Segundo a autora Cristina Lacerda, a comunicação entre os professores e alunos surdos só ocorre de maneira plena quando o primeiro adquire a Libras como primeira Língua ou o segundo adquire o Português como segunda Língua. Se isso não ocorre, o papel do tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa é fundamental na manutenção da comunicação entre ambos. Entre os requisitos referentes ao tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa, assinale a opção que o destaca como agente pedagógico no processo educacional.
- A)O intérprete deve estabelecer limites no momento de sua atuação, prezando pela fidelidade oral, textual, ou seja, jamais dar opinião acerca do assunto em questão, mesmo que seja solicitado para isso.
Errada, porque o intérprete não deve se limitar a uma fidelidade mecânica e isolada, já que no contexto educacional ele também colabora para a acessibilidade pedagógica.
- B)O intérprete deve manter uma distância profissional, sem envolvimento afetivo com os alunos surdos e professores no contexto educacional, prezando a discrição.
Errada, porque a atuação educacional do intérprete envolve interação profissional e cooperação com alunos e professores, não distanciamento afetivo absoluto.
- C)Com sua imparcialidade, o intérprete não deve tirar dúvidas se não estiver entendendo o conteúdo que o professor está ensinando, mas pode solicitar do professor a repetição/explicação do conteúdo para o aluno surdo.
Errada, porque o intérprete pode sim solicitar esclarecimentos e mediações ao professor quando necessário, pois isso ajuda a garantir a compreensão do aluno surdo.
- D)O intérprete não tem somente a função de traduzir, mas buscar, juntamente com o professor, meios diferenciados de ensino para que o aluno surdo possa ser favorecido por uma aprendizagem elaborada, pensada e eficiente.
Certa, porque reconhece o intérprete como participante do processo educacional, trabalhando com o professor para favorecer uma aprendizagem mais acessível e eficiente.
- E)O professor regente, sem conhecimento de Libras, deve solicitar do intérprete que busque enriquecer seu vocabulário, contextualizando com todos os alunos surdos e ouvintes da classe, o conhecimento de forma fidedigna.
Errada, porque não é função principal do intérprete enriquecer o vocabulário do professor nem atuar como responsável direto pela formação linguística da turma.
Gabarito: D
Na educação de pessoas surdas, o tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa não é só um "canal" mecânico de troca de palavras. Ele atua como ponte de acesso ao conteúdo, ajudando a viabilizar a comunicação em sala e a participação efetiva do aluno surdo no processo de ensino-aprendizagem. Por isso, a função dele extrapola a simples tradução literal e exige postura pedagógica, ética e colaborativa. A questão cobra justamente essa ideia de intérprete como agente pedagógico. Isso não significa substituir o professor, dar aula no lugar dele ou decidir o conteúdo, mas colaborar para que a aprendizagem aconteça de forma mais acessível e eficiente. Em contextos educacionais, a atuação integrada com o professor é essencial para adaptar estratégias, esclarecer dúvidas de comunicação e favorecer a compreensão do aluno surdo. É por isso que a alternativa D está correta: ela reconhece que o intérprete não tem apenas a função de traduzir, mas também de buscar, junto com o professor, meios diferenciados de ensino. Essa visão dialoga com a literatura da área, especialmente com Cristina Lacerda, que destaca o intérprete como participante importante na mediação pedagógica, sem perder os limites éticos da profissão. A Lei 12.319/2010, que regulamenta a profissão, também reforça o papel do tradutor e intérprete de Libras no exercício profissional em diferentes contextos, inclusive educacionais. Em resumo: o intérprete não é um enfeite da sala nem um robô do gesto. Ele é parte do funcionamento pedagógico da aula, desde que atue com responsabilidade, parceria e respeito ao papel do professor.