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Direito do Trabalho · FGV · 2016

Questão comentada de Direito do Trabalho

Lúcia trabalha na sede de uma estatal brasileira que fica em Brasília. Seu contrato vigora há 12 anos e, em razão de sua capacidade e experiência, Lúcia foi designada para trabalhar na nova filial do empregador que está sendo instalada na cidade do México, o que foi imediatamente aceito. Em relação à situação retratada e ao FGTS, à luz do entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Quando o empregado brasileiro é deslocado para trabalhar no exterior, a ideia não é "desligar" os direitos trabalhistas como se a mala tivesse apagado o contrato. Pelo contrário: a Lei 7.064/1982, que trata da situação do empregado transferido para o exterior, preserva a proteção trabalhista e previdenciária, e o entendimento do TST acompanha essa lógica de continuidade. No caso da Lúcia, houve transferência aceita para a filial no México, mas o vínculo com o empregador brasileiro continua existindo. Por isso, o FGTS não desaparece só porque o trabalho passa a ser prestado fora do Brasil. A empresa deve manter os depósitos na conta vinculada da trabalhadora no Brasil, exatamente como ocorre no regime normal do FGTS. A banca gosta de testar esse ponto com uma pegadinha internacional: o fato de o país de destino não ter FGTS não elimina o direito do empregado brasileiro, porque a disciplina aplicável é a da relação de emprego mantida com empregador brasileiro, e não a lei local estrangeira como regra automática. Em resumo: mudou o endereço do trabalho, mas não some o pacote protetivo do contrato. Então, o gabarito A está correto porque, à luz da orientação consolidada do TST e da lógica da Lei 7.064/1982, Lúcia continua fazendo jus aos depósitos de FGTS durante a prestação de serviços no México, com recolhimento na sua conta vinculada no Brasil.

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