O papel do professor em uma situação interativa em uma aula é muito importante para o desenvolvimento dos processos de aprendizagem dos alunos, principalmente se esse professor está diante de muitas crianças ou adolescentes surdos com atrasos na exposição à Língua de Sinais. Por isso uma avaliação na linguagem pode ser aplicada para observar em qual estágio esse(s) aluno(s) se encontra(m) para uma devida intervenção. Assinale a opção que apresente a orientação básica que deve ser considerada na condução de possível intervenção.
- A)Partir do interesse do corpo docente da escola, de suas experiências e de suas competências como uma das condições relacionadas a uma verdadeira aprendizagem.
Errada, porque a intervenção deve partir das necessidades do aluno e de recursos pedagógicos adequados, não apenas do interesse ou da experiência do corpo docente.
- B)Sempre corrigir o aluno, constantemente, em suas produções errôneas ou incompletas, produzindo extensões que podem ser de natureza gramatical ou semântica.
Errada, porque corrigir o tempo todo pode bloquear a participação e não é a melhor estratégia de intervenção para desenvolvimento linguístico.
- C)Evitar a ampliação do uso da linguagem, buscando usar a imaginação, falando sobre o seu passado e sobre seu futuro.
Errada, porque a proposta vai contra o estímulo à linguagem e à ampliação de experiências comunicativas, que são essenciais no atendimento ao aluno surdo.
- D)Utilizar vários tipos de representações visuais, tais como desenhos, gráficos, imagens, entre outros, que apoiem o tema que está sendo desenvolvido com os alunos.
Certa, porque recursos visuais como desenhos, gráficos e imagens favorecem a compreensão, a mediação e a aprendizagem de alunos surdos.
- E)Devido à dificuldade de linguagem dos alunos, é necessário que se criem contextos para que se sintam inseguros em situações de discussão oral e de leitura escrita.
Errada, porque o objetivo é criar ambientes seguros e acessíveis de interação, não situações que gerem insegurança para falar, discutir ou ler.
Gabarito: D
Quando você trabalha com alunos surdos, especialmente aqueles com pouca exposição prévia à Língua de Sinais, não basta “passar conteúdo” e torcer para dar certo. É preciso observar em que estágio de linguagem o aluno está, para planejar uma intervenção que faça sentido e não vire uma conversa de adulto com linguagem de livro antigo. Aqui, a ideia central é usar recursos que ajudem a organizar o pensamento e a comunicação de forma concreta e visual. Na educação de surdos, a aprendizagem costuma ser favorecida quando a informação vem acompanhada de apoio visual. Isso não é enfeite: é mediação pedagógica de verdade. Imagens, desenhos, gráficos e outros recursos visuais ajudam o aluno a compreender o tema, estabelecer relações e participar da aula com mais autonomia. Por isso, o gabarito está na alternativa que propõe o uso de representações visuais. Esse tipo de estratégia dialoga com uma abordagem bilíngue e com práticas inclusivas, valorizando a Língua de Sinais e a experiência visual do estudante surdo. Em vez de insistir só na oralidade ou em correções incessantes, o professor cria acesso real ao conteúdo. Em resumo: na intervenção com alunos surdos, a palavra de ordem é apoio visual e mediação adequada. A aula fica mais clara, mais acessível e muito menos “mistério com legenda faltando”.