Matheus, aluno surdo do Ensino Médio de uma escola estadual de Tocantins, tem acesso ao conteúdo das aulas por meio dos recursos visuais que os professores utilizam, facilitando a compreensão dos conceitos trabalhados, assim como a presença de tradutor/intérprete de Libras- Língua Portuguesa. Assinale a opção que caracteriza o papel da intermediação do tradutor/intérprete de Libras-Língua Portuguesa, nesse caso específico.
- A)O tradutor-intérprete de Libras-Língua Portuguesa deve estabelecer uma relação direta com a criança surda, pois nesta fase, ela estabelece vínculo com quem lhe dirige o olhar.
Errada, porque o intérprete não deve criar vínculo pedagógico exclusivo nem atuar como referência direta da criança, mas sim mediar a comunicação entre surdo e ouvinte.
- B)Organizar a adequação da estrutura física da sala de aula, com a disposição do professor para a sua exposição.
Errada, porque organizar a sala e a posição do professor não é função típica do tradutor/intérprete, e sim de organização pedagógica da escola e do docente.
- C)Assumir a função de professor e de tradutor-intérprete de Libras-Língua Portuguesa, sendo denominado de professor-intérprete.
Errada, porque o tradutor-intérprete não acumula automaticamente a função de professor; essa mistura de papéis não corresponde à atuação profissional correta.
- D)É recomendado que os tradutores-intérpretes de Libras-Língua Portuguesa redirecionem os questionamentos dos alunos surdos ao professor.
Certa, porque o intérprete deve encaminhar os questionamentos do aluno surdo ao professor, preservando a mediação linguística sem substituir a docência.
- E)Apresentar a mesma postura e função em qualquer modalidade de ensino, buscando redirecionar os questionamentos dos alunos surdos ao professor.
Errada, porque a atuação do intérprete pode variar conforme o contexto e a modalidade de ensino, mas ele não deve redirecionar as perguntas como regra absoluta em qualquer situação.
Gabarito: D
A função do tradutor/intérprete de Libras-Língua Portuguesa é intermediar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes, sem assumir o lugar de professor, nem resolver a aula no lugar de ninguém. Ele traduz e interpreta o que o professor diz para Libras e o que o aluno surdo sinaliza para o português, preservando ao máximo o sentido e a intenção da mensagem. Na escola, isso ajuda muito o aluno surdo a acompanhar os conteúdos, mas não transforma o intérprete em mediador pedagógico ou em responsável por responder pela turma. Por isso, a alternativa correta é a D. Quando o aluno surdo faz perguntas, o intérprete deve redirecioná-las ao professor, porque quem ensina e esclarece o conteúdo é o docente. O intérprete não deve substituir essa relação pedagógica, apenas garantir que a comunicação aconteça dos dois lados. Essa ideia está alinhada ao papel ético-profissional previsto na atuação do tradutor/intérprete e à lógica da educação bilíngue para surdos, em que a Libras e o português circulam com mediação, mas cada profissional mantém sua função. Em resumo: o intérprete facilita o acesso, não toma o comando da aula. Se ele começa a explicar conteúdo por conta própria, vira uma espécie de "professor improvisado", e aí a missão já saiu da rota.