Sob a perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Dessa forma, a inclusão de alunos surdos acontece quando a escola oferece
- A)o ensino da língua portuguesa escrita como primeira língua para todos os alunos da escola; o ensino dos componentes curriculares em LIBRAS para os alunos surdos; e os serviços de tradutor/intérprete de LIBRAS e da língua portuguesa em todas as atividades escolares.
Errada, porque inverte a lógica bilíngue ao colocar o português escrito como primeira língua para todos e ainda supõe ensino de componentes curriculares em LIBRAS como se isso, sozinho, resolvesse a inclusão.
- B)o ensino e uso da LIBRAS como primeira língua, o ensino da língua portuguesa escrita como segunda língua para alunos surdos; os serviços de tradutor/intérprete de LIBRAS e língua portuguesa; e o ensino da LIBRAS para os demais alunos e profissionais da escola.
Certa, porque apresenta o modelo bilíngue correto para o aluno surdo: LIBRAS como primeira língua, português escrito como segunda língua, intérprete e formação em LIBRAS para a comunidade escolar.
- C)o ensino da língua portuguesa escrita como primeira língua para todos os alunos e os serviços de tradutor/intérprete da LIBRAS e língua portuguesa.
Errada, porque reduz a inclusão ao português escrito e ao intérprete, sem garantir o ensino em perspectiva bilíngue nem o acesso à LIBRAS como língua do aluno surdo.
- D)o ensino da língua portuguesa escrita como primeira língua para todos os alunos; o ensino da LIBRAS para profissionais da escola e os serviços de tradutor/intérprete de LIBRAS e língua portuguesa.
Errada, porque insiste no português escrito como primeira língua para todos e trata o ensino de LIBRAS apenas como algo para profissionais, deixando de lado os alunos e a proposta bilíngue.
- E)o ensino dos componentes curriculares em LIBRAS e o ensino da língua portuguesa oral e escrita como primeira língua para todos os alunos da escola.
Errada, porque coloca a língua portuguesa oral e escrita como primeira língua para todos e ainda pressupõe que os conteúdos devam ser ensinados em LIBRAS, sem organizar a base bilíngue adequada.
Gabarito: B
A inclusão do aluno surdo, na perspectiva da educação inclusiva, não é simplesmente colocar um intérprete na sala e esperar o milagre acontecer. A escola precisa organizar um ambiente bilíngue, em que a LIBRAS funcione como primeira língua do aluno surdo e a língua portuguesa escrita seja ensinada como segunda língua. Isso está alinhado com o Decreto 5.626/2005, que regulamenta a Lei 10.436/2002, e com a LBI (Lei 13.146/2015), que reforça o direito à educação bilíngue e ao atendimento adequado. Além disso, a presença do tradutor/intérprete de LIBRAS e língua portuguesa é importante para garantir acesso às interações e aos conteúdos, mas ele não substitui o ensino. Ou seja: não basta traduzir; é preciso ensinar em uma proposta pedagógica pensada para a pessoa surda. A alternativa B está correta porque reúne exatamente esses elementos: uso e ensino da LIBRAS como primeira língua, ensino da língua portuguesa escrita como segunda língua, serviços de tradutor/intérprete e ensino de LIBRAS para os demais alunos e profissionais da escola. Isso favorece a comunicação, a participação e a aprendizagem de toda a comunidade escolar. As demais alternativas erram ao inverter a lógica bilíngue, tratar a língua portuguesa como primeira língua para todos ou limitar a inclusão apenas à presença de intérprete. Em provas de Libras, fique atento: inclusão de surdos não é assimilação ao modelo ouvinte, é respeito à especificidade linguística.