Sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), assinale a alternativa INCORRETA.
- A)Apresenta complexidade estrutural através da presença de todos os níveis gramaticais: fonológico, morfossintático, semântico e pragmático.
Correta, porque a Libras possui estrutura linguística completa, com níveis fonológico, morfossintático, semântico e pragmático.
- B)A Libras possibilita aos seus usuários a condição de monolíngues, uma vez que apresenta uma estrutura plena de forma e conteúdo e é divulgada e aplicada em todos os setores de acesso ao conhecimento e aos bens culturais.
Errada, porque a Libras não torna seus usuários monolíngues e nem está divulgada ou aplicada de forma universal em todos os setores do conhecimento.
- C)Em Libras, as marcações de tempo nas formas verbais ou de flexão de número e gênero são marcadas discursivamente em mecanismos espaciais.
Correta, porque tempos verbais, número e outras marcações gramaticais podem ser expressos por mecanismos espaciais e discursivos em Libras.
- D)Possibilita representar o mundo, encadeando as palavras, não de forma linear e sequencial como apresentada na comunicação oral e escrita, mas de modo simultâneo e sequencial.
Correta, porque a Libras organiza a informação de modo visual-espacial, combinando simultaneidade e sequencialidade, e não apenas linearidade como no português.
- E)A principal dificuldade de aprendizes não surdos ao estudar Libras é a sintaxe, a ordem dos constituintes na oração, pois costuma-se pensar na ordem das palavras no português para depois sinalizar a estrutura organizada.
Correta, porque a ordem dos constituintes e a sintaxe costumam ser uma dificuldade recorrente para aprendizes ouvintes, que tendem a переносar a estrutura do português para a Libras.
Gabarito: B
A Libras é uma língua natural, com organização própria e todos os níveis linguísticos: fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática. Por isso, não dá para tratá-la como um simples conjunto de gestos ou como uma versão “mímica” do português. Ela estrutura sentido de forma visual-espacial, com recursos manuais e não manuais, e isso inclui uso do espaço para marcar relações gramaticais. Na prática, a Libras pode marcar tempo, número, concordância e referência espacial de modo discursivo, isto é, pelo uso do espaço e da organização do enunciado. Também é comum que a informação apareça de forma simultânea e sequencial ao mesmo tempo, porque a língua explora elementos visuais que podem ocorrer em paralelo, algo bem diferente da linearidade típica da fala e da escrita. A alternativa incorreta é a B porque ela exagera e erra ao afirmar que a Libras possibilita aos usuários a condição de monolíngues. A Libras é reconhecida pela Lei 10.436/2002 e regulamentada pelo Decreto 5.626/2005, mas isso não significa que ela substitua automaticamente o português em todos os contextos. No Brasil, a realidade é bilíngue para muitas pessoas surdas, com Libras como primeira língua e português, geralmente na modalidade escrita, como segunda língua. Então, atenção: reconhecer a Libras como língua plena é correto, mas dizer que ela torna os usuários monolíngues, por si só, não fecha com a realidade sociolinguística e educacional. Em prova, a banca gosta justamente dessa armadilha: uma verdade parcial vem vestida de certeza absoluta.