As glosas representam os sinais para PASTEL, VERDE e MARACUJÁ, os quais executados, cada um deles individualmente, por diferentes intérpretes e concretizando exemplos de variação diatópica, constituem-se em conhecimento contemplado nas disposições do código de ética do tradutor e intérprete porque:
- A)O intérprete deverá lembrar os limites de sua particular função e não ir além da sua responsabilidade.
Errada, porque fala de limites profissionais em geral, mas não aborda a aceitação de variações linguísticas e sinais novos.
- B)O intérprete guardará informações confidenciais e não trairá confidências as quais lhe foram reveladas.
Errada, porque trata de sigilo profissional, que é um dever ético importante, mas não é o foco da situação apresentada.
- C)O intérprete deve estar pronto para aprender e aceitar sinais novos, se isso for necessário para o entendimento.
Certa, porque expressa a postura de reconhecer e aprender variações de sinais, o que combina com a variação diatópica indicada no enunciado.
- D)O intérprete deve manter imparcialidade no decorrer da sua interpretação, evitando impor seus pontos de vista.
Errada, porque imparcialidade é princípio ético do intérprete, porém não explica a questão das diferentes formas regionais dos sinais.
- E)Em caso legal de interpretação, o intérprete informa à corte o nível de comprometimento da pessoa surda envolvida.
Errada, porque se refere à atuação em contexto jurídico, não à adaptação a variações regionais de sinais.
Gabarito: C
A questão trabalha um ponto bem importante da ética do tradutor e intérprete de Libras: a abertura para variações linguísticas. Em Libras, assim como nas línguas orais, um mesmo conceito pode aparecer em formas diferentes conforme a região, a comunidade e o contexto de uso. É por isso que sinais como PASTEL, VERDE e MARACUJÁ podem variar diatopicamente sem que isso signifique erro ou “fala errada”. O Código de Ética do tradutor e intérprete não trata a língua de sinais como algo congelado no tempo. Pelo contrário: o profissional precisa ter sensibilidade para reconhecer essas variações e estar disposto a aprender novos sinais quando isso for necessário para garantir a compreensão. Isso conversa com a ideia de competência linguística e também com a postura profissional esperada no atendimento à pessoa surda. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela traduz exatamente essa atitude ética e profissional: estar pronto para aprender e aceitar sinais novos, quando isso for necessário para o entendimento. Em outras palavras, o intérprete não deve achar que só existe um jeito “correto” de sinalizar; ele precisa acompanhar a diversidade real da Libras. Como apoio normativo, vale lembrar que a Lei nº 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, e o Decreto nº 5.626/2005 reforça a formação e a atuação adequada do intérprete. Na prática, isso exige flexibilidade, estudo contínuo e respeito às variações linguísticas da comunidade surda.