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Administração Financeira e Orçamentária (AFO) · FGV · 2022

Questão comentada de Administração Financeira e Orçamentária (AFO)

O prefeito de um município, ao enviar uma proposta orçamentária ao Poder Legislativo Municipal que não contemple as estimativas de receitas, tratando apenas da fixação das despesas, comete uma evidente violação ao princípio

Gabarito: E

No orçamento público, a regra é simples: a peça orçamentária deve trazer tudo o que interessa para a visão completa das finanças do ente, e não apenas um pedaço da história. Por isso existe o princípio da universalidade: o orçamento deve conter todas as receitas e todas as despesas, de modo que o Legislativo e a sociedade enxerguem o quadro inteiro, sem “surpresas” escondidas em anexos ou fora da lei orçamentária. Na prática, se o prefeito envia uma proposta orçamentária tratando só das despesas e deixa de fora as estimativas de receita, ele rompe exatamente essa lógica de completude. Sem receita, o orçamento fica capenga: parece uma conta de restaurante com só a lista dos pedidos, mas sem a parte de quem vai pagar. A ideia do princípio é justamente evitar esse tipo de seleção incompleta. A base legal está no art. 165, §5º, da Constituição Federal, que determina que a lei orçamentária anual compreenderá o orçamento fiscal, o de investimento das estatais e o da seguridade social, além de prever a discriminação da receita e da despesa. A doutrina resume isso dizendo que o orçamento deve abranger todas as receitas e despesas do ente, em linguagem clara e consolidada. Por isso o gabarito é a letra E. Se faltam as estimativas de receita e só aparecem as despesas, houve violação direta ao princípio da universalidade, porque o orçamento deixou de ser universal no conteúdo e passou a ser parcial.

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