“(...) a história dos Surdos, contada pelos não-Surdos, é mais ou menos assim: primeiramente os Surdos foram “descobertos” pelos ouvintes, depois eles foram isolados da sociedade para serem “educados” e afinal conseguirem ser como os ouvintes; quando não mais se pôde isolá-los, porque eles começaram a formar grupos que se fortaleciam, tentou-se dispersá-los, para que não criassem guetos. (SÁ, 2004, p.3)” (PERLIN e STROBEL-2008) Assinale a opção que define o Povo Surdo.
- A)É um local onde não só se agrupam surdos, mas também ouvintes, que podem ser membros de família, intérpretes, professores, amigos, participando e compartilhando os mesmos interesses.
Errada, porque descreve mais uma comunidade mista com surdos e ouvintes do que a definição de Povo Surdo.
- B)É um conjunto de representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo é obrigado a olhar-se e narrar-se como se fosse um ouvinte.
Errada, porque fala da visão do ouvinte sobre o surdo, e não da definição de Povo Surdo.
- C)Se refere aos sujeitos surdos que não estão no mesmo local, mas ligados por uma origem, por um código ético de formação visual, independente do grau linguístico, como a língua de sinais, a cultura surda e quaisquer outros laços.
Certa, porque define os surdos ligados por laços culturais, linguísticos e identitários, mesmo sem estarem no mesmo lugar.
- D)É uma visão da identidade surda dentro dos componentes que constituem as principais identidades, tanto de pessoas surdas como não surdas, com as quais se gerenciam as dinâmicas do poder, ou seja, é uma experiência de ser surdo.
Errada, porque trata de identidade surda e experiência de ser surdo, não da noção de Povo Surdo.
- E)É uma visão super simplificada e usualmente carregada de valores sobre as atitudes, comportamentos de um grupo ou de um indivíduo, que levam uma marca preconceituosa.
Errada, porque define estereótipo, conceito totalmente diferente de Povo Surdo.
Gabarito: C
A questão trata de um conceito muito usado nos estudos sobre a educação e a cultura surda: o Povo Surdo. Aqui, a ideia não é apenas falar de uma reunião física de pessoas surdas em um lugar, mas de um agrupamento marcado por vínculos sociais, culturais, linguísticos e identitários. Em outras palavras, o Povo Surdo envolve sujeitos surdos ligados por uma experiência comum de vida, por valores compartilhados e, muitas vezes, pela língua de sinais e pela cultura visual. Esse ponto é importante porque a história tradicional, narrada pelos ouvintes, costuma apresentar os surdos como alguém a ser corrigido, isolado ou adaptado ao padrão ouvinte. A perspectiva dos estudos surdos rompe com essa visão e afirma a surdez como diferença cultural e linguística, e não como simples falta ou deficiência a ser apagada. É exatamente nessa linha que Perlin e Strobel trabalham a noção de identidade, cultura e comunidade surda. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela descreve os sujeitos surdos ligados por uma origem, por um código ético de formação visual, pela língua de sinais, pela cultura surda e por outros laços, independentemente de estarem no mesmo espaço físico. Ou seja, não é só “um grupo no mesmo lugar”, mas uma rede de pertencimento e identidade. Na prática de prova, desconfie quando a banca misturar Povo Surdo com comunidade ampla, identidade individual ou estereótipo. Aqui, a resposta certa é a que valoriza o vínculo cultural e linguístico entre os surdos, que é justamente o coração da concepção defendida por autores como Perlin e Strobel.