Carla, tradutora e intérprete de Libras - Língua Portuguesa foi contratada, juntamente com mais quatro profissionais, por uma universidade da cidade em que reside, para prestar serviços a um Seminário Estadual de Educação de Surdos. Durante o trabalho de rodízio entre os intérpretes, Carla negou a sua vez por alegar incompatibilidade com o assunto que estava sendo explanado por um palestrante surdo. Com essa atitude, Carla infringiu o seguinte valor éticoprofissional:
- A)honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação.
Errada, porque sigilo e discrição dizem respeito à confidencialidade da informação, não à recusa de interpretar um tema considerado difícil.
- B)imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe cabe traduzir.
Certa, porque a recusa por incompatibilidade com o assunto compromete a imparcialidade e a fidelidade ao conteúdo a ser traduzido.
- C)postura e conduta adequadas aos ambientes profissionais e familiares.
Errada, porque o enunciado trata de ética na interpretação de conteúdo, e não de postura em ambientes profissionais e familiares.
- D)conhecimento das especificidades da comunidade surda e sua inserção na Educação Especial.
Errada, porque o problema não é conhecimento sobre a comunidade surda ou Educação Especial, mas a conduta ética no ato de interpretar.
- E)solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social.
Errada, porque solidariedade e direito de expressão são valores gerais, mas não explicam a infração específica cometida na situação.
Gabarito: B
Na atuação do tradutor e intérprete de Libras-Língua Portuguesa, a regra de ouro é não “editar” a mensagem por conta própria. Você não escolhe o que é fácil, bonito ou confortável de interpretar: você fideliza o conteúdo, preservando sentido, intenção e integridade da fala ou do sinalizado. Isso está em linha com a ética profissional do intérprete, que exige postura de mediação e não de filtro pessoal. Na questão, Carla se recusou a fazer sua vez alegando incompatibilidade com o tema. O problema é que, em serviço de rodízio, o profissional deve manter o compromisso com a continuidade da interpretação e com a fidelidade ao conteúdo apresentado. Se há dificuldade terminológica, o caminho ético é buscar estratégias de preparação e cooperação com a equipe, não simplesmente abandonar a função por preferência subjetiva. Por isso, o gabarito é a letra B. A atitude dela fere a imparcialidade e a fidelidade aos conteúdos que lhe cabe traduzir, princípios centrais na prática do intérprete. A ideia é simples: intérprete não é comentarista, não é censurador e não é “curador” do assunto. Ele transmite a mensagem com precisão e neutralidade. Como referência normativa, a Lei nº 12.319/2010 reconhece e regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras, e a prática profissional é orientada por princípios éticos de fidelidade, sigilo e imparcialidade. Em provas, a banca costuma cobrar justamente essa diferença entre atuar com técnica e agir com opinião pessoal.