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Direito Agrário · FCC · 2023

Questão comentada de Direito Agrário

A Lei nº 601, de 18 de setembro 1850 (Lei de Terras), constitui um importante marco jurídico no processo de absolutização do direito de propriedade, de mercantilização da terra, de consolidação do latifúndio e de institucionalização do racismo no Brasil. É INCORRETO afirmar que a Lei de Terras

Gabarito: C

A Lei de Terras de 1850 foi um divisor de águas porque trocou a lógica do acesso livre pela posse e pela ocupação para um modelo em que a terra pública passou a ser, em regra, adquirida por compra. Na prática, ela ajudou a transformar a terra em mercadoria e a fechar ainda mais o caminho para quem não tinha dinheiro, especialmente ex-escravizados e pequenos posseiros. Ela também tratou da regularização das antigas sesmarias e das posses já existentes. O texto exigia comprovação de cultura e morada habitual em certos casos, além de criar preferência para quem já ocupava áreas contíguas, desde que pudesse provar meios de aproveitamento. Isso favorecia justamente quem já estava melhor estruturado economicamente. Um ponto clássico cobrado em prova é que a Lei de Terras não veio sozinha: ela dialoga com o fim do tráfico negreiro no mesmo ano, o que mostra o esforço estatal de reorganizar a mão de obra e a ocupação territorial. A doutrina costuma apontar que o efeito histórico foi a consolidação do latifúndio e a exclusão racial e social no acesso à terra. Por isso, o gabarito é a letra C: a lei não instituiu imposto territorial rural para financiar imigração europeia, nem criou subsídios dessa forma. O que ela fez foi estruturar o acesso à terra por compra, regularização e restrições, e não por um tributo com essa finalidade.

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