O currículo bilingue para surdos, tem como princípio, na sua organização, estabelecer uma base linguística e cognitiva consistente para impulsionar o aprendizado dos conteúdos escolares e o aprendizado de uma segunda língua. Assinale a opção que apresenta uma das características principais do Currículo de Língua Brasileira de Sinais.
- A)A presença de um eixo focado no desenvolvimento de habilidades metalinguísticas, com base na competência linguística da Língua Portuguesa.
Errada, porque coloca a Língua Portuguesa como base das habilidades metalinguísticas, invertendo a lógica do currículo bilíngue para surdos.
- B)O desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita de uma língua oral, por meio de habilidades metalinguísticas na Língua de Sinais.
Errada, porque descreve o aprendizado do português por meio da Libras, mas o foco principal do currículo de Libras é o desenvolvimento linguístico em Libras, não essa formulação.
- C)O processo de aquisição da língua de instrução-Língua Portuguesa escrita e oral, fundamentado no funcionamento das estruturas linguísticas da Libras.
Errada, porque trata a Libras como suporte para aquisição da Língua Portuguesa oral e escrita, quando o currículo bilíngue valoriza a Libras como primeira língua e eixo central.
- D)A presença de um eixo focado no desenvolvimento de habilidades metalinguísticas fundamentadas em Língua de Sinais.
Certa, porque aponta exatamente o desenvolvimento de habilidades metalinguísticas fundamentadas na Língua de Sinais, característica central do currículo de Libras.
- E)O contraste linguístico entre as duas línguas - Libras e Língua Portuguesa, com estruturação da segunda língua-Libras.
Errada, porque fala em estruturar a segunda língua como Libras, o que está conceitualmente invertido, já que a Libras não é a segunda língua nesse modelo.
Gabarito: D
O currículo bilíngue para surdos parte da ideia de que a Libras deve ser a primeira língua do aluno surdo e a base para organizar a aprendizagem escolar. Em vez de tratar a língua de sinais como apoio secundário, ele a coloca no centro do processo, porque é por meio dela que o estudante vai construir linguagem, pensamento, identidade e acesso ao conhecimento. Na prática, isso significa que o currículo precisa valorizar a Libras como língua de instrução e também como objeto de ensino. A escola não deve começar pelo português como se fosse a única porta de entrada. Primeiro vem uma base linguística sólida em Libras; depois, a segunda língua é trabalhada a partir dessa base. Por isso, o ponto-chave da questão é o desenvolvimento de habilidades metalinguísticas fundamentadas em Língua de Sinais. Metalinguagem aqui é a capacidade de refletir sobre a própria língua, perceber suas estruturas, comparar usos e pensar sobre como ela funciona. Em um currículo bilíngue para surdos, essa reflexão precisa nascer da Libras, e não ser importada da Língua Portuguesa como se uma dependesse da outra para existir. O gabarito está certo porque a alternativa D descreve exatamente essa lógica: um eixo voltado para habilidades metalinguísticas a partir da Língua de Sinais. Isso conversa com a perspectiva legal da Lei 10.436/2002 e do Decreto 5.626/2005, que reconhecem a Libras como língua da comunidade surda e orientam sua presença na educação bilíngue.