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Direito do Trabalho · FGV · 2011

Questão comentada de Direito do Trabalho

João da Silva, empregado da empresa Alfa Ltda., exerce suas atribuições funcionais em dois turnos de trabalho alternados de oito horas cada, que compreendem o horário diurno e o noturno. Considerando que a atividade de seu empregador não se desenvolve de forma ininterrupta e que não existe norma coletiva disciplinando a jornada de trabalho, assinale a alternativa correta.

Gabarito: D

A situação descreve um empregado que trabalha em turnos alternados de 8 horas, com alternância entre período diurno e noturno. Isso é o típico cenário de turnos ininterruptos de revezamento, tema do art. 7º, XIV, da Constituição e da Súmula 423 do TST. A regra geral é jornada de 6 horas, salvo negociação coletiva ampliando esse limite. Como o enunciado diz que não existe norma coletiva, a jornada de 8 horas ultrapassa o limite constitucional, gerando direito a horas extras além da 6ª hora. E o detalhe que costuma derrubar muita gente: a redução ficta da hora noturna continua existindo quando o trabalho ocorre no período noturno urbano. Não é porque o empregado está em revezamento que a hora noturna deixa de ser de 52 minutos e 30 segundos, nem que o adicional noturno some. A CLT, no art. 73, mantém essa proteção para o trabalho noturno. Então a resposta correta é a letra D: João tem direito ao pagamento de horas extras, porque sua jornada de 8 horas excede o limite de 6 horas sem norma coletiva, e também tem direito à redução da hora noturna, pois o labor noturno urbano continua submetido às regras do art. 73 da CLT. Em resumo: revezamento de turno não significa jornada livre para 8 horas sem consequências. Sem negociação coletiva, vale a proteção constitucional da jornada reduzida, e, quando houver trabalho noturno, aplica-se também a hora noturna reduzida.

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