Carlos, tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa, da Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins, observou que, em uma das sessões plenárias, havia a presença de uma pessoa surda-cega; seu parceiro de revezamento informou que a pessoa surda-cega preferia usar a forma de comunicação chamada Tadoma. Com isso, precisaram da presença de mais um intérprete na plenária. Assinale a opção que apresenta a atuação mais adequada do profissional guia-intérprete de Libras.
- A)Profissional que somente traduz e interpreta de uma língua de sinais para outra língua de sinais para os surdos.
Errada, porque o guia-intérprete não atua somente na tradução entre línguas de sinais; sua função é mais ampla e voltada à mediação comunicacional da pessoa surdocega.
- B)Profissional que domina, no mínimo, uma das formas de comunicação utilizadas pelas pessoas surdo-cegas.
Certa, porque o guia-intérprete deve dominar, no mínimo, uma das formas de comunicação usadas por pessoas surdocegas, como Tadoma, Libras tátil ou outras equivalentes.
- C)Profissional que traduz e interpreta da língua de sinais francesa para Libras, utilizando somente o Tadoma.
Errada, porque restringe indevidamente a atuação a uma combinação específica e ainda confunde a língua de sinais francesa com o contexto da questão.
- D)Profissional que domina, todas as formas de comunicação com as pessoas surda-cegas.
Errada, porque ninguém precisa dominar todas as formas de comunicação com pessoas surdocegas; o necessário é conhecer ao menos uma forma adequada ao atendimento.
- E)Profissional que realiza a tradução em qualquer área e situação somente para pessoas surdas oralizadas.
Errada, porque reduz a atuação a pessoas surdas oralizadas e a qualquer área/situação, o que não define o trabalho do guia-intérprete.
Gabarito: B
A atuação do guia-intérprete aparece quando a pessoa surdocega precisa de mediação comunicacional adaptada ao seu canal preferencial de acesso à informação. Ele não é apenas um tradutor de sinais, nem alguém limitado a um único método: sua função é possibilitar a comunicação entre a pessoa surdocega e o ambiente, usando a forma mais adequada ao caso, como Tadoma, Libras tátil, alfabeto manual tátil, escrita na palma, entre outras estratégias. Em provas, a FGV costuma cobrar essa ideia de flexibilidade: o profissional precisa conhecer e dominar, no mínimo, uma das formas de comunicação usadas por pessoas surdocegas, e não todas elas necessariamente. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Ela traduz exatamente a noção doutrinária e normativa do guia-intérprete: alguém preparado para mediar a comunicação com pessoas surdocegas por meio de recursos específicos, conforme a necessidade da pessoa atendida. A Lei 12.319/2010, ao tratar do tradutor e intérprete de Libras, e a prática profissional na área distinguem esse trabalho do intérprete convencional, porque aqui a adaptação ao perfil sensorial da pessoa é central. No caso do enunciado, a pessoa surdocega preferia Tadoma, então era indispensável alguém que soubesse operar essa forma de comunicação ou outra compatível, em conjunto com o revezamento na sessão plenária. Em resumo: o guia-intérprete não “faz mágica”, mas quase isso na prática - ele transforma o acesso à comunicação em algo possível e funcional.