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Libras · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Libras

Durante muito tempo, erroneamente, afirmou-se que as línguas de sinais não eram línguas porque os sinais apenas estabeleciam relação de semelhança com o dado da realidade que representavam. A grande maioria dos sinais da Libras não mantém relação de semelhança alguma com seu referente devido à sua característica de:

Gabarito: B

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua de fato, com gramática própria, e não uma simples coleção de gestos copiados da realidade. Um dos pontos que derruba a velha ideia de que sinal é sempre “desenho” da coisa é a arbitrariedade: em muitas palavras/sinais, não existe semelhança visível entre a forma do sinal e o objeto ou ideia que ele representa. Em outras palavras, a relação entre sinal e significado é convencional, isto é, depende do uso compartilhado pela comunidade surda. Isso acontece em várias línguas naturais, inclusive nas línguas de sinais. Alguns sinais podem até ser icônicos, ou seja, lembrar parcialmente o referente, mas isso não é regra nem define a língua como um todo. A maior parte do léxico da Libras não mantém relação de semelhança direta com o referente, justamente porque seu funcionamento é marcado pela arbitrariedade, assim como ocorre nas línguas orais. Por isso, o gabarito é a letra B. A questão combate uma visão antiga e equivocada, muito associada a preconceito linguístico, de que a Libras seria menos complexa por usar o corpo e o espaço. A doutrina da Linguística reconhece que as línguas de sinais são línguas naturais completas, com níveis fonológico, morfológico, sintático e semântico próprios. Se quiser guardar a ideia em uma frase: nem todo sinal “desenha” o que significa. Muitas vezes ele apenas foi combinado socialmente para significar aquilo, e é isso que chamamos de arbitrariedade.

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