Na PRIMEIRA COLUNA está representada a concepção de visão clínica-patológica, na qual as capacidades do surdo são desvalorizadas. Já na SEGUNDA COLUNA, vemos a concepção sócio-antropológica, que compreende o sujeito por sua diferença e não por sua deficiência, bem como respeita sua língua e cultura. A respeito das Representações sociais do Surdo, analise as alternativas e assinale a INCORRETA:
- A)1ª COLUNA REPRESENTAÇÃO SOCIALDeficiente2ª COLUNA REPRESENTAÇÃO DE POVO SURDO“Ser surdo”
Está incorreta, porque trata o surdo como "deficiente" na lógica clínica e, na outra coluna, tenta associá-lo ao povo surdo sem preservar bem essa oposição conceitual.
- B)1ª COLUNA REPRESENTAÇÃO SOCIALA surdez é deficiência na audição e na fala2ª COLUNA REPRESENTAÇÃO DE POVO SURDOSer surdo é uma experiência visual
Está correta, pois a primeira coluna segue a visão médica da surdez como deficiência e a segunda adota a perspectiva visual e cultural do ser surdo.
- C)1ª COLUNA REPRESENTAÇÃO SOCIALA educação dos surdos deve ter um caráter clínico-terapêutico e de reabilitação2ª COLUNA REPRESENTAÇÃO DE POVO SURDOA educação dos surdos deve ter respeito pela diferença linguística cultural
Está correta, porque a educação terapêutica e de reabilitação pertence ao modelo clínico, enquanto o respeito à diferença linguística e cultural é a visão socioantropológica.
- D)1ª COLUNA REPRESENTAÇÃO SOCIALSurdos são categorizados em graus de audição: leves, moderados, severos e profundos.2ª COLUNA REPRESENTAÇÃO DE POVO SURDOAs identidades surdas são múltiplas e multifacetadas
Está incorreta, porque a classificação por graus de audição é típica do modelo clínico-patológico, e não da representação social do povo surdo, que enfatiza identidade e cultura.
- E)1ª COLUNA REPRESENTAÇÃO SOCIALA língua de sinais é prejudicial aos surdos2ª COLUNA REPRESENTAÇÃO DE POVO SURDOA língua de sinais é a manifestação da diferença linguística relativa aos povos surdos
Está correta, pois a ideia de que a língua de sinais seria prejudicial é marca do pensamento clínico, enquanto vê-la como manifestação da diferença linguística é postura sociocultural.
Gabarito: D
A questão cobra duas formas de enxergar a surdez. Na visão clínico-patológica, o surdo aparece como alguém com déficit, algo a ser corrigido, tratado ou reabilitado. Já na visão sócio-antropológica, o surdo é reconhecido como sujeito de uma comunidade linguística e cultural própria, com identidade, história e língua de sinais. Aqui entra a ideia central da educação bilíngue e do respeito à Libras, consolidada na Lei 10.436/2002 e no Decreto 5.626/2005. Perceba que, na lógica da representação social tradicional, a surdez costuma ser descrita por graus de perda auditiva e por termos ligados à deficiência. Isso é compatível com o olhar médico. Na outra coluna, porém, a tônica muda: surdez como experiência visual, identidade surda, diferença linguística e cultural. É o clássico contraste entre tentar "consertar" a pessoa e reconhecer sua diferença. O gabarito é a letra D porque ela inverte as ideias. A primeira coluna traz uma descrição técnica da perda auditiva por graus, que pertence ao modelo clínico. Já a segunda fala que as identidades surdas são múltiplas e multifacetadas, algo ligado ao campo sociocultural. Ou seja, as colunas não correspondem às representações indicadas no enunciado. Em termos doutrinários, a literatura da educação de surdos e os estudos surdos reforçam que a Libras não é um apoio secundário, mas a língua da comunidade surda. Então, quando a questão contrapõe deficiência versus povo surdo, ela está testando exatamente se você sabe separar medicina de cultura.