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Legislação da Defensoria Pública · FGV · 2023

Questão comentada de Legislação da Defensoria Pública

Em determinada relação processual de natureza cível, o defensor público que atuava em prol do seu assistido exarou pronunciamento que, ao ver deste último, não era o mais adequado. Embora não tivesse formação jurídica, o assistido chegou a essa conclusão após realizar buscas na internet, o que o levou a concluir que a estratégia deveria ser outra. Por tal razão, solicitou ao juiz de direito que determinasse ao defensor público a alteração da estratégia adotada nos autos. O juiz de direito, corretamente:

Gabarito: D

Na Defensoria Pública, o assistido tem direito a informação, atendimento digno e a ser ouvido, mas isso não significa que ele possa mandar na estratégia técnica do processo. O defensor público atua com independência funcional e liberdade técnica para analisar os fatos, escolher a linha jurídica e adotar a medida que entender mais adequada dentro da lei e da ética profissional. Em outras palavras: o assistido participa, opina, conta sua versão, mas a condução jurídica não vira votação de grupo no grupo da família. Esse é o ponto central da questão. O pedido do assistido para que o juiz determinasse a mudança de estratégia não poderia ser acolhido, porque o Poder Judiciário não substitui o juízo técnico do defensor público nem impõe uma atuação processual específica à defesa. A orientação jurídica e a definição da tese pertencem à atuação profissional do defensor, que deve buscar a melhor tutela possível, sem submissão a vontade leiga do assistido. No plano normativo, a ideia decorre da autonomia funcional da Defensoria Pública e da atuação técnica do defensor, em harmonia com a Lei Complementar nº 80/1994 e com a Lei Complementar estadual da Defensoria do Rio Grande do Sul. Também se relaciona ao Estatuto da Advocacia, que consagra a inviolabilidade e a independência técnica da atuação profissional. A jurisprudência, de modo geral, reconhece que a parte assistida pode discordar, mas não pode impor ao defensor a estratégia processual. Por isso o gabarito é a letra D: o juiz corretamente informa que o requerimento não pode ser acolhido, pois cabe ao defensor público analisar os fatos e fazer o devido enquadramento jurídico, com liberdade técnica. O assistido pode pedir esclarecimentos, trocar de defensor em hipóteses cabíveis ou levar sua insatisfação às vias institucionais, mas não pode transformar o processo em uma assembleia deliberativa.

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