Lógica de Argumentação
Inferências, Deduções
Silogismos
Aprenda a separar argumento válido de inválido, dominar modus ponens e modus tollens, identificar silogismos categóricos e flagrar falácias formais. A mecânica do raciocínio dedutivo, do início ao fim.
Sumário
Nove módulos sobre como avaliar argumentos. Continuação direta da aula 01: agora os conectivos viram premissas, e as premissas montam argumentos. Difficulty 2: o nível certo para construir base sólida.
- p. 04Argumento: estrutura geralPremissas, conclusão, indicadores linguísticos
- p. 06Validade × verdadeArgumento válido, sólido, falacioso
- p. 09Modus ponens e modus tollensAs duas regras de inferência mais cobradas
- p. 12Outras regras de inferênciaSilogismo hipotético, disjuntivo, dilema construtivo
- p. 15Silogismo categórico (Aristóteles)Termo médio, premissa maior, premissa menor
- p. 18Diagramas de Venn em silogismosVisualizar conjuntos para validar argumentos
- p. 21Falácias formaisAfirmação do consequente, negação do antecedente
- p. 23Métodos de validaçãoTabela-verdade, prova condicional, redução ao absurdo
- p. 25Como cai em provaPadrões CESPE, FCC, FGV, VUNESP
- p. 27Mapa mental e revisãoA aula inteira em duas páginas
- p. 2910 questões comentadasPadrão das grandes bancas, comentadas pelo Affonsinho
O que você vai aprender
Identificar premissas (afirmações de partida) e conclusão (o que se quer demonstrar). Reconhecer indicadores linguísticos: "logo", "portanto", "assim", "porque", "pois".
Argumento válido = a conclusão segue logicamente das premissas. Premissas verdadeiras = correspondem aos fatos. Argumento sólido = válido + premissas verdadeiras.
Se p → q e p, conclui-se q. A regra de inferência mais usada na lógica clássica. "Afirmação do antecedente."
Se p → q e ¬q, conclui-se ¬p. A segunda regra-chave. "Negação do consequente." Permite raciocinar pela contrapositiva.
Silogismo categórico: três termos (maior, menor, médio), duas premissas, uma conclusão. Modelo de Aristóteles, base da lógica clássica.
Afirmação do consequente: de p → q e q, NÃO se conclui p. Negação do antecedente: de p → q e ¬p, NÃO se conclui ¬q. Erros muito cobrados em prova.
O Fuffu prepara o terreno
Argumentação parece intuitiva, mas a lógica formal é rígida. Um argumento pode ter premissas verdadeiras e conclusão verdadeira, e ainda assim ser inválido (a conclusão não decorre das premissas, é coincidência). Domine a forma e a verdade vem como consequência.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 01
1 Argumento: estrutura geral
O que é argumento
Argumento é um conjunto de proposições no qual algumas (as premissas) são apresentadas como apoio para uma outra (a conclusão). Em forma esquemática:
Premissa 2: P₂
...
Premissa n: Pₙ
∴ Conclusão: C
O símbolo ∴ significa "logo" ou "portanto". Marca a passagem das premissas para a conclusão.
Exemplo elementar
Argumento informal:
- "Se chover, levarei guarda-chuva. Está chovendo. Logo, levarei guarda-chuva."
Forma simbólica:
- P₁: p → q
- P₂: p
- ∴ C: q
Esse é o famoso modus ponens (veremos no Módulo 03).
Indicadores de premissa
Em texto, premissas são frequentemente introduzidas por:
- "porque", "pois", "uma vez que", "dado que", "visto que", "já que", "como", "considerando que".
Indicadores de conclusão
A conclusão é introduzida por:
- "logo", "portanto", "assim", "consequentemente", "por isso", "segue-se que", "concluo que", "deduzo que", "infere-se que".
Dica do Fuffu
Em prova, identificar premissas e conclusão é o primeiro passo. Antes de tentar avaliar a validade, separe quem está apoiando (premissas) e o que está sendo apoiado (conclusão). Os indicadores linguísticos são as melhores pistas.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 01
Raciocínio dedutivo
No raciocínio dedutivo, se as premissas são verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira. Vai do geral ao particular, ou de premissas formais a uma conclusão necessária.
Exemplo: "Todo ser humano é mortal. Sócrates é ser humano. Logo, Sócrates é mortal." A conclusão é inevitável.
A lógica clássica trabalha com argumentos dedutivos. As provas de RLM em concurso público também.
Raciocínio indutivo
No raciocínio indutivo, as premissas dão APOIO probabilístico à conclusão, mas não garantem certeza. Vai do particular ao geral, ou de observações específicas a uma generalização.
Exemplo: "O sol nasceu hoje. Nasceu ontem. Nasceu anteontem. Nasceu nos últimos dez mil anos. Logo, o sol nascerá amanhã." A conclusão é altamente provável, mas não logicamente garantida.
Raciocínio abdutivo
Pouco cobrado em prova, mas vale conhecer. É o raciocínio do detetive: dado um efeito, escolhe-se a melhor hipótese explicativa.
Exemplo: "A grama está molhada. Provavelmente choveu." Há outras explicações possíveis (sprinkler, alguém regou), mas a chuva é a hipótese mais simples.
Foco da disciplina
Em concurso público, RLM cobra principalmente raciocínio DEDUTIVO. Você precisa avaliar se a conclusão decorre necessariamente das premissas. Aritmética da lógica, não filosofia.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Aristóteles formalizou o raciocínio dedutivo no século IV a.C., e desde então é a base da lógica clássica. O século XIX adicionou a lógica simbólica (Boole, Frege, Russell), mas a estrutura fundamental do silogismo se mantém. O que você aprende hoje em RLM é a versão moderna de algo com 2.400 anos.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 02
2 Validade × verdade
Esse é o ponto mais sutil da lógica de argumentação, e o mais cobrado em prova. Validade e verdade são propriedades DIFERENTES.
Validade
Um argumento é VÁLIDO quando a conclusão decorre LOGICAMENTE das premissas. Ou seja, é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa, ao mesmo tempo. A validade é propriedade da FORMA do argumento, independente de o conteúdo ser real ou fictício.
Verdade
Uma proposição é VERDADEIRA quando corresponde aos fatos. É propriedade do CONTEÚDO da proposição, independente de fazer parte ou não de um argumento.
Quatro combinações possíveis
| Validade | Premissas | Conclusão | Diagnóstico |
|---|---|---|---|
| Válido | Verdadeiras | Necessariamente verdadeira | Argumento sólido |
| Válido | Pelo menos uma falsa | Pode ser V ou F | Válido mas não sólido |
| Inválido | Verdadeiras | Pode ser V ou F | Argumento falacioso |
| Inválido | Pelo menos uma falsa | Pode ser V ou F | Falacioso |
Argumento sólido
Argumento SÓLIDO é o que reúne validade lógica + premissas verdadeiras. É o ideal: a conclusão é necessariamente verdadeira.
