f
furafila
§Administração Pública

Gestão de
Resultados na
Administração Pública

De Drucker (APO, 1954) a Falcão Martins. A cadeia de valor pública (insumos, processos, produtos, resultados, impactos). Os 3E+1E (economicidade, eficiência, eficácia, efetividade). Balanced Scorecard, valor público de Mark Moore. Contratos de gestão (Art. 37 §8 CF), PPA, indicadores SMART e o Decreto 10.531/2020.

Aula04 / 10
DisciplinaAdministração Pública
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Aula tecnicamente densa. Sai do plano teórico (modelos da Aula 01) e entra na operação: como o Estado entrega resultados? Como medir? Como avaliar? Aqui você domina a cadeia de valor pública, os 3E+1E, indicadores, contratos de gestão, BSC e o framework de valor público de Mark Moore.

  1. Conceito de gestão para resultados (GpR)
    Drucker (APO, 1954), Performance Management, Bresser, Falcão Martins
    p. 04
  2. Cadeia de valor pública
    Insumos, atividades, produtos, resultados, impactos. Lógica do framework
    p. 07
  3. Os 3E + 1E
    Economicidade, eficiência, eficácia, efetividade. Distinções e exemplos
    p. 11
  4. Balanced Scorecard (BSC) no setor público
    Kaplan & Norton (1992), 4 perspectivas, mapas estratégicos, adaptações
    p. 14
  5. Valor público (Mark Moore, 1995)
    Strategic Triangle: valor, autorização, capacidade operacional
    p. 18
  6. Indicadores e SMART
    Tipos, critérios SMART (Doran 1981), validade, confiabilidade
    p. 21
  7. Marcos brasileiros
    PPA (CF 165), Decreto 9.203/17, Decreto 10.531/20 (EFD), CF Art. 37 §8
    p. 25
  8. Contratos de gestão e avaliação
    EC 19/98, Lei 9.637/98 (OS), Lei 11.784/08, Decreto 7.133/10
    p. 28
  9. Mapa mental, revisão e questões comentadas
    10 questões fechando a aula
    p. 32
Meta desta aula
Dominar a cadeia de valor pública e os 3E+1E; aplicar BSC e valor público; operar contratos de gestão e avaliação de desempenho; conhecer marcos brasileiros (PPA, Decretos 9.203/17 e 10.531/20).
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Gestão para Resultados (GpR)

Compreender o conceito desde Drucker (APO, 1954) até a operação atual. Operar a doutrina contemporânea (Falcão Martins, Caio Marini, Bresser).

02
Cadeia de valor pública

Distinguir insumos (inputs), atividades (process), produtos (outputs), resultados (outcomes) e impactos (impacts). Operar a lógica do framework.

03
3E + 1E

Aplicar economicidade (custo), eficiência (insumo × produto), eficácia (produto × meta), efetividade (impacto na realidade). Saber distinguir em prova.

04
Balanced Scorecard (BSC)

Operar o modelo de Kaplan e Norton (1992): financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. Adaptar ao setor público.

05
Valor público (Mark Moore)

Compreender o Strategic Triangle: valor público, ambiente autorizativo, capacidade operacional. Aplicar à gestão estratégica.

06
Indicadores e SMART

Distinguir tipos (insumo, processo, produto, resultado, impacto). Aplicar critérios SMART (Doran, 1981). Avaliar validade, confiabilidade.

07
Marcos brasileiros

Operar PPA (CF Art. 165), Decreto 9.203/2017, Decreto 10.531/2020 (EFD), CF Art. 37 §8 (contrato de gestão).

08
Contratos de gestão e avaliação

Aplicar contrato de gestão (EC 19/1998, Lei 9.637/1998), avaliação de desempenho do servidor (Lei 11.784/2008, Decreto 7.133/2010).

Dica do Fuffu

Esta aula é a "carne" da AP gerencial. Os 3E+1E são cobrança certa, e CESPE adora trocar eficiência com eficácia. Decora bem: eficiência é "fazer certo" (insumo × produto); eficácia é "fazer o certo" (produto × meta); efetividade é "produzir o impacto" (impacto na realidade).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Gestão para Resultados

Conceito

A Gestão para Resultados (GpR) ou Gestão por Resultados (GpoR) é o modelo de gestão pública focado em resultados (outcomes) para o cidadão, não em processos ou inputs. Inverte a lógica burocrática tradicional: em vez de cobrar conformidade do servidor com normas, cobra entrega de resultados mensuráveis.

Origem: Peter Drucker e a APO

O conceito de gestão por objetivos (e por resultados) origina-se de Peter Drucker, em "The Practice of Management" (1954). Drucker propõe a APO (Administração por Objetivos): o gestor define com cada colaborador objetivos claros, mensuráveis, que orientam a ação. Cada nível hierárquico tem seus objetivos alinhados com os superiores.

Princípios da APO de Drucker:

  • Objetivos claros, mensuráveis, com prazo.
  • Definição participativa (gestor + colaborador).
  • Foco no resultado, não no processo.
  • Avaliação periódica (feedback).
  • Recompensa atrelada ao resultado.

Performance Management

Nos anos 1980-1990, com a virada do New Public Management (NPM, Aula 01), a APO ganha versão pública: Performance-Based Management ou Results-Based Management. Movimento internacional, com referências em:

  • OCDE: governance and performance management.
  • Banco Mundial: managing for development results.
  • UN: results-based management como padrão para programas.
  • EUA: GPRA (Government Performance and Results Act, 1993).
  • Reino Unido: Public Service Agreements.

No Brasil: PDRAE e desdobramentos

O PDRAE de 1995 (Aula 01) já incorporava a GpR como pilar central. A EC 19/1998 consagrou o princípio da eficiência (CF Art. 37 caput) e instituiu o contrato de gestão (Art. 37 §8) como instrumento. Doutrina brasileira de referência:

  • Humberto Falcão Martins e Caio Marini: "Um Guia de Governança para Resultados na Administração Pública" (2010), referência operacional brasileira.
  • Bresser-Pereira: integração GpR com reforma do Estado.
  • Geert Bouckaert e John Halligan: "Managing Performance" (2008), referência internacional sobre integração de instrumentos de performance.

Princípios da GpR

A doutrina identifica princípios centrais:

  • Foco no cidadão/usuário: resultados pensados a partir do destinatário.
  • Mensuração: o que não se mede não se gerencia.
  • Cadeia de valor: pensamento sistêmico de insumos a impactos.
  • Alinhamento: estratégia, tática, operacional, integrados.
  • Responsabilização: prestação de contas baseada em resultados.
  • Aprendizagem: avaliação contínua para melhoria.
  • Transparência: indicadores públicos, monitoráveis.

Críticas à GpR

Doutrina crítica (especialmente do modelo societal: Ana Paula Paes de Paula, Maria Tereza Aina Sadek) levanta problemas:

  • Reducionismo: nem tudo o que importa é mensurável.
  • Distorções: pessoas otimizam o indicador, não o resultado real ("teach to the test").
  • Despolitização: trata questões políticas como técnicas.
  • Sobrecarga de mensuração: paradoxo de gastar mais com avaliação do que com prestação.

A doutrina contemporânea (Falcão Martins, Bouckaert) propõe GpR integrado: combina mensuração com participação social, dimensões qualitativas, avaliação ex-ante e ex-post, escuta do usuário.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A GpR brasileira encontra-se num estágio intermediário. Avançou em instrumentos formais (PPA, contratos de gestão, indicadores no Decreto 10.531/2020) mas ainda enfrenta a cultura patrimonial-burocrática. Doutrina (Falcão Martins) sugere que o desafio é menos técnico e mais político-cultural: implementar de fato o que está nas normas. Cobrança certa em concursos: distinguir GpR do modelo burocrático tradicional.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Cadeia de valor pública

Conceito

A cadeia de valor pública é o framework que estrutura a compreensão de como a ação do Estado se transforma em valor para a sociedade. Decompõe a atuação pública em 5 elos sequenciais:

  1. Insumos (inputs): recursos utilizados (orçamento, pessoas, infraestrutura, tecnologia, conhecimento, autoridade legal).
  2. Atividades (process): conjunto de ações executadas para transformar insumos em produtos.
  3. Produtos (outputs): bens e serviços diretamente entregues pelos órgãos. Ex: número de aulas dadas, quilômetros de estradas pavimentadas, vacinas aplicadas.
  4. Resultados (outcomes): efeitos diretos dos produtos sobre o público-alvo. Ex: alunos alfabetizados, redução de tempo de viagem, queda na incidência de doenças.
  5. Impactos (impacts): transformações sociais de longo prazo, na realidade ampla. Ex: aumento da renda média, redução da desigualdade, melhoria do IDH.

A diferença entre output e outcome

É a distinção mais cobrada em prova:

  • Output (produto): o que o órgão entrega. Diretamente controlado pelo gestor.
  • Outcome (resultado): o efeito do que foi entregue. Depende de outros fatores além do gestor (comportamento do beneficiário, contexto, outras políticas).

Exemplo: o Ministério da Saúde aplica 100 mil vacinas (output). Reduz-se a incidência da doença em 30% (outcome). Cai a mortalidade infantil em 5 anos (impacto).

Modelo lógico (logic model)

O modelo lógico é a representação visual da cadeia de valor para uma política pública específica. Estrutura a teoria de mudança ("theory of change"): se aplico esses insumos, executo essas atividades, entrego esses produtos, então deveria ter esses resultados e produzir esses impactos. Permite avaliação ex-ante, monitoramento, avaliação ex-post.

Cadeia de valor segundo o TCU

O TCU, em seus referenciais, distingue:

  • Eficiência: relação insumo → produto.
  • Eficácia: relação produto → resultado planejado.
  • Efetividade: relação resultado → impacto na realidade.
  • Economicidade: minimização do custo do insumo, preservando qualidade.

Aplicação prática

Em qualquer programa público, é possível desenhar a cadeia. Exemplo: programa de redução de evasão escolar.

EloExemplo
InsumosOrçamento, professores, escolas, livros, tecnologia, autoridade legal (LDB)
AtividadesAulas, busca ativa, oficinas, formação de professores
ProdutosNúmero de alunos atendidos, número de oficinas, professores formados
ResultadosRedução da evasão escolar em X%, melhoria em proficiência
ImpactosAumento da escolaridade média, redução de desigualdade educacional, mais empregabilidade

Importância para a GpR

A cadeia de valor é a espinha dorsal da GpR. Sem ela, indicadores ficam dispersos e descontextualizados. Com ela, é possível desenhar indicadores em todos os elos, monitorar a transformação, identificar gargalos.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Banca adora trocar output com outcome. Decora: output = produto direto (entrega do órgão); outcome = resultado direto sobre o público-alvo. Vacinas aplicadas: output. Redução da doença: outcome. Aumento da expectativa de vida: impacto. Em CESPE, FCC, FGV, esse é o padrão da pegadinha.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Os 3E + 1E

A tetralogia clássica

Em GpR, há quatro critