A maioria das pessoas tem uma ideia equivocada das Línguas de Sinais, que não correspondem à realidade, porque a Libras é uma língua com o mesmo estatuto e com qualidades iguais às das línguas orais, mas apresenta somente uma modalidade muito diferente de expressão e recepção. As opções a seguir apresentam estereótipos ligados à Língua de Sinais, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Os intérpretes nas “janelinhas” de Libras da TV apresentam um conjunto de gestos, mímica e teatralização, incapaz de expressar conceitos abstratos.
Errada, porque reduz a Libras a mímica e gestos e ainda nega sua capacidade de expressar conceitos abstratos.
- B)A Língua de Sinais é uma versão das línguas orais, por exemplo, LIBRAS seria uma versão em sinais da língua portuguesa falada no Brasil.
Errada, porque a Libras não é mera versão sinalizada do português, mas uma língua com estrutura própria.
- C)LIBRAS e ASL (Língua de Sinais Americana) têm, como influência comum, a LSF (Língua de Sinais Francesa), porque educadores surdos franceses criaram as primeiras escolas para surdos nos dois países.
Certa, porque traz um dado histórico verdadeiro sobre a influência da LSF na LIBRAS e na ASL.
- D)A Língua de Sinais é universal, pois uma vez que se conheça uma língua de sinais, pode-se conversar com surdos de qualquer lugar do mundo.
Errada, porque línguas de sinais não são universais; cada comunidade surda tem sua própria língua.
- E)É comum ouvirmos e vermos nas redes sociais, e até mesmo na mídia, as pessoas usarem a expressão “linguagem de sinais” para se referir à Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.
Errada, porque o termo correto é língua de sinais, e não linguagem de sinais, quando se refere à LIBRAS.
Gabarito: C
A questão explora um erro muito comum: tratar a Libras como se fosse um amontoado de gestos, mímicas ou uma simples tradução do português. Isso não procede. A Lei 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, com estrutura gramatical própria, e o Decreto 5.626/2005 reforça essa natureza linguística. Ou seja, Libras é língua de verdade, só que em modalidade visuoespacial, não oral-auditiva. Por isso, várias alternativas trazem estereótipos clássicos sobre língua de sinais: ideia de que ela é universal, de que é apenas uma versão do português ou de que não consegue expressar abstrações. Tudo isso é mito, puro atalho mental de quem nunca estudou o tema de verdade. A letra C foge desse pacote de preconceitos porque traz uma informação histórica correta: a LIBRAS e a ASL têm influência comum da Língua de Sinais Francesa (LSF). Isso aconteceu porque a tradição educacional francesa influenciou a criação de escolas para surdos em diferentes países, inclusive Brasil e Estados Unidos. Então, em vez de estereótipo, a banca colocou um dado histórico-linguístico verdadeiro. Resumo de prova: Libras não é linguagem improvisada, não é universal e não é dependente da fala. É língua natural, com gramática própria, e a alternativa C é a única que não cai na armadilha do preconceito.