Na maioria do mundo, há, pelo menos, uma língua de sinais usada amplamente na comunidade surda de cada país, diferente daquela língua falada na mesma área geográfica. Isto se dá porque essas línguas são independentes das línguas orais, pois foram produzidas dentro das comunidades surdas. Sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, é informação procedente que:
- A)COMER e BEBER são verbos que possuem marcas de concordância e não incorporam o objeto.
Errada, porque comer e beber não são apresentados corretamente aqui como verbos de concordância com incorporação do objeto.
- B)Apresenta dialetos regionais, salientando, assim, uma vez mais, o seu caráter de língua natural.
Certa, porque a Libras apresenta variações regionais e isso confirma seu status de língua natural.
- C)É suscetível às variações sociais e mudanças históricas em virtude de sua natureza classificadora.
Errada, porque a variação social e a mudança histórica não decorrem de uma suposta natureza classificadora da língua.
- D)A maioria dos sinais mantém relação de semelhança com seu referente por ser língua visual-espacial.
Errada, porque nem a maioria dos sinais é necessariamente semelhante ao referente, nem a iconicidade define toda a Libras.
Gabarito: B
A Libras, como qualquer língua natural, não é um conjunto fixo de gestos: ela varia conforme a região, a geração, o contexto social e também muda com o tempo. Isso significa que podem existir sinais diferentes para a mesma ideia em lugares distintos, assim como acontece com palavras em línguas orais. Em outras palavras, a Libras também tem “sotaque”, vocabulário local e uso social próprio. Por isso, a alternativa B está correta: ela apresenta dialetos regionais, o que reforça o caráter de língua natural da Libras. Se há variação interna organizada, há vida linguística de verdade, não um código artificial parado no tempo. Esse é um ponto bem cobrado em Libras: língua de sinais não é mímica universal, nem conjunto de gestos improvisados. As demais alternativas tentam confundir você com termos parecidos. Nem todo sinal é transparente ou parecido com o referente, e a relação entre sinal e significado não depende só de visualidade. Também é importante lembrar que a Libras possui classes de verbos e mecanismos próprios, mas isso não autoriza afirmar qualquer coisa sobre concordância ou incorporação sem olhar a classificação correta do verbo. Em linha com a doutrina sobre língua natural e variação linguística, a Libras é reconhecida no Brasil pela Lei 10.436/2002 e pelo Decreto 5.626/2005, que a tratam como meio legal de comunicação e expressão, com estrutura gramatical própria e dinâmica interna.