Assinale a opção que apresenta a doutrina ética segundo a qual as pessoas devem ser respeitadas pela mera condição humana, como um fim em si mesmas, independentemente dos benefícios e da maximização da felicidade para a maioria das outras pessoas.
- A)utilitarismo
Errada, porque o utilitarismo avalia a moral pela maximização do bem-estar geral, e não pelo respeito incondicional à pessoa como fim em si mesma.
- B)moral do caráter
Errada, porque a moral do caráter se preocupa com virtudes e formação do agente, não com a ideia kantiana de dignidade humana como núcleo da regra moral.
- C)hedonismo
Errada, porque o hedonismo liga a conduta à busca do prazer e à fuga da dor, o que não corresponde ao enunciado.
- D)consequencialismo
Errada, porque o consequencialismo julga a ação pelos resultados produzidos, e a questão rejeita justamente essa lógica de mera utilidade.
- E)moral baseada em imperativos categóricos
Certa, porque a ética kantiana manda tratar cada pessoa como fim em si mesma, com base no imperativo categórico e no respeito à dignidade humana.
Gabarito: E
A questão está cobrando uma ideia clássica da ética: tratar o ser humano como valor em si, e não como simples meio para atingir um resultado. Em linguagem simples, não basta fazer "o que dá mais felicidade para mais gente" se, para isso, você passar por cima da dignidade de alguém. Esse é o ponto central da ética deontológica, muito associada a Kant. Para Kant, a moral não depende só das consequências da ação. O que importa é o princípio que guia o comportamento. Por isso ele formulou o chamado imperativo categórico, que exige agir de modo que a regra da sua conduta possa valer como lei universal. Em outra formulação famosa, a pessoa deve ser tratada sempre como fim em si mesma, nunca apenas como meio. É exatamente por isso que o gabarito é a alternativa E. A doutrina dos imperativos categóricos protege a dignidade humana de forma absoluta, independentemente de utilidade, prazer ou soma de resultados. Então, se a lógica da questão fala em respeito pela mera condição humana, ela está descrevendo Kant sem disfarce. Já as teorias que olham para consequências, como utilitarismo e consequencialismo, seguem caminho diferente: o foco é o saldo final de benefícios e danos. Aqui, porém, a banca quer a visão em que a pessoa não vira peça de cálculo, porque a ética não pode transformar gente em instrumento.