“Historicamente, no Brasil, a atuação do tradutor/intérprete de Libras tem se dado majoritariamente em contextos educativos, em especial na sala de aula. Seja na escola bilíngue ou na inclusiva com estudantes surdos, esse profissional tem garantido a relação linguística e o diálogo entre estudantes surdos e professores ouvintes não usuários da língua de sinais”. (O DIA – 18/07/2022) Assinale a afirmativa que apresenta uma atribuição do Tradutor e Intérprete da Libras-Língua Portuguesa em sala de aula.
- A)Ensinar Libras na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, participando do planejamento pedagógico.
Errada, porque ensinar Libras na educação infantil e nos anos iniciais é atribuição docente, não função do tradutor e intérprete.
- B)Ensinar a Língua Portuguesa como segunda língua para surdos, viabilizando conhecimentos e conteúdos.
Errada, porque ensinar Língua Portuguesa como segunda língua para surdos é papel do professor especializado, não do intérprete.
- C)Auxiliar os professores ouvintes na correção de provas escritas por singwriting, participando de Conselhos de Classe.
Errada, porque corrigir provas e participar de conselho de classe não integra a função de mediação linguística do intérprete.
- D)Viabilizar o acesso dos alunos surdos aos conhecimentos e conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas.
Certa, porque o intérprete atua para viabilizar o acesso dos alunos surdos aos conhecimentos e conteúdos curriculares em atividades didático-pedagógicas.
- E)Atuar nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino, em salas de aulas específicas para os alunos surdos e não surdos.
Errada, porque atuação em processos seletivos e em salas específicas não descreve a atribuição central do intérprete em sala de aula.
Gabarito: D
O tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa, em sala de aula, não substitui o professor nem assume funções pedagógicas que sejam próprias da docência. A função dele é fazer a mediação linguística para que o estudante surdo tenha acesso ao que está sendo ensinado, garantindo a comunicação entre Libras e português. Em outras palavras: ele traduz e interpreta, não vira professor “extra” da turma. Por isso, a alternativa correta é a que fala em viabilizar o acesso dos alunos surdos aos conhecimentos e conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas. Isso está em sintonia com o Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta a Lei de Libras (Lei nº 10.436/2002), e com a LBI (Lei nº 13.146/2015), que assegura acessibilidade e educação inclusiva com apoios adequados. Repare no detalhe: o intérprete acompanha aulas, atividades, avaliações, reuniões e outras situações escolares em que haja necessidade de mediação linguística. Ele não é responsável por ensinar Libras, ensinar português como L2, corrigir prova, nem assumir conselho de classe. Essas tarefas são de outros profissionais da educação. Então, quando a questão fala em acesso aos conteúdos curriculares em todas as atividades didático-pedagógicas, ela está descrevendo exatamente a atribuição típica do tradutor e intérprete na escola. É a clássica função de ponte: ele deixa a mensagem atravessar sem cair no rio.