A Rede de Ensino do Estado do Rio Grande do Norte atua de forma colaborativa com professores de AEE (Atendimento Educacional Especializado) e professores dos componentes curriculares, num trabalho coletivo na realização de práticas inclusivas. Para garantir o direito de aprendizagem de estudantes com necessidades educativas especiais no que se refere aos surdos/deficientes auditivos, a rede de ensino deve considerar
- A)a articulação entre professores dos componentes curriculares com professores intérpretes de LIBRAS, especificamente, para orientar a mediação em salas de aula, ensinando LIBRAS.
Errada, porque o intérprete não deve ser usado para ensinar Libras nem para substituir a articulação pedagógica entre os profissionais.
- B)a articulação da escola com o Atendimento Educacional Hospitalar e Domiciliar, em classes hospitalares e domiciliares, no caso somente de estudantes surdos.
Errada, porque atendimento hospitalar e domiciliar não é a resposta específica para a situação descrita e não se aplica somente a estudantes surdos.
- C)a interlocução entre os professores do Ensino Médio com professores de educação especial, professor-intérprete de LIBRAS, professor de LIBRAS e professores do AEE, com atuação na escola ou em Centros e Núcleos.
Certa, porque reúne os profissionais e serviços adequados para garantir acessibilidade linguística e apoio pedagógico ao estudante surdo.
- D)a adoção de estratégias interdisciplinares de avaliação para promover o processo de identificação, especificamente, de estudantes surdos, sem a necessidade de abordar os estudantes deficientes auditivos.
Errada, porque limita indevidamente a análise aos estudantes surdos e ignora os deficientes auditivos, além de tratar identificação em vez de organização do atendimento.
- E)a interlocução entre professores de educação especial com professores de LIBRAS que atuam em Centros e Núcleos em outros estados brasileiros.
Errada, porque restringe a articulação a profissionais de outros estados, o que não faz sentido na organização local da rede de ensino.
Gabarito: C
A educação dos surdos/deficientes auditivos não se resolve com uma única peça do quebra-cabeça. O que a escola precisa é de trabalho articulado entre ensino comum, educação especial, professor intérprete de Libras, professor de Libras e o AEE, tudo isso dentro da própria rede ou em apoio pelos Centros e Núcleos especializados. A lógica é garantir acessibilidade linguística, participação e aprendizagem, e não apenas "traduzir" conteúdo na hora da aula. É por isso que o gabarito é a letra C. Ela traduz bem a ideia de interlocução entre os profissionais que realmente compõem o atendimento educacional ao estudante surdo: professor da disciplina, professor de educação especial, intérprete de Libras, professor de Libras e AEE. Esse arranjo conversa com a Lei 10.436/2002, com o Decreto 5.626/2005 e com a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, que defendem apoio especializado, acessibilidade e organização da escola para atender às necessidades do estudante. Um ponto importante: intérprete de Libras não é professor de Libras. O intérprete faz a mediação linguística entre Libras e português, enquanto o professor de Libras ensina a língua e participa do processo pedagógico. Misturar essas funções é uma das armadilhas favoritas de prova, porque parece tudo "coisa de surdo", mas cada profissional tem um papel específico. No fim, a rede deve pensar em colaboração real, e não em soluções isoladas ou restritas a um único segmento. Para o estudante surdo, aprender é muito mais do que estar na sala: é entender, participar e produzir conhecimento com apoio adequado.