← Questões de Direito do Trabalho

Direito do Trabalho · FGV · 2023

Questão comentada de Direito do Trabalho

Determinada empresa, que contava com vinte empregados lotados em cargos distintos, desenvolvia há muitos anos certa atividade de exploração de dado tipo de minério, que veio a ser considerada ilícita por hipotética lei federal. Em decorrência da nova lei, a empresa despediu os trabalhadores e determinou que procurassem seus direitos junto ao poder público. Considerando a situação exposta e o que expressamente dispõe a Consolidação das Leis do Trabalho quanto ao exame da responsabilidade pelas indenizações acaso devidas pelas terminações contratuais:

Gabarito: B

Quando a atividade da empresa é atingida por ato do Poder Público, a CLT trata a situação no art. 486, o famoso fato do príncipe. A ideia é simples: se o encerramento do negócio ocorre por ato de autoridade pública, os ônus da rescisão podem ser transferidos ao ente público responsável, desde que o ato tenha sido a causa da paralisação da atividade. Aqui, a lei nova tornou ilícita a exploração do minério, então a empresa não fechou por vontade própria, mas porque a atividade passou a ser proibida. O ponto mais importante é que a CLT não limita essa responsabilidade apenas a ato administrativo. O art. 486 fala em ato de autoridade municipal, estadual ou federal, ou mesmo em lei ou resolução. Então, se uma lei federal impede a continuidade da atividade e leva à extinção dos contratos, a hipótese entra sim no campo do fato do príncipe. Por isso, o gabarito é a letra B: a lei que inviabiliza a atividade pode gerar responsabilidade da pessoa de direito público pela indenização decorrente da extinção dos contratos afetados. Em outras palavras, o empregado não fica sem proteção só porque a empresa foi obrigada a encerrar a atividade por ordem estatal. Cuidado para não confundir com força maior, que é outra figura do direito do trabalho e não se aplica automaticamente só porque houve fechamento inesperado. No fato do príncipe, o foco está no ato do Poder Público que provoca a paralisação; a lógica é repartir o prejuízo com quem causou a interrupção.

Continue treinando

Questões relacionadas