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Administração Financeira e Orçamentária (AFO) · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Administração Financeira e Orçamentária (AFO)

A respeito de condicionantes dos gastos públicos, assinale a afirmativa INCORRETA.

Gabarito: B

No orçamento público, nem todo gasto tem o mesmo grau de liberdade. As despesas obrigatórias nascem de lei, contrato, Constituição ou outra imposição normativa, então o gestor não pode simplesmente escolher se paga ou não paga, e isso reduz muito a margem de manobra. Já as despesas discricionárias são aquelas em que existe alguma liberdade de alocação, como investimento e custeio não obrigatório. Outro ponto importante é a vinculação de receitas: a lei ou a Constituição podem “carimbar” uma receita para uma finalidade específica, como ocorre em vários fundos e nas receitas vinculadas à educação e à saúde. Isso cria rigidez orçamentária porque parte do dinheiro já chega com destino certo, limitando escolhas do administrador. A ideia de vinculação não é proibida por si só, mas ela restringe o uso alternativo da receita. Agora vem o pulo do gato da questão: a afirmativa B exagera ao dizer que a rigidez derivada da vinculação de receitas impossibilita qualquer mecanismo de flexibilização. Isso está errado, porque o sistema orçamentário brasileiro admite mecanismos de ajuste e gestão, ainda que limitados, como remanejamentos autorizados, créditos adicionais e outras técnicas de reprogramação. Ou seja, a vinculação engessa, mas não transforma o orçamento em pedra. A LRF também ajuda a entender o tema ao tratar da limitação de empenho e da disciplina fiscal, especialmente para despesas discricionárias. Já as despesas obrigatórias, em regra, não ficam submetidas ao mesmo tipo de corte linear na frustração de receita, o que reforça a rigidez do gasto público e explica por que elas são apontadas pela doutrina como uma das principais causas da baixa liberdade alocativa do Estado.

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