Coach Jeff, macete
Decora os três níveis: argumento válido testa a forma; verdadeiro testa o conteúdo; sólido reúne os dois. Em prova, a banca às vezes pergunta a validade ignorando se o conteúdo é real (forma de cobrar lógica pura). Sempre confira se está sendo testada validade ou solidez.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 02
Exemplo 1: válido e sólido
P₁: Todo ser humano é mortal. (V)
P₂: Sócrates é ser humano. (V)
∴ C: Sócrates é mortal. (V, necessariamente)
Forma válida + premissas verdadeiras = argumento sólido.
Exemplo 2: válido mas não sólido
P₁: Todo gato é réptil. (F)
P₂: Rex é gato. (V se Rex for gato)
∴ C: Rex é réptil. (F, mas a forma é válida)
A forma é válida (mesmo silogismo do exemplo anterior), mas a P₁ é falsa, então o argumento não é sólido.
Exemplo 3: inválido com premissas e conclusão verdadeiras
P₁: Todos os gatos têm pelos. (V)
P₂: Meu cão tem pelos. (V)
∴ C: Meu cão é gato. (F, mas a banca pode trocar para uma conclusão V)
Variando: ∴ C: Algo com pelos existe. (V, mas não decorre validamente das premissas)
Aqui o erro é "afirmação do consequente": "todo X tem Y; Z tem Y; logo Z é X". Não decorre.
Exemplo 4: inválido e não sólido
P₁: Todo peixe vive em Marte. (F)
P₂: Salmão é peixe. (V)
∴ C: Salmão é mamífero. (F)
A conclusão não decorre, e além disso a P₁ é falsa.
Pegadinha da Dotôra Soffya
O caso mais traiçoeiro é o argumento INVÁLIDO com tudo verdadeiro (Exemplo 3 modificado). O candidato pensa "tudo é verdadeiro, então o argumento é válido". ERRO. Validade é propriedade da FORMA, não do conteúdo. Premissas verdadeiras + conclusão verdadeira não garante validade.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 02
A definição rigorosa
Um argumento é válido se, e somente se, NÃO HÁ valoração das proposições simples que torne TODAS as premissas verdadeiras E a conclusão falsa, simultaneamente.
Formalmente: o argumento P₁, P₂, ..., Pₙ ∴ C é válido se, e somente se, a fórmula (P₁ ∧ P₂ ∧ ... ∧ Pₙ) → C é uma tautologia.
Como verificar via tabela-verdade
- Liste todas as premissas e a conclusão como fórmulas.
- Construa a tabela-verdade com todas as proposições simples envolvidas.
- Calcule cada premissa e a conclusão em cada linha.
- Procure linhas em que TODAS as premissas sejam V e a conclusão F.
- Se existir tal linha, o argumento é INVÁLIDO. Se não existir, é VÁLIDO.
Atalho prático
Em vez de fazer a tabela inteira, suponha que TODAS as premissas sejam V e a conclusão F. Tente atribuir valores às proposições simples que cumpram essa exigência. Se conseguir, é inválido. Se chegar a contradição, é válido.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
O conceito de validade é uma das grandes invenções da filosofia ocidental. Aristóteles foi o primeiro a perceber que existem padrões formais de raciocínio que SEMPRE preservam a verdade, independentemente do conteúdo. Modus ponens, modus tollens, silogismo categórico: tudo isso são "moldes" que funcionam para qualquer matéria.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 03
3 Modus ponens e modus tollens
Modus ponens (afirmação do antecedente)
P₂: p
∴ C: q
Em palavras: "se p implica q, e p é verdadeiro, então q é verdadeiro". É a regra de inferência mais usada no raciocínio cotidiano e em matemática.
Exemplo clássico
P₁: Se hoje é segunda, então tem aula.
P₂: Hoje é segunda.
∴ C: Tem aula.
Por que modus ponens é válido?
Pela tabela-verdade do condicional, p → q é V em três casos. Quando p também é V, o único caso em que p → q é V e p é V é quando q também é V. Logo, q decorre necessariamente.
| p | q | p → q | p | q (conclusão) |
|---|---|---|---|---|
| V | V | V | V | V |
| V | F | F | V | · |
| F | V | V | F | · |
| F | F | V | F | · |
Só a primeira linha tem ambas as premissas V. Nessa linha, q também é V. Logo, modus ponens nunca falha.
Dica do Fuffu
Modus ponens é a operação mais natural do raciocínio humano. Você usa o tempo todo, sem pensar. "Se chove, o chão molha. Está chovendo. Então o chão está molhado." Pronto, modus ponens. A formalização só nomeia o que você já fazia intuitivamente.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 03
Modus tollens (negação do consequente)
P₂: ¬q
∴ C: ¬p
Em palavras: "se p implica q, e q é falso, então p é falso". É a forma de raciocinar pela contrapositiva.
Exemplo
P₁: Se chover, o chão fica molhado.
P₂: O chão NÃO está molhado.
∴ C: NÃO está chovendo.
Por que modus tollens é válido?
O condicional p → q equivale a ¬q → ¬p (contrapositiva). Aplicar modus ponens em ¬q → ¬p, dado ¬q, dá ¬p. Logo, modus tollens é apenas modus ponens disfarçado, aplicado à contrapositiva.
Exemplo prático em concurso
P₁: Se ganho na loteria, faço uma viagem.
P₂: Não fiz uma viagem.
∴ C: Não ganhei na loteria.
Argumento válido. Da impossibilidade do consequente, deduzimos a impossibilidade do antecedente.
Não confunda com falácia
Cuidado: modus tollens NEGA o CONSEQUENTE para concluir a NEGAÇÃO do ANTECEDENTE. Trocar a ordem dá uma falácia (negação do antecedente, vista no Módulo 07):
- Modus tollens VÁLIDO: p → q, ¬q ∴ ¬p.
- Negação do antecedente FALÁCIA: p → q, ¬p ∴ ¬q. (NÃO É VÁLIDO)
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Modus tollens é o método científico em essência. O cientista propõe uma teoria (se a teoria é correta, então o experimento dá tal resultado). Faz o experimento. Se o resultado NÃO confirma, conclui que a teoria está errada. Karl Popper formalizou isso como falsificacionismo, mas a estrutura é modus tollens puro.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 03
Tabela síntese
| Nome | Premissa 1 | Premissa 2 | Conclusão |
|---|---|---|---|
| Modus ponens | p → q | p | q |
| Modus tollens | p → q | ¬q | ¬p |
Mnemônico
Modus ponens: do latim "modo que afirma", afirma o antecedente para concluir o consequente.
Modus tollens: do latim "modo que nega", nega o consequente para concluir a negação do antecedente.
As duas formas erradas correlatas
São as falácias formais clássicas, exploradas em prova:
| Nome | Premissa 1 | Premissa 2 | Conclusão (errada) |
|---|---|---|---|
| Afirmação do consequente | p → q | q | p (FALÁCIA) |
| Negação do antecedente | p → q | ¬p | ¬q (FALÁCIA) |
Memorize: AFIRMAR o consequente ou NEGAR o antecedente NÃO autoriza conclusão. Apenas afirmar o antecedente (modus ponens) ou negar o consequente (modus tollens) são válidos.
Coach Jeff, macete
Mnemônico fácil: o que vale é manter o sentido da seta. Em p → q, a seta vai de p para q. Modus ponens: você dá p, ganha q (no sentido da seta). Modus tollens: você nega q, ganha ¬p (volta no sentido da seta, invertendo). Trocar o sentido = falácia.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 04
4 Outras regras de inferência
Silogismo hipotético (transitividade do condicional)
P₂: q → r
∴ C: p → r
Se p implica q, e q implica r, então p implica r. É a transitividade do condicional, análoga à transitividade da igualdade.
Exemplo: "Se faz sol, vou ao parque. Se vou ao parque, levo a câmera. Logo, se faz sol, levo a câmera."
Silogismo disjuntivo
P₂: ¬p
∴ C: q
Se ou p ou q (pelo menos um), e p é falso, então q é verdadeiro. Eliminação por exclusão.
Exemplo: "Vou ao cinema OU vou ao teatro. Não fui ao cinema. Logo, fui ao teatro."
Conjunção
P₂: q
∴ C: p ∧ q
De duas premissas verdadeiras separadas, deduz-se a conjunção delas.
Simplificação
∴ C: p (ou q)
De uma conjunção, deduz-se cada um dos seus componentes.
O Raffinha sintetiza
Quatro regras complementares para guardar: silogismo hipotético (transitividade), silogismo disjuntivo (exclusão), conjunção (junta) e simplificação (separa). Junto com modus ponens e modus tollens, são SEIS regras que cobrem 95% das inferências cobradas em prova.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 04
Dilema construtivo
P₂: p ∨ r
∴ C: q ∨ s
Dadas duas implicações, e a disjunção dos antecedentes, deduz-se a disjunção dos consequentes.
Exemplo: "Se chover, fico em casa. Se fizer sol, vou à praia. Vai chover OU fazer sol. Logo, ou fico em casa OU vou à praia."
Dilema destrutivo
P₂: ¬q ∨ ¬s
∴ C: ¬p ∨ ¬r
Análogo ao dilema construtivo, mas usando modus tollens em cada implicação.
Adição
∴ C: p ∨ q
De uma proposição verdadeira, deduz-se qualquer disjunção dela com outra. Esse é o golpe doutrinário menos cobrado, mas vale conhecer: se p é V, então p ∨ q é V (qualquer que seja q).
Quadro resumo das nove regras
| Regra | Forma |
|---|---|
| Modus ponens | p → q, p ∴ q |
| Modus tollens | p → q, ¬q ∴ ¬p |
| Silogismo hipotético | p → q, q → r ∴ p → r |
| Silogismo disjuntivo | p ∨ q, ¬p ∴ q |
| Conjunção | p, q ∴ p ∧ q |
| Simplificação | p ∧ q ∴ p |
| Adição | p ∴ p ∨ q |
| Dilema construtivo | (p→q) ∧ (r→s), p ∨ r ∴ q ∨ s |
| Dilema destrutivo | (p→q) ∧ (r→s), ¬q ∨ ¬s ∴ ¬p ∨ ¬r |
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Essas nove regras formam o que se chama "dedução natural" na lógica clássica. Foram sistematizadas por Gerhard Gentzen na década de 1930 e são a base de praticamente todo curso de lógica formal moderno.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 04
Argumentos de mais de duas premissas
Em prova, é comum aparecer argumento com 3, 4 ou 5 premissas, e você precisa encadear regras para chegar à conclusão.
Exemplo
Premissas:
- p → q
- q → r
- p
Conclusão pretendida: r
Resolução:
- De P₁ e P₃: p → q + p ⊢ q (modus ponens).
- De q + P₂: q → r + q ⊢ r (modus ponens).
Conclusão r derivada. Argumento válido.
Alternativa: aplicar silogismo hipotético direto em P₁ e P₂ (p → q e q → r ⊢ p → r), e depois modus ponens com P₃ (p → r e p ⊢ r).
Estratégia em prova
- Liste as premissas em forma simbólica.
- Identifique o que se quer concluir.
- Procure regras aplicáveis às premissas dadas.
- Anote os passos intermediários.
- Verifique se a conclusão final é exatamente a pedida.
Dica do Fuffu
Em argumentos longos, vale fazer um "diagrama de fluxo" mental: das premissas, qual conclusão intermediária consigo? Dessa intermediária + outra premissa, qual a próxima? Continue até chegar onde quer. Cada passo precisa ser uma das nove regras conhecidas.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 05
5 Silogismo categórico (Aristóteles)
O silogismo categórico é a forma clássica de raciocínio dedutivo, sistematizada por Aristóteles. Tem três proposições (duas premissas + uma conclusão), três termos (maior, menor, médio) e quatro tipos de proposições categóricas.
As quatro proposições categóricas
| Tipo | Símbolo | Forma | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Universal afirmativa | A | Todo S é P | Todo aluno é estudante. |
| Universal negativa | E | Nenhum S é P | Nenhum aluno é mentiroso. |
| Particular afirmativa | I | Algum S é P | Algum aluno é exemplar. |
| Particular negativa | O | Algum S não é P | Algum aluno não é exemplar. |
Mnemônico: as letras A e I vêm da palavra latina affirmo (afirmo); as letras E e O vêm de nego.
Estrutura do silogismo
Exemplo clássico:
- P₁ (premissa maior): Todo ser humano é mortal. (M-P)
- P₂ (premissa menor): Sócrates é ser humano. (S-M)
- ∴ C: Sócrates é mortal. (S-P)
Termos:
- Termo maior (P): predicado da conclusão. "Mortal".
- Termo menor (S): sujeito da conclusão. "Sócrates".
- Termo médio (M): aparece nas duas premissas, mas não na conclusão. "Ser humano".
Dica do Fuffu
O termo médio é o "elo" do silogismo: aparece nas duas premissas e desaparece na conclusão. Sem ele, as premissas não se conectam. Identificar o termo médio é o primeiro passo para checar se um silogismo é válido.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 05
As quatro figuras do silogismo
Conforme a posição do termo médio nas premissas, o silogismo se classifica em quatro figuras:
| Figura | Premissa Maior | Premissa Menor |
|---|---|---|
| 1ª figura | M-P | S-M |
| 2ª figura | P-M | S-M |
| 3ª figura | M-P | M-S |
| 4ª figura | P-M | M-S |
Modos válidos
A combinação das quatro proposições categóricas (A, E, I, O) nas três posições (premissa maior, premissa menor, conclusão) gera 64 possibilidades por figura, totalizando 256 modos. Mas apenas 19 são válidos.
Os modos válidos receberam nomes mnemônicos em latim. Os mais conhecidos:
- Barbara (1ª figura): Todo M é P, Todo S é M, ∴ Todo S é P.
- Celarent (1ª figura): Nenhum M é P, Todo S é M, ∴ Nenhum S é P.
- Darii (1ª figura): Todo M é P, Algum S é M, ∴ Algum S é P.
- Ferio (1ª figura): Nenhum M é P, Algum S é M, ∴ Algum S não é P.
Regras gerais
Para um silogismo ser válido, deve respeitar oito regras (resumidas):
- Três e apenas três termos.
- O termo médio NÃO pode aparecer na conclusão.
- O termo médio deve estar tomado universalmente em pelo menos uma premissa.
- Os termos da conclusão não podem ter mais extensão do que nas premissas.
- De duas premissas negativas, nada se conclui.
- De duas premissas afirmativas, a conclusão é afirmativa.
- Se uma premissa é negativa, a conclusão é negativa.
- De duas premissas particulares, nada se conclui.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Em prova de concurso, raramente cobram as oito regras todas. O que cai mesmo é o silogismo Barbara (a forma mais clássica) e algumas variantes elementares. Se você dominar Barbara e os princípios "negativa pede negativa" e "particular pede particular", já cobre 80% das questões.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 05
Padrão A: silogismo Barbara
Forma: Todo M é P. Todo S é M. ∴ Todo S é P.
Exemplo: "Todo policial é servidor público. Todo agente da PF é policial. Logo, todo agente da PF é servidor público." Válido.
Padrão B: silogismo com particular
Forma: Todo M é P. Algum S é M. ∴ Algum S é P.
Exemplo: "Todo brasileiro fala português. Alguns alunos são brasileiros. Logo, alguns alunos falam português." Válido (Darii).
Padrão C: silogismo com negativa
Forma: Nenhum M é P. Todo S é M. ∴ Nenhum S é P.
Exemplo: "Nenhum gato é réptil. Todo gato persa é gato. Logo, nenhum gato persa é réptil." Válido (Celarent).
Padrão D: violação de regra
Forma: Algum M é P. Algum S é M. ∴ Algum S é P. (NÃO VÁLIDO)
Exemplo: "Algum brasileiro é médico. Alguns alunos são brasileiros. Logo, alguns alunos são médicos." NÃO se segue, porque o termo médio (brasileiro) NÃO foi tomado universalmente em nenhuma premissa.
Esse é o caso da regra 3, frequentemente cobrado em prova.
Cuidado com o Assessor do Juiz
O Assessor do Juiz vai dizer "ah, mas essa conclusão FAZ SENTIDO". Erro clássico: confundir "fazer sentido" com "decorrer logicamente". Em silogismo, o que vale é a forma, não o conteúdo. Termo médio precisa estar tomado universalmente em pelo menos uma premissa, ponto final.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 06
6 Diagramas de Venn em silogismos
Diagramas de Venn são uma ferramenta visual poderosa para validar silogismos categóricos. Dois ou três círculos sobrepostos representam conjuntos; preenchimentos e marcas indicam o que sabemos.
Convenções
- Hachuras (área riscada): a região está VAZIA (nada existe ali).
- X: existe pelo menos um elemento ali.
- Sem marca: não temos informação sobre essa região.
Representação das proposições categóricas
Considerando dois conjuntos S e P:
| Tipo | Proposição | Diagrama |
|---|---|---|
| A | Todo S é P | Hachura tudo de S que está fora de P (S sem P está vazio) |
| E | Nenhum S é P | Hachura S ∩ P (intersecção vazia) |
| I | Algum S é P | X em S ∩ P (existe pelo menos um na intersecção) |
| O | Algum S não é P | X em S sem P (existe pelo menos um em S fora de P) |
Validando silogismo de três conjuntos
Para um silogismo, use três círculos: S, P, M (sujeito, predicado, médio). Marque as duas premissas no diagrama. Verifique se a conclusão JÁ está representada pelo que foi marcado. Se sim, válido; se não, inválido.
Coach Jeff, macete
Diagrama de Venn é mais visual e rápido que aplicar as oito regras decoradas. Em prova, se você consegue desenhar mentalmente três círculos e marcar duas premissas, a validade vira evidente. Treine três casos clássicos (Barbara, Darii, Ferio) e você cobre o essencial.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 06
Exemplo: Barbara em diagrama
Premissas:
- P₁: Todo M é P. (Hachura tudo de M fora de P)
- P₂: Todo S é M. (Hachura tudo de S fora de M)
Conclusão: Todo S é P.
Análise: depois de marcar P₁, a parte de M sem P está vazia. Depois de P₂, a parte de S sem M está vazia. Junte: a parte de S que não está em P só poderia existir se S estivesse em M ou fora dele; em ambos os casos hachurado. Logo, S sem P está vazio. Isso é exatamente "Todo S é P". Válido.
Exemplo: silogismo inválido
Premissas:
- P₁: Todo P é M.
- P₂: Todo S é M.
Conclusão tentada: Todo S é P.
Análise: P₁ hachura P fora de M. P₂ hachura S fora de M. Mas dentro de M há espaço para S sem P, e para P sem S. Não está garantido que S está em P. Logo, conclusão não decorre. Inválido.
Esse erro é a falácia do "termo médio não distribuído" (regra 3). O termo M não foi tomado universalmente em nenhuma premissa (em ambas, é predicado de uma afirmativa).
Quando NÃO usar Venn
Diagramas funcionam bem para silogismos categóricos com termos do tipo "todo, algum, nenhum". NÃO funcionam para argumentos com proposições compostas conectadas por implicações (use tabela-verdade ou regras de inferência nesses casos).
Bate-papo com o Seu Teoffilo
John Venn formalizou os diagramas em 1881, mas a ideia de visualizar conjuntos vem de Leibniz e Euler antes dele. Hoje, diagramas de Venn estão em livros didáticos do mundo inteiro, justamente porque tornam visual o que era abstrato.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 06
Quatro casos típicos resolvidos por Venn
- "Todo X é Y. Todo Y é Z. Logo, todo X é Z." Diagrame: X dentro de Y, Y dentro de Z. Válido.
- "Algum X é Y. Todo Y é Z. Logo, algum X é Z." Diagrame: X em Y; Y em Z; logo, X em Z. Válido.
- "Nenhum X é Y. Todo Z é Y. Logo, nenhum Z é X." Diagrame: X e Y separados; Z em Y; Z separado de X. Válido.
- "Todo X é Y. Algum Y é Z. Logo, algum X é Z." NÃO VÁLIDO. Y é maior que X; o "alguns Y" pode estar fora de X.
Frase-chave: "logo, alguns A são B"
Para concluir "alguns A são B" via silogismo, precisa garantir que existe pelo menos um elemento na intersecção A ∩ B. Isso só vem se uma das premissas afirmar EXISTÊNCIA (proposição I) ou se houver interpretação existencial das universais (que a lógica clássica de Aristóteles assumia, mas a lógica moderna NÃO).
Frase-chave: "logo, nenhum A é B"
Para concluir "nenhum A é B", precisa que A e B NÃO TENHAM intersecção. Diagrame: marque a intersecção A ∩ B como vazia (hachurada).
O Raffinha já decorou
Em prova, faça três círculos no rascunho. Se a banca dá silogismo categórico com até três conjuntos (S, P, M), Venn é o método mais rápido. Se a banca dá um argumento com → e ↔, parta para regras de inferência. Cada técnica para um tipo de problema.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 07
7 Falácias formais
Falácias formais são erros de raciocínio que parecem válidos, mas não são. Em prova, são as armadilhas mais cobradas. As duas clássicas são afirmação do consequente e negação do antecedente.
Afirmação do consequente
P₂: q
∴ p (FALÁCIA)
De "se p então q" e "q", NÃO se conclui p. Há outras razões pelas quais q pode ser verdadeiro.
Exemplo: "Se chover, o chão fica molhado. O chão está molhado. Logo, choveu." Inválido. O chão pode estar molhado por outra razão (alguém regou, vazamento etc.).
Negação do antecedente
P₂: ¬p
∴ ¬q (FALÁCIA)
De "se p então q" e "não p", NÃO se conclui ¬q. Pode ser que q seja verdadeiro por outra razão.
Exemplo: "Se chover, o chão fica molhado. Não choveu. Logo, o chão não está molhado." Inválido. O chão pode estar molhado mesmo sem chuva (alguém regou).
Alerta do Examinador
Memorize: das quatro combinações possíveis (afirma p, nega p, afirma q, nega q), apenas DUAS são válidas (afirmar p = modus ponens; negar q = modus tollens). As outras duas (afirmar q, negar p) são FALÁCIAS. A banca cobra essas falácias com altíssima frequência.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 07
Inversão indevida do bicondicional
Cuidado: "p se e somente se q" é equivalente a (p → q) ∧ (q → p). Se a questão dá apenas p → q (não bicondicional), você NÃO pode inverter para q → p. Esse é o erro de "afirmar a recíproca".
Falácia da disjunção exclusiva mal interpretada
"p ou q" em lógica é INCLUSIVA por padrão. Ou seja, p ∨ q é V se p é V, se q é V, ou se ambos são V. Tratar "p ou q" como exclusivo (XOR) gera erro.
Exemplo: "Vou ao cinema OU ao teatro. Fui ao cinema. Logo, NÃO fui ao teatro." Falácia. A disjunção inclusiva permite que ambos sejam verdadeiros.
Falácia do quantificador trocado
"Todo A é B" não equivale a "todo B é A". Quem reverte sujeito e predicado de uma universal afirmativa comete erro.
Exemplo: "Todo cachorro é mamífero. Logo, todo mamífero é cachorro." Inválido. (O primeiro é V; o segundo é F.)
Falácia do termo ambíguo
Quando uma palavra é usada com sentidos diferentes em premissas diferentes. Mais difícil de detectar, exige atenção semântica.
Exemplo: "Toda chave abre porta. O sol é a chave da vida. Logo, o sol abre porta." Falácia: "chave" foi usada em sentidos diferentes (objeto físico × elemento essencial).
Pegadinha da Dotôra Soffya
A banca explora especialmente a falácia da disjunção exclusiva mal interpretada. Em concurso, "ou" é INCLUSIVO até prova em contrário. Só vire exclusivo quando o enunciado explicitar ("ou um, ou outro, mas não ambos"). Senão, trate como inclusivo.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 08
8 Métodos de validação
Para verificar se um argumento é válido, há três métodos principais:
Método 1: tabela-verdade
Construa a tabela-verdade de (P₁ ∧ P₂ ∧ ... ∧ Pₙ) → C. Se for tautologia, válido. Se houver alguma linha em que a fórmula é F, inválido.
Vantagem: mecânico, sempre funciona. Desvantagem: cresce muito com o número de proposições (2ⁿ linhas).
Método 2: prova condicional (dedução natural)
Aplique as nove regras de inferência sequencialmente, partindo das premissas, até derivar a conclusão. Cada passo precisa estar justificado por uma regra.
Vantagem: rápido, elegante. Desvantagem: exige conhecer todas as regras e saber quando aplicá-las.
Método 3: prova por contradição (redução ao absurdo)
Suponha que TODAS as premissas sejam verdadeiras E a conclusão seja falsa. Tente atribuir valores que satisfaçam essas condições. Se chegar a contradição, o argumento é válido. Se conseguir atribuição consistente, é inválido.
Vantagem: funciona bem com poucas proposições. Desvantagem: exige raciocínio cuidadoso.
Coach Jeff, macete
Em prova com tempo curto, o método 3 (suponha falso) é o mais rápido. Em prova de silogismo categórico, use diagrama de Venn. Em prova de argumento longo com → e ¬, use as regras de inferência. Cada caso tem o método ideal.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 08
Exemplo: argumento de quatro premissas
Premissas:
- p → q
- q → r
- r → s
- p
Conclusão pretendida: s
Resolução por dedução natural
Aplique modus ponens encadeado:
- De P₁ + P₄: p → q + p ⊢ q.
- De P₂ + q: q → r + q ⊢ r.
- De P₃ + r: r → s + r ⊢ s.
Conclusão s derivada. Argumento válido.
Resolução por silogismo hipotético
- De P₁ + P₂: p → q + q → r ⊢ p → r.
- De [p → r] + P₃: p → r + r → s ⊢ p → s.
- De [p → s] + P₄: p → s + p ⊢ s.
Mesmo resultado, três passos. Eficiente.
Resolução por contradição
Suponha que todas as premissas sejam V e a conclusão s seja F.
- P₃ é V e s é F → r tem que ser F (pela tabela-verdade do condicional).
- P₂ é V e r é F → q tem que ser F.
- P₁ é V e q é F → p tem que ser F.
- P₄ é V → p é V.
- Contradição: p é V e p é F.
Não há valoração que satisfaça as condições. Argumento válido.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Treine os três métodos em casa. Em prova você usará intuitivamente o que for mais rápido para cada questão. Quem só sabe um método fica preso quando o problema não cabe nele. Versatilidade é o segredo do candidato que tira nota alta em RLM.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 09
9 Como cai em prova
Padrão CESPE
- Argumento dado, validar: "julgue se o argumento é válido". Use método 3 (suponha falso).
- Conclusão a derivar: dada uma série de premissas, identifique qual conclusão é correta entre alternativas.
- Falácia formal: identificar entre afirmação do consequente e negação do antecedente.
Padrão FCC
- Silogismo categórico: "todo, algum, nenhum". Use diagrama de Venn.
- Encadeamento de premissas: argumento com 3 ou 4 premissas; aplique modus ponens encadeado.
- Reconhecer estrutura: dado um argumento, classificar (válido, falacioso, sólido).
Padrão FGV
- Argumentação em texto: enunciados longos, identificar premissas e conclusão.
- Falácia em discurso natural: detectar erro lógico em fala do dia a dia.
- Tradução simbólica: reescrever argumento em forma lógica.
Padrão VUNESP
- Silogismos clássicos: variantes de Barbara, Darii, Celarent.
- Modus ponens e tollens: enunciados curtos, aplicação direta.
- Diagramas de Venn: comum em provas com proposições categóricas.
O Raffinha resume
Para qualquer banca, três temas são quase certos: modus ponens / modus tollens, silogismo categórico (com Venn), e falácias formais (afirmação do consequente, negação do antecedente). Domine esses três e você acerta 75% das questões de Lógica de Argumentação.
Mapa mental
- Premissas + conclusão
- Indicadores: porque, logo, portanto
- Dedutivo (foco) × indutivo
- Válido: forma garante a conclusão
- Verdadeiro: corresponde aos fatos
- Sólido: válido + premissas V
- p → q, p ∴ q
- Afirma o antecedente
- Regra mais usada
- p → q, ¬q ∴ ¬p
- Nega o consequente
- Raciocínio pela contrapositiva
- Silogismo hipotético: p→q, q→r ∴ p→r
- Silogismo disjuntivo: p∨q, ¬p ∴ q
- Conjunção, simplificação, adição
- Dilema construtivo e destrutivo
- Quatro tipos: A, E, I, O
- Três termos: maior, menor, médio
- Quatro figuras × oito regras
- Barbara, Celarent, Darii, Ferio
- Hachura = vazio
- X = existe
- Três círculos para silogismo
- Afirmação do consequente: p→q, q ∴ p (ERRADO)
- Negação do antecedente: p→q, ¬p ∴ ¬q (ERRADO)
- Quantificador trocado, disjunção exclusiva mal interpretada
Revisão relâmpago
Premissas + conclusão. Indicadores: "porque" introduz premissa; "logo" introduz conclusão.
Validade testa a forma; verdade testa o conteúdo. Sólido = válido + premissas V.
p → q, p ∴ q. Afirma o antecedente para concluir o consequente.
p → q, ¬q ∴ ¬p. Nega o consequente para concluir a negação do antecedente.
p → q, q → r ∴ p → r. Transitividade do condicional.
Termo médio nas duas premissas, desaparece na conclusão. Barbara: todo M é P, todo S é M ∴ todo S é P.
Hachura = vazio; X = existe. Três círculos para silogismo de três termos.
Afirmação do consequente: p→q, q ∴ p (ERRADO). Negação do antecedente: p→q, ¬p ∴ ¬q (ERRADO).
10 questões comentadas
Dez questões no padrão CESPE/FCC/FGV/VUNESP, comentadas pelo Prof. Affonsinho. Cobrem todos os temas: estrutura de argumento, validade, modus ponens, modus tollens, silogismo categórico, falácias formais, diagramas de Venn. Resolva primeiro e depois confira o comentário.
Aviso do Examinador
Pegadinhas mais comuns: confundir validade com verdade (atribuir validade só porque tudo é V), aplicar afirmação do consequente como se fosse válido, trocar quantificadores em silogismo, tratar disjunção como exclusiva sem necessidade, esquecer que "alguns" não permite concluir "todos".
Q1 Questão 01 · Comentada
Enunciado. Considere o seguinte argumento:
P₁: Se Maria estuda, então passa no concurso.
P₂: Maria estuda.
∴ C: Maria passa no concurso.
Esse argumento é classificado como:
A) Modus tollens.
B) Silogismo categórico.
C) Modus ponens.
D) Falácia da afirmação do consequente.
E) Silogismo hipotético.
Gabarito: C
O argumento tem a forma p → q, p ∴ q. Essa é a definição exata de modus ponens. A premissa 1 é o condicional; a premissa 2 afirma o antecedente; a conclusão é o consequente. Estrutura clássica e válida.
Análise das outras alternativas:
A: modus tollens é p → q, ¬q ∴ ¬p. Aqui não há negação.
B: silogismo categórico usa quantificadores (todo, algum, nenhum), não condicionais.
D: afirmação do consequente seria p → q, q ∴ p (afirmar q, concluir p). Aqui afirma-se p e conclui-se q.
E: silogismo hipotético é p → q, q → r ∴ p → r. Aqui só há um condicional.
Comentário do Prof. Affonsinho
Modus ponens em estado puro
Esse é o argumento mais elementar da lógica clássica. Premissa condicional + afirmação do antecedente = conclusão do consequente. Decora a forma e identifica em qualquer disfarce. A banca às vezes apresenta com palavras (não com símbolos), mas a estrutura é a mesma. Sempre traduza mentalmente para p → q, p ∴ q.
Q2 Questão 02 · Comentada
Enunciado. Considere o argumento:
P₁: Se chove, o jogo é cancelado.
P₂: O jogo NÃO foi cancelado.
∴ C: ?
Qual é a conclusão correta, válida pelas regras de inferência?
A) Não choveu.
B) Choveu.
C) O jogo será cancelado depois.
D) Ou choveu, ou o jogo foi cancelado.
E) Nada se pode concluir.
Gabarito: A
Forma do argumento: p → q (chove → jogo cancelado), ¬q (jogo não cancelado), ∴ ¬p (não choveu). Isso é exatamente modus tollens: dado o condicional e a negação do consequente, conclui-se a negação do antecedente.
Alternativas erradas:
B: afirmaria o antecedente, o que não decorre.
C: introduz futuro, não há base nas premissas.
D: disjunção sem fundamento.
E: errada, sim se pode concluir (modus tollens é regra válida).
Comentário do Prof. Affonsinho
Modus tollens, o irmão do modus ponens
Modus tollens funciona pela contrapositiva. O condicional p → q equivale a ¬q → ¬p. Quando você nega o consequente, está aplicando modus ponens à contrapositiva. Em prova, sempre que a banca der um condicional + negação do consequente, conclua a negação do antecedente. Resposta direta.
Q3 Questão 03 · Comentada
Enunciado. Considere o argumento:
P₁: Se Pedro é honesto, ele devolve o dinheiro.
P₂: Pedro devolveu o dinheiro.
∴ C: Pedro é honesto.
Esse argumento é:
A) Válido por modus ponens.
B) Válido por modus tollens.
C) Inválido, falácia da afirmação do consequente.
D) Inválido, falácia da negação do antecedente.
E) Sólido.
Gabarito: C
Forma: p → q, q ∴ p. Isso é a falácia da afirmação do consequente. De "se p então q" e "q", NÃO se pode concluir p. Pedro pode ter devolvido o dinheiro por outras razões (medo, obrigação contratual, alguém forçando), sem ser honesto.
Alternativas erradas:
A: modus ponens seria p → q, p ∴ q (afirmar antecedente, concluir consequente). Aqui é o oposto.
B: modus tollens é p → q, ¬q ∴ ¬p (não há negação aqui).
D: negação do antecedente seria p → q, ¬p ∴ ¬q. Aqui não há negação alguma.
E: para ser sólido, primeiro precisaria ser válido. Não é.
Comentário do Prof. Affonsinho
A falácia mais comum em concurso
Afirmação do consequente é a falácia favorita das bancas. Parece intuitivo, mas não é válido. Lembre: se você tem o condicional p → q e ALGUÉM AFIRMA q, isso só te diz que q é V, não que p é V. Pode haver outras causas para q. Em prova, sempre que a banca dar p → q, q e perguntar a conclusão, marque que NÃO se pode concluir p.
Q4 Questão 04 · Comentada
Enunciado. Considere o silogismo:
P₁: Todo brasileiro é sul-americano.
P₂: Toda paulistana é brasileira.
∴ C: Toda paulistana é sul-americana.
Sobre esse silogismo, é correto afirmar:
A) Inválido, porque o termo médio não é distribuído.
B) Inválido, por violação de regra das premissas afirmativas.
C) Válido, é o silogismo Barbara, da primeira figura.
D) Válido por modus ponens.
E) Inválido, por troca indevida do quantificador.
Gabarito: C
Forma: Todo M (brasileiro) é P (sul-americano). Todo S (paulistana) é M (brasileira). ∴ Todo S é P. Essa é exatamente a estrutura do silogismo Barbara (primeira figura, modo AAA). Válido.
Verificação:
- Termo médio: brasileiro. Aparece nas duas premissas, desaparece na conclusão. ✓
- Termo médio distribuído (universalmente tomado) na P₁ (sujeito de "todo brasileiro"). ✓
- Premissas afirmativas, conclusão afirmativa. ✓
- Sem violação de regras.
Comentário do Prof. Affonsinho
Barbara, o silogismo-mãe
Silogismo Barbara é o exemplo arquetípico do raciocínio dedutivo. Aristóteles o destacou como modelo. Em prova, quando você ver 'todo M é P, todo S é M, logo todo S é P', está vendo Barbara. Sempre válido. Decora o nome (vem do latim, primeiras três vogais A representam as três proposições universais afirmativas).
Q5 Questão 05 · Comentada
Enunciado. Considere as premissas:
P₁: Todo livro tem páginas.
P₂: Algum dicionário é livro.
Qual conclusão se segue validamente?
A) Todo dicionário tem páginas.
B) Algum dicionário tem páginas.
C) Nenhum dicionário tem páginas.
D) Todo dicionário é livro.
E) Algum livro é dicionário.
Gabarito: B
Forma: Todo M (livro) é P (tem páginas). Algum S (dicionário) é M (livro). ∴ Algum S é P. Esse é o silogismo Darii (primeira figura, modo AII). Válido.
Análise via Venn: P₁ coloca M dentro de P. P₂ marca um X em S ∩ M. Como M está em P, esse X também está em P. Logo, X em S ∩ P, ou seja, "algum S é P".
Alternativas erradas:
A: "todo dicionário tem páginas" é mais forte que o que se pode concluir; só sabemos de "alguns" dicionários (os que são livros).
C: contradiz P₁ via P₂.
D: P₂ diz "algum dicionário é livro", não "todo".
E: conversão da P₂; embora válida (de "algum S é M" ⊢ "algum M é S"), não é o que a questão pede.
Comentário do Prof. Affonsinho
Darii, silogismo com particular
Em silogismos categóricos, lembre da regra: 'a conclusão segue a premissa mais fraca'. Se uma premissa é particular ('algum'), a conclusão é particular. Se uma é negativa, a conclusão é negativa. Aqui, P₂ é particular, então a conclusão é particular ('algum'). Não pule para 'todo'.
Q6 Questão 06 · Comentada
Enunciado. Considere o argumento:
P₁: Se faz frio, uso casaco.
P₂: Não faz frio.
∴ C: Não uso casaco.
Esse argumento é:
A) Válido por modus ponens.
B) Válido por modus tollens.
C) Inválido, falácia da afirmação do consequente.
D) Inválido, falácia da negação do antecedente.
E) Válido por silogismo hipotético.
Gabarito: D
Forma: p → q, ¬p ∴ ¬q. Isso é a falácia da negação do antecedente. De "se p então q" e "não p", NÃO se pode concluir ¬q.
Por que é inválido: você pode usar casaco mesmo sem fazer frio (gosto, estilo, evento social). O condicional original só estabelece o que ACONTECE quando faz frio; nada diz sobre o que acontece quando NÃO faz frio.
Alternativas erradas:
A e B: não correspondem à forma do argumento.
C: afirmação do consequente seria com q (uso casaco), não com ¬p.
E: silogismo hipotético precisa de dois condicionais (p → q e q → r), não há.
Comentário do Prof. Affonsinho
A segunda falácia clássica
Negação do antecedente é a outra falácia favorita das bancas. Junto com afirmação do consequente, formam o par 'parece válido mas não é'. Lembre: o condicional p → q só te diz o que acontece QUANDO p é V. Se p é F, o condicional não te diz nada sobre q. Q pode ser V ou F. Não conclua nada.
Q7 Questão 07 · Comentada
Enunciado. Considere as premissas verdadeiras e o argumento abaixo:
P₁: Se Ana viaja, ela se diverte.
P₂: Se Ana se diverte, ela tira fotos.
P₃: Ana viajou.
∴ C: Ana tirou fotos.
Sobre esse argumento, julgue: ele é válido pelas regras de inferência da lógica clássica.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: CERTO
Vamos validar passo a passo:
- De P₁ + P₂, por silogismo hipotético: (viaja → diverte) + (diverte → tira fotos) ⊢ (viaja → tira fotos).
- De [viaja → tira fotos] + P₃ (viajou), por modus ponens: (viaja → tira fotos) + viajou ⊢ tirou fotos.
Conclusão "Ana tirou fotos" derivada validamente. Argumento válido.
Alternativamente, aplicando modus ponens duas vezes:
- P₁ + P₃: viaja → diverte, viajou ⊢ se divertiu.
- P₂ + se divertiu: diverte → tira fotos, se divertiu ⊢ tirou fotos.
Mesmo resultado.
Comentário do Prof. Affonsinho
Encadeamento de regras
Argumentos com 3+ premissas costumam exigir encadeamento. Você pode usar silogismo hipotético para combinar dois condicionais e depois modus ponens, ou aplicar modus ponens duas vezes seguidas. Os dois caminhos chegam à mesma conclusão. Use o que for mais rápido para você.
Q8 Questão 08 · Comentada
Enunciado. Considere o silogismo:
P₁: Algum servidor é honesto.
P₂: Alguns honestos são pacientes.
∴ C: Algum servidor é paciente.
Esse silogismo é:
A) Válido por silogismo Barbara.
B) Válido por silogismo Darii.
C) Inválido, por violação da regra das premissas particulares.
D) Inválido, por troca indevida do termo médio.
E) Válido por silogismo Ferio.
Gabarito: C
O silogismo viola a regra clássica: "de duas premissas particulares, nada se conclui". Tanto P₁ ("algum servidor é honesto") quanto P₂ ("alguns honestos são pacientes") são proposições particulares (tipo I). Quando ambas são particulares, não há garantia da conclusão.
Análise via Venn: P₁ marca um X em servidor ∩ honesto. P₂ marca um X em honesto ∩ paciente. Mas esses X's podem estar em pontos DIFERENTES de "honesto". Não se garante que algum servidor seja paciente, porque os "servidores honestos" podem não coincidir com os "honestos pacientes".
Alternativas erradas:
A, B, E: silogismos válidos, mas estes nomes correspondem a estruturas diferentes (Barbara é universal, Darii e Ferio têm uma universal).
D: o termo médio (honesto) não foi trocado, está consistente.
Comentário do Prof. Affonsinho
A regra das duas particulares
Em silogismo categórico, decore: duas premissas particulares NUNCA geram conclusão. Pelo menos uma das premissas precisa ser universal (todo, nenhum) para que o termo médio possa ligar S a P. Se ambas são 'algum', os 'alguns' podem não coincidir, e a inferência falha.
Q9 Questão 09 · Comentada
Enunciado. Considere o argumento:
P₁: Vou ao cinema OU vou ao teatro.
P₂: Não fui ao cinema.
∴ C: Fui ao teatro.
Esse argumento é:
A) Inválido, falácia da afirmação do consequente.
B) Válido, silogismo disjuntivo.
C) Válido, modus ponens.
D) Inválido, porque "ou" é exclusivo.
E) Válido, silogismo categórico.
Gabarito: B
Forma: p ∨ q, ¬p ∴ q. Esse é exatamente o silogismo disjuntivo. Dada uma disjunção e a negação de uma das partes, conclui-se a outra parte.
Verificação: pela tabela-verdade da disjunção, p ∨ q é V em três casos. Quando p é F (¬p é V), os casos restantes em que p ∨ q ainda é V exigem q = V. Logo, conclusão q decorre.
Alternativas erradas:
A: afirmação do consequente é p → q, q ∴ p. Aqui não há condicional.
C: modus ponens é p → q, p ∴ q. Aqui há disjunção, não condicional.
D: em lógica clássica, "ou" é INCLUSIVO por padrão. Mesmo assim, o silogismo disjuntivo funciona em ambos os casos (inclusivo e exclusivo).
E: silogismo categórico usa quantificadores, não disjunções.
Comentário do Prof. Affonsinho
Silogismo disjuntivo na prática
Silogismo disjuntivo é a forma elegante de eliminação por exclusão. Você sabe que UM dos dois aconteceu. Descobre que UM não foi. Conclui que foi o OUTRO. Funciona perfeitamente, seja com 'ou' inclusivo, seja com 'ou' exclusivo. Em ambos os casos, ¬p garante q (porque p ∨ q exige pelo menos um V).
Q10 Questão 10 · Comentada
Enunciado. Considere as premissas verdadeiras:
P₁: Todo médico estudou medicina.
P₂: João estudou medicina.
∴ C: João é médico.
Sobre esse argumento, é correto afirmar:
A) Válido, por silogismo Barbara.
B) Válido, por modus ponens.
C) Inválido, por afirmação indevida ("se estudou, é médico"); o correto seria a recíproca.
D) Válido, por silogismo Darii.
E) Sólido, com premissas verdadeiras e conclusão necessariamente verdadeira.
Gabarito: C
O argumento parece válido, mas é um caso clássico de erro de inferência. Se traduzirmos P₁ como "se é médico, então estudou medicina" (M → E), e P₂ como "estudou medicina" (E), tentar concluir "é médico" (M) seria afirmar o consequente. Falácia.
Em termos categóricos: "Todo M é E" não permite concluir "todo E é M" (não se pode reverter o sujeito e predicado de uma universal afirmativa). Pode existir alguém que estudou medicina mas não exerce a profissão (formado mas não atuante), ou estudou sem se formar.
Análise das alternativas:
A: Barbara seria "Todo M é E. Todo X é M. ∴ Todo X é E". Aqui invertem-se M e E.
B: modus ponens precisa do antecedente; aqui há o consequente.
D: Darii precisa de "todo M é E" + "algum S é M" ∴ "algum S é E". Aqui é diferente.
E: a conclusão NÃO é necessariamente verdadeira; pode haver gente que estudou medicina sem ser médica.
Comentário do Prof. Affonsinho
A falácia disfarçada de silogismo
Esse é o tipo de questão que separa quem entendeu lógica de quem só decorou. Premissas verdadeiras, conclusão plausível, mas a forma é inválida. A 'reversão' do quantificador (todo médico estudou ↔ todo que estudou é médico) é exatamente o erro que a banca quer testar. Em qualquer universal afirmativa, sujeito e predicado NÃO são intercambiáveis.
Argumentação dominada!
Premissas e conclusões, identificadas.
Validade × verdade, separadas.
Modus ponens e modus tollens, automatizados.
Silogismo categórico, dominado.
Diagramas de Venn, internalizados.
Falácias formais, flagradas em segundos.
Você acaba de afiar a lâmina
do raciocínio dedutivo.
Próxima aula: 03 · Proposições, Tabelas-Verdade e Diagramas
Aprofundamento técnico de proposições simples e compostas.







