Durante muito tempo, erroneamente, afirmou-se que as línguas de sinais não eram línguas porque os sinais apenas estabeleciam relação de semelhança com o dado da realidade que representavam. A grande maioria dos sinais da Libras não mantém relação de semelhança alguma com seu referente devido à sua característica de:
- A)Iconicidade.
Errada, porque iconicidade é a semelhança parcial entre sinal e referente, e a questão afirma justamente que a maioria dos sinais não mantém essa semelhança.
- B)Arbitrariedade.
Certa, porque a arbitrariedade explica que o vínculo entre sinal e significado é convencional, não baseado em semelhança direta com a realidade.
- C)Universalidade.
Errada, porque universalidade não é a característica que define a relação entre sinal e referente na Libras, já que cada língua de sinais é própria de uma comunidade.
- D)Contrastividade.
Errada, porque contrastividade se relaciona à distinção entre unidades linguísticas, não à ausência de semelhança entre sinal e referente.
Gabarito: B
A Língua Brasileira de Sinais é uma língua de fato, com gramática própria, e não uma simples coleção de gestos copiados da realidade. Um dos pontos que derruba a velha ideia de que sinal é sempre “desenho” da coisa é a arbitrariedade: em muitas palavras/sinais, não existe semelhança visível entre a forma do sinal e o objeto ou ideia que ele representa. Em outras palavras, a relação entre sinal e significado é convencional, isto é, depende do uso compartilhado pela comunidade surda. Isso acontece em várias línguas naturais, inclusive nas línguas de sinais. Alguns sinais podem até ser icônicos, ou seja, lembrar parcialmente o referente, mas isso não é regra nem define a língua como um todo. A maior parte do léxico da Libras não mantém relação de semelhança direta com o referente, justamente porque seu funcionamento é marcado pela arbitrariedade, assim como ocorre nas línguas orais. Por isso, o gabarito é a letra B. A questão combate uma visão antiga e equivocada, muito associada a preconceito linguístico, de que a Libras seria menos complexa por usar o corpo e o espaço. A doutrina da Linguística reconhece que as línguas de sinais são línguas naturais completas, com níveis fonológico, morfológico, sintático e semântico próprios. Se quiser guardar a ideia em uma frase: nem todo sinal “desenha” o que significa. Muitas vezes ele apenas foi combinado socialmente para significar aquilo, e é isso que chamamos de arbitrariedade.