“Ele usa muitos gestos e expressões que nos ajudam a entender e assimilar cada sinal. No começo foi muito desafiador, pois ele não fala nada, mas aos poucos fomos nos acostumando. Sem contar que ele é muito engraçado e a aula fica leve e divertida”, afirmou a estudante de hotelaria Célia Keiko, 34 anos, (...)” BORGES, Fernanda. Professor surdo administra aulas de Libras para alunos ouvintes em Goiás. G1 de Goiás..2014. Assinale a opção que apresenta a ação que o aprendiz ouvinte deve ter para evitar a oralização, quando ainda não tem o domínio da LIBRAS.
- A)Comunica que o erro sempre está presente, mas que o contexto ajuda a perceber a intenção comunicativa.
Errada, porque generaliza a ideia de erro e não apresenta uma estratégia linguística adequada para evitar a oralização.
- B)Utiliza a comunicação por meio da datilologia, da escrita ou da utilização de expressões faciais e/ou corporais a partir do contexto.
Certa, pois indica recursos visuais e escritos que ajudam a comunicação sem recorrer à fala oral como substituição da Libras.
- C)Fixa o olhar na face do emissor da mensagem, pois é falta de educação desviar o olhar.
Errada, porque fixar o olhar é uma boa prática de interação em Libras, mas isso não responde à questão sobre evitar a oralização.
- D)Ao aprender uma segunda língua pode ter o suporte da primeira para compreender e comparar as gramáticas.
Errada, porque fala do apoio da língua materna na aprendizagem de uma segunda língua, mas não trata da prevenção da oralização no uso de Libras.
- E)Busca um convívio com os surdos para desenvolver a língua oral e visual e ter um melhor desempenho linguístico.
Errada, porque mistura conceitos e sugere desenvolver a língua oral, quando a questão pede justamente uma ação para não oralizar.
Gabarito: B
A questão trata de um ponto prático da aprendizagem de Libras: quando a pessoa ainda não domina a língua, ela não deve “forçar” a fala oral como muleta para substituir o sinal. O ideal é recorrer a recursos de apoio que mantenham a comunicação visual e respeitem a estrutura da Libras, como datilologia, escrita, expressões faciais e corporais, sempre considerando o contexto. Isso ajuda a evitar a oralização indevida e, ao mesmo tempo, preserva o sentido da mensagem. Em Libras, a comunicação não depende apenas das mãos. A expressão facial, o corpo, o olhar e o contexto são componentes linguísticos importantes. Por isso, se você ainda está começando, usar esses recursos de forma adequada é muito mais produtivo do que tentar “resolver tudo falando”. O gabarito é a letra B porque ela aponta exatamente estratégias compatíveis com a comunicação visual-espacial da Libras: datilologia, escrita e uso de expressões faciais e corporais com base no contexto. Isso funciona como ponte de aprendizagem sem desrespeitar a natureza da língua. Como base doutrinária, a Lei nº 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, e o Decreto nº 5.626/2005 reforça sua estrutura própria, distinta da língua oral. Em prova, a FGV costuma cobrar justamente essa ideia: Libras não é português sinalizado, e o aprendiz precisa pensar com lógica visual, não com improviso oral.