← Questões de Código de Ética da OAB

Código de Ética da OAB · FGV · 2013

Questão comentada de Código de Ética da OAB

Fernanda, advogada regularmente inscrita nos quadros da OAB, atua, individualmente, sem sócios, em seu escritório situado no centro da cidade “Z”, onde recebe os seus clientes para atividades de assessoria e consultoria, atuando também no contencioso cível, administrativo e trabalhista. Em visita de cortesia, recebe sua prima Giselda que, estudando Economia, tem acesso a várias pessoas de prestigio social, econômico e financeiro, em razão da sua atividade como assessora da diretoria de associação empresarial. Por força desses vínculos, sua prima começa a indicar clientes para a advogada, que amplia o seu escritório e passa a realizar parcerias com outros colegas, diante do aumento das causas a defender. Não existe qualquer acordo financeiro entre a advogada e a economista. Com base na situação descrita, nos termos do Estatuto da Advocacia, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A questão mistura publicidade profissional com captação de clientela, que é um tema clássico da OAB. A regra do Estatuto e do Código de Ética não proíbe que o advogado mantenha relações sociais, familiares ou profissionais com terceiros, nem impede que clientes o procurem por indicação espontânea de alguém de confiança. O que é vedado é mercantilizar a advocacia, fazer captação indevida ou usar meios imoderados para atrair clientela, como se o escritório fosse uma loja em promoção. No caso, Giselda apenas indica pessoas para Fernanda, por força de seus vínculos sociais e profissionais, sem qualquer acordo financeiro entre elas. Isso, por si só, não configura infração disciplinar. Não há venda de indicação, nem parceria remunerada para captação, nem anúncio irregular. A advocacia continua sendo exercida de forma lícita, desde que a atuação da advogada respeite os limites éticos. Por isso, o gabarito é a letra B: o relacionamento social com parentes ou não, por si só, é atividade corriqueira e não infracional. O Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994, especialmente os arts. 34 e 39, e as regras de publicidade do Código de Ética) combate a captação indevida, mas não transforma convívio social em falta ética. Em prova, desconfie de alternativas que tentam criminalizar ou disciplinar toda e qualquer indicação. Na advocacia, indicação espontânea é uma coisa; captação indevida, outra bem diferente.

Continue treinando

Questões relacionadas