“A educação dos surdos é uma questão de extrema relevância para a comunidade surda do país, bem como para a população brasileira em geral – motivo pelo qual o tema de redação do ENEM em 2017 foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, que proporcionou visibilidade nacional para a questão e para a comunidade surda.” BARROS, Caio Vinícius da Silva. Politize: Educação dos surdos: escola inclusiva ou bilíngue¿ Publicado em 15/10/2002. Para uma educação bilíngue de fato, se faz necessário o respeito a alguns princípios que conduzam a um currículo de formação educacional de surdos brasileiros. Assinale a opção que apresenta um princípio básico que assegure as práticas de ensino de Libras no currículo escolar.
- A)O diálogo em Libras deve ocorrer, de preferência, em ambiente doméstico.
Errada, porque reduz o uso da Libras ao ambiente doméstico, quando ela deve estar presente na escola e nas práticas pedagógicas.
- B)Interação com professores ouvintes que não fazem parte da comunidade surda brasileira.
Errada, porque a educação bilíngue de surdos não deve excluir a comunidade surda nem depender apenas de professores ouvintes sem vínculo com ela.
- C)O ensino de Libras precisa contemplar a diversidade sociocultural específica dos surdos.
Certa, porque o ensino de Libras precisa respeitar a diversidade sociocultural e a realidade linguística própria dos surdos brasileiros.
- D)A valorização da Libras como segunda língua na aprendizagem da Língua Portuguesa como primeira língua.
Errada, porque inverte a lógica: na educação bilíngue, a Libras é a primeira língua e o português é ensinado como segunda língua, e não o contrário.
- E)O ensino de Libras na modalidade escrita (sing. wrinting) com metodologias de segunda língua.
Errada, porque a proposta não é tratar a Libras escrita como eixo central do ensino de segunda língua, mas organizar o currículo a partir da Libras como língua de instrução.
Gabarito: C
A educação bilíngue de surdos parte da ideia de que a Libras não é um detalhe decorativo do currículo, mas a língua de instrução e de acesso ao conhecimento para o estudante surdo. Isso significa que o ensino precisa considerar a experiência visual, a cultura surda, a identidade linguística e as formas próprias de comunicação desse grupo. Em outras palavras: não basta traduzir a aula, é preciso planejar a escola para que o surdo aprenda de verdade. Na prática, um currículo bilíngue precisa respeitar a diversidade sociocultural dos surdos brasileiros, porque a comunidade surda não é homogênea. Há diferentes trajetórias, contextos familiares, níveis de contato com Libras e vivências escolares. Quando a proposta pedagógica reconhece isso, ela se afasta de um modelo que tenta enquadrar todos no padrão ouvinte e se aproxima de uma educação inclusiva com identidade própria. Por isso o gabarito é a letra C. Ela aponta exatamente para um princípio básico: o ensino de Libras deve contemplar a diversidade sociocultural específica dos surdos. Esse entendimento conversa com a Lei 10.436/2002, o Decreto 5.626/2005 e a LBI (Lei 13.146/2015), que reforçam a Libras, a acessibilidade comunicacional e a educação bilíngue como direitos. As outras alternativas fogem da lógica do bilinguismo. A questão quer currículo e política educacional, não ambiente doméstico, não dependência de professor ouvinte e nem inversão de papéis entre Libras e português.