A professora de um aprendiz com surdez, que frequenta uma sala regular em escola inclusiva e é acompanhado em Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno, adota sempre os mesmos mecanismos de avaliação e correção nas provas escritas de língua portuguesa para todos os alunos, aqueles com surdez e aqueles ouvintes, buscando proceder de maneira igual com todos e evitando ação ou omissão que dispense um tratamento discriminatório. Na situação apresentada, a professora demonstra que:
- A)Desrespeita as especificidades envolvidas na aprendizagem de uma segunda língua.
Certa: a correção padronizada ignora que o português, para o aluno surdo, é aprendido como segunda língua e exige critérios específicos.
- B)Resguarda a coerência entre as propostas da educação inclusiva e a sua prática pedagógica.
Errada: a prática não é coerente com a educação inclusiva, porque igualdade de tratamento não significa desconsiderar necessidades linguísticas distintas.
- C)Desabona o preconceito no atendimento às necessidades educacionais especiais dos surdos.
Errada: a atitude não combate o preconceito educacional, pois acaba reforçando uma lógica que penaliza diferenças próprias da surdez.
- D)Prioriza, na prática avaliativa, os aspectos semânticos da aprendizagem da língua portuguesa.
Errada: o problema não é priorização semântica, mas a ausência de adequação dos critérios avaliativos à realidade bilíngue do aluno.
- E)Reconhece as peculiaridades linguísticas evidenciadas no aspecto formal da língua portuguesa.
Errada: reconhecer peculiaridades linguísticas exigiria justamente adaptar a correção, o que não ocorre no enunciado.
Gabarito: A
Em inclusão, tratar todo mundo exatamente igual nem sempre é o mais justo. Para o estudante com surdez, a aprendizagem da língua portuguesa escrita costuma ocorrer como segunda língua, enquanto a Libras é, em regra, a primeira língua de escolarização. Por isso, a avaliação precisa considerar essas especificidades, inclusive na correção de produções escritas, para não transformar diferença linguística em erro pedagógico. A questão mostra uma professora que aplica os mesmos critérios de correção para alunos ouvintes e surdos, sem adaptar a avaliação. Isso desconsidera que o surdo pode estruturar o português escrito com marcas da Libras e que isso não deve ser tratado automaticamente como falha de conteúdo. O foco deve ser verificar compreensão, progressos e objetivos compatíveis com seu percurso bilíngue. Esse entendimento conversa com a perspectiva da educação bilíngue e inclusiva prevista na Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), na LDB e no Decreto 5.626/2005, que reforçam o atendimento educacional adequado às necessidades linguísticas do aluno surdo. Em provas, a banca costuma cobrar essa ideia: igualdade formal não basta quando ela apaga diferenças reais. Por isso, o gabarito é a letra A: a postura da professora desrespeita as especificidades envolvidas na aprendizagem de uma segunda língua. Em vez de corrigir como se o processo do aluno surdo fosse idêntico ao do ouvinte, ela deveria adotar critérios compatíveis com sua experiência linguística.