Em consonância com a visão socioantropológica que caracteriza o surdo como sendo um sujeito de condição distinta em seu aspecto linguístico e cultural
- A)ressalta-se o processo de busca pela igualdade com o domínio da língua portuguesa como estratégia de acesso à aprendizagem da Libras.
Errada, porque inverte a lógica socioantropológica ao tratar o domínio do português como meio de acesso à Libras, quando a Libras deve ser a base linguística do surdo.
- B)propõe-se correção de deficits por meio de implantes cocleares e protetização concomitante à aprendizagem da língua portuguesa e da Libras.
Errada, porque traz uma visão clínico-reabilitadora, centrada em déficit, implante e protetização, e isso não é o foco da perspectiva socioantropológica.
- C)tem-se como fundamento o pressuposto de que a comunicação do surdo se altera mediante a qualificação da surdez (condutiva, neurossensorial ou mista).
Errada, porque reduz a comunicação do surdo ao tipo de perda auditiva, como se a surdez definisse a língua de modo médico, e não cultural e linguístico.
- D)deve-se privilegiar a língua de sinais (Libras) como primeira língua e a língua portuguesa, na modalidade escrita, como segunda língua a ser aprendida pelos alunos surdos.
Certa, porque reconhece a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua, exatamente como orienta a educação bilíngue do surdo.
Gabarito: D
A visão socioantropológica da surdez muda a lente da prova: o surdo não é visto como alguém “faltando” audição, mas como sujeito de uma identidade linguística e cultural própria. Por isso, a educação do surdo parte do reconhecimento da Libras como língua natural de acesso ao conhecimento e à interação social, e não como simples apoio ou etapa secundária. Nesse modelo, a escola deve garantir a Libras como primeira língua, para que o aluno surdo construa linguagem, pensamento e aprendizagem com base em uma língua visual-espacial que lhe seja plenamente acessível. A língua portuguesa entra como segunda língua, na modalidade escrita, sem apagar a centralidade da Libras. É a lógica da educação bilíngue, muito alinhada ao que se lê na Lei 10.436/2002 e no Decreto 5.626/2005. É exatamente isso que a alternativa D afirma. Ela traduz o entendimento de que o surdo precisa ter a Libras como eixo principal do processo educacional, enquanto o português escrito funciona como segunda língua, respeitando sua diferença linguística e cultural. Em prova, quando aparecer “visão socioantropológica”, pense logo em identidade, cultura, Libras e bilinguismo. As demais alternativas escorregam para a ideia de correção, normalização ou hierarquização inadequada da língua portuguesa, o que não combina com esse paradigma.