivação de sentenças.
Errada, porque as línguas de sinais também seguem restrições sintáticas e não funcionam como uma derivação livre sem organização gramatical.
Gabarito: A
As línguas de sinais são visuais-espaciais, então a língua não depende só de mãos em movimento: o rosto, o olhar, o corpo e a orientação espacial também carregam gramática. Em Libras, as marcas não manuais podem indicar pergunta, negação, topicalização, condição e outros sentidos que, em línguas orais, muitas vezes aparecem por entonação ou por palavras específicas. Por isso, estudar essas marcas ajuda a entender interfaces entre fonologia, morfologia, sintaxe e discurso. É justamente aí que a alternativa A acerta: ela aponta que as informações gramaticais ligadas às marcas não manuais abrem um campo importante para analisar como a língua organiza significado e estrutura. Isso conversa com a visão consolidada na literatura de Linguística das Línguas de Sinais, amplamente aceita na área e compatível com o reconhecimento legal da Libras como meio legal de comunicação e expressão no Brasil (Lei 10.436/2002 e Decreto 5.626/2005). As outras alternativas tentam simplificar demais ou negam características centrais das línguas de sinais. Espaço, por exemplo, não é só "cenário mental": ele pode ser usado de modo gramatical, com funções linguísticas reais. E a concordância verbal em Libras existe, embora tenha um comportamento próprio, ligado ao espaço e à direção dos sinais. Então, a ideia principal é: em Libras, a modalidade visual-espacial não é um detalhe decorativo. Ela muda a forma como a gramática aparece, e as marcas não manuais são uma peça-chave para enxergar isso sem cair na armadilha de comparar a língua de sinais como se ela fosse apenas uma versão gestual do português.