O vocabulário receptivo é requisito para recepção e processamento de informação. Isso vale tanto para o vocabulário receptivo auditivo (i.e., de palavras ouvidas) da criança ouvinte quanto para o vocabulário receptivo visual (i.e., de sinais observados) da criança surda. A extensão do vocabulário receptivo é uma das mais importantes medidas da habilidade intelectual porque
- A)na criança surda, o atraso no desenvolvimento das habilidades de linguagem sempre sinaliza suas limitações cognitivas e falhas de habilidades de inferência.
Errada, porque atraso de linguagem não significa sempre limitação cognitiva nem falha de inferência, já que pode decorrer de falta de acesso linguístico adequado.
- B)quanto maior o grau de perda auditiva, maior o vocabulário receptivo; porém, também maior o grau de dificuldades e trocas na aplicação desse conjunto lexical.
Errada, porque maior perda auditiva não implica maior vocabulário receptivo; em geral, sem acesso linguístico efetivo, a compreensão tende a ser prejudicada.
- C)a imersão, desde tenra idade, em uma comunidade surda sinalizadora, não é estratégia adequada para prevenir atrasos de desenvolvimento linguístico e cognitivo.
Errada, porque a imersão precoce em uma comunidade surda sinalizadora é justamente uma estratégia reconhecida para prevenir atrasos linguísticos e favorecer o desenvolvimento.
- D)quanto maior a habilidade de inferência da criança, maior tenderá a ser o vocabulário receptivo auditivo, ou seja, o número de palavras que ela é capaz de compreender.
Certa, porque a habilidade de inferência ajuda a criança a compreender mais palavras pelo contexto, ampliando o vocabulário receptivo e a compreensão geral.
Gabarito: D
O vocabulário receptivo é a base da compreensão: antes de falar bem, a pessoa precisa reconhecer e entender o que recebe, seja por sons, seja por sinais. Em termos simples, quem compreende mais palavras ou sinais tende a acompanhar melhor instruções, textos, aulas e situações novas. Por isso, medir vocabulário receptivo é uma forma indireta, mas muito útil, de avaliar o desenvolvimento linguístico e até aspectos ligados ao desempenho intelectual. No caso da criança surda, o vocabulário receptivo não é auditivo, mas visual, isto é, formado pelos sinais que ela observa e interpreta. Já na criança ouvinte, ele é auditivo, ligado às palavras que ela ouve e compreende. Em ambos os casos, quanto mais o repertório receptivo cresce, maior costuma ser a capacidade de aprender, inferir sentidos e organizar informações. A alternativa D está correta porque relaciona exatamente essa ideia: quanto maior a habilidade de inferência da criança, maior tende a ser seu vocabulário receptivo auditivo, ou seja, o conjunto de palavras que ela consegue compreender. A inferência ajuda a criança a deduzir o sentido de palavras novas pelo contexto, ampliando a compreensão sem depender de repetição mecânica. As demais alternativas escorregam em generalizações erradas ou em relações que não fazem sentido. A prova quer que você associe vocabulário receptivo com compreensão e processamento de informação, não com uma fórmula de causa e efeito simplista. Em educação de surdos, a literatura destaca justamente a importância de exposição linguística precoce e rica, especialmente em uma língua plenamente acessível à criança, para favorecer desenvolvimento linguístico e cognitivo.