Uma das teorias que embasam os conceitos éticos é a teoria contratualista, cujos precursores foram John Locke (1632- 1704) e Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Parte do pressuposto que o ser humano assume, junto aos seus semelhantes, a obrigação de se comportar de acordo com as regras morais estabelecidas para o convívio social, levando, assim, à perpetuação da sociedade, da paz e da harmonia do grupo social. Por este conceito ético, deve-se aplicar no trabalho a seguinte conduta:
- A)De forma utilitarista, procurar avaliar, diante de um determinado fato, qual conduta deverá ser adotada para gerar um bem maior à sociedade.
Errada, porque traz a lógica utilitarista, centrada no maior bem para o maior número, e não a ideia contratualista de dever social e regras de convivência.
- B)Pelo dever ético, só se deve exigir dos outros colegas de trabalho o que se exige de si mesmo, garantindo, assim, a harmonia do grupo social no trabalho.
Errada, porque fala em dever ético e espelha a reciprocidade moral, mas reduz o contratualismo a uma simples exigência entre colegas, sem captar a base do pacto social e das regras coletivas.
- C)Cabe a cada pessoa decidir sobre o que é ou não é ético com base nas suas próprias convicções, pois o que é correto para um pode não ser para o outro; o respeito à forma de pensar do outro é uma conduta esperada pela organização.
Errada, porque descreve relativismo moral, segundo o qual cada pessoa define o que é ético a partir de suas próprias convicções, o que contraria a ideia de regras comuns para a vida em sociedade.
- D)Por mais que certas circunstâncias considerem que algum proveito pessoal poderia ser obtido, é necessário agir de acordo com a conduta moral estimulada pela organização e equipe de trabalho, zelando, assim, pelo bom convívio social.
Certa, porque expressa a submissão da conduta individual às normas morais do grupo e ao bom convívio social, exatamente a lógica contratualista.
Gabarito: D
A teoria contratualista parte da ideia de que a vida em sociedade depende de um acordo, ainda que implícito, em que as pessoas aceitam regras de convivência para preservar a paz, a harmonia e a própria organização social. Em Ética no Serviço Público, isso aparece como a noção de que o comportamento individual deve levar em conta o interesse coletivo e o bom convívio no grupo. John Locke e Jean-Jacques Rousseau são os grandes nomes associados a essa visão. Para eles, o indivíduo não age isoladamente: ele se vincula a deveres sociais e morais que tornam possível a vida em comunidade. No ambiente de trabalho, isso significa agir com responsabilidade, respeito às normas e preocupação com o efeito da própria conduta sobre a equipe. Por isso, a alternativa D é a correta: ela traduz justamente a ideia de agir conforme a conduta moral estimulada pela organização e pelo grupo, mesmo quando houver vantagem pessoal em sentido contrário. É o típico raciocínio de quem entende que a convivência social e profissional exige freio ético, não só interesse individual. Em concursos, a CONSULPLAN costuma misturar contratualismo com utilitarismo, relativismo e dever moral. Aqui, o foco não é escolher o maior benefício possível nem dizer que cada um decide o que é ético por conta própria, mas sim preservar a ordem e a harmonia coletiva por meio de regras compartilhadas.