...quanto mais se reflete sobre a presença do Intérprete de Língua de Sinais (ILS], mais se compreende as complexidades de seu papel, as dimensões e a profundidade de sua atuação. Perlin (2006, p.137) Considerando o papel do tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa em um processo de interpretação simultânea, por exemplo, em que terá que utilizar um vocabulário desconhecido pelo surdo, o profissional precisará planejar muito bem o seu ato tradutório. Assinale a opção que apresenta um ato de planejamento que o tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa deverá ter ao realizar a interpretação simultânea.
- A)Apropriar-se de um conhecimento prévio do discurso, permitindo a possibilidade de compreensão, durante a interpretação, pelo surdo.
Correta, porque valoriza o conhecimento prévio do discurso como forma de planejar a interpretação e favorecer a compreensão do surdo.
- B)Construir uma rede de significações, discutindo termos, esquemas, no momento do discurso do locutor da fala.
Errada, porque discutir termos e esquemas durante a fala do locutor não é um planejamento adequado para a interpretação simultânea.
- C)Oferecer ao surdo alternativas úteis de ideias pertinentes ao que está sendo tratado, durante a interpretação simultânea.
Errada, porque oferecer alternativas de ideias no meio da interpretação desvia o papel do intérprete e não resolve a necessidade de planejamento prévio.
- D)Apropriar-se do discurso do locutor da fala, permitindo substituí-lo, durante a interpretação simultânea.
Errada, porque o intérprete não deve se apropriar do discurso para substituí-lo, mas sim mediá-lo com fidelidade e clareza.
- E)Se responsabilizar pela aquisição do conhecimento, organizando seu planejamento com a elaboração de estratégias somente no momento da interpretação simultânea.
Errada, porque transfere ao momento da interpretação uma responsabilidade que exige preparação anterior e planejamento estratégico.
Gabarito: A
Na interpretação simultânea em Libras-Língua Portuguesa, o intérprete não faz milagre no improviso. Ele precisa antecipar o tema, ativar conhecimento prévio e organizar estratégias para lidar com termos técnicos, conceitos novos e possíveis lacunas de vocabulário. Isso ajuda a manter a coerência da mensagem e a acessibilidade para o surdo, sem transformar a interpretação em adivinhação. Quando o enunciado fala em um vocabulário desconhecido pelo surdo, a ideia central é o planejamento tradutório. O intérprete deve se preparar antes, conhecer o conteúdo, os termos e as possíveis formas de explicação ou equivalência em Libras. Em contextos educacionais, isso é ainda mais importante, porque a mediação precisa favorecer a compreensão, e não apenas repetir sinais de forma mecânica. A alternativa A está correta porque aponta exatamente esse cuidado: apropriar-se de um conhecimento prévio do discurso para permitir a compreensão durante a interpretação. Em outras palavras, o intérprete estuda o assunto, organiza referências e se antecipa para que a comunicação faça sentido para o surdo. Isso está alinhado à prática profissional do tradutor e intérprete de Libras prevista na Lei 12.319/2010, que exige atuação competente e fiel à mensagem, com preparo para situações de mediação comunicativa. As demais opções erram ao sugerir improviso excessivo, discussão de termos no exato momento da fala, substituição do locutor ou responsabilidade solitária por aquisição de conhecimento durante a interpretação. Intérprete bom não é o personagem de ação que resolve tudo no susto; ele trabalha com preparo, estratégia e responsabilidade.