A cultura e a identidade surdas fundamentam-se na crença de que é primordial para o desenvolvimento da pessoa surda que ela se reconheça como parte da comunidade surda, identificando seus limites e formas de expressão porque
- A)essa validação é garantida por códigos, linguagens, juízos de valor, percepção visual e vibrações sonoras próprias compartilhadas.
Correta, porque relaciona identidade surda a pertencimento comunitário, experiência visual e códigos compartilhados, que são bases da cultura surda.
- B)coisas que são ditas na Língua Brasileira de Sinais – Libras são ditas usando-se o mesmo tipo de construção gramatical na língua portuguesa.
Errada, porque Libras não usa a mesma construção gramatical do português; são línguas diferentes, com estruturas próprias.
- C)as línguas de sinais, incluindo-se a Libras, são as únicas que empregam sintaxe linear utilizando-se da descrição para captar o uso de classificadores.
Errada, porque generaliza de forma inadequada e faz afirmações falsas sobre sintaxe e classificadores nas línguas de sinais.
- D)existe apenas uma identidade surda, a do indivíduo inserido na comunidade surda e que se comunica, exclusivamente, por meio da linguagem de sinais.
Errada, porque não existe apenas uma identidade surda; há diferentes formas de vivenciar a surdez, inclusive fora da comunidade surda sinalizante.
Gabarito: A
A cultura surda parte da ideia de que a pessoa surda não deve ser vista pela falta, mas pela diferença. Em vez de pensar só na perda auditiva, o foco vai para a experiência visual, para a língua de sinais e para os modos próprios de convivência, aprendizagem e expressão dentro da comunidade surda. Isso é central em abordagens pedagógicas e doutrinárias da Educação de Surdos, especialmente no reconhecimento da Libras como língua natural da comunidade surda no Brasil. Quando o enunciado fala que é primordial a pessoa surda se reconhecer como parte da comunidade surda, ele está destacando identidade e pertencimento. Esse reconhecimento envolve compartilhar códigos, valores, formas de perceber o mundo e de se comunicar que são próprios do grupo. Não é uma visão de isolamento, mas de fortalecimento cultural e linguístico, algo muito alinhado à perspectiva socioantropológica da surdez. Por isso a alternativa A está correta: ela descreve elementos que ajudam a sustentar essa validação identitária, como códigos, linguagens, juízos de valor, percepção visual e experiências compartilhadas. Em outras palavras, a pessoa surda se desenvolve melhor quando encontra uma comunidade em que sua forma de ser e de se expressar faz sentido e tem valor. As demais alternativas caem em erros clássicos: comparar Libras ao português como se tivessem a mesma gramática, limitar as línguas de sinais de forma inadequada ou afirmar que existe apenas uma identidade surda. A própria legislação brasileira reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão (Lei 10.436/2002 e Decreto 5.626/2005), reforçando que a língua de sinais não é um apêndice da língua oral, mas uma língua completa e legítima.