A escola moral mais antiga é a de Aristóteles, conhecida como moral das virtudes ou do caráter. Para ele, ao longo da vida individual e da vida coletiva dos povos, desenvolvemos hábitos e costumes que nos definem como seres morais. Luiz Felipe Pondé. Filosofia para corajosos. Ed. Planeta, 13.ª ed., 2018, p. 106. Considerando-se o pensamento de Aristóteles e a passagem precedente, é correto afirmar que
- A)a ética é uma prática desenvolvida a partir de atos.
Certa, porque em Aristóteles a ética se forma na prática repetida dos atos, que cria hábitos e molda o caráter.
- B)os hábitos estão relacionados ao divino.
Errada, porque a ideia central não é relacionar hábitos ao divino, mas à formação humana pelo exercício constante.
- C)a moral é imutável e teórica.
Errada, porque a moral aristotélica não é imutável nem apenas teórica; ela se constrói na vida concreta e na prática.
- D)a virtude é sempre íntima, particular.
Errada, porque a virtude, para Aristóteles, não fica só no plano íntimo: ela se expressa na convivência social e política.
Gabarito: A
Para Aristóteles, a ética não nasce pronta nem vem do céu: ela é construída na prática, no treino cotidiano do caráter. Em outras palavras, a pessoa se torna moral pelo que faz repetidamente. É aquela ideia clássica de que a gente vira virtuoso como quem aprende um hábito - fazendo muitas vezes até virar parte de quem é. Na visão aristotélica, virtude não é teoria bonita guardada na estante. Ela aparece na ação, no equilíbrio entre excessos e faltas, e na formação de bons hábitos (hexis). Por isso, a conduta ao longo da vida individual e social molda o sujeito moral. O texto da questão conversa exatamente com isso: hábitos e costumes definem quem somos eticamente. Assim, a alternativa A está correta porque, em Aristóteles, a ética se desenvolve a partir dos atos praticados reiteradamente, que formam o caráter. A moral, nesse sentido, é vivida na experiência concreta, não apenas pensada. Em linguagem de prova: prática constante gera hábito; hábito consolida virtude. As demais alternativas escorregam feio. Aristóteles não trata os hábitos como algo ligado ao divino, nem reduz a moral a algo imutável e puramente teórico. E virtude também não é algo só íntimo e particular: ela tem dimensão social e política, porque o ser humano vive na pólis. Essa base é bem aristotélica e costuma aparecer em provas como CESPE/CEBRASPE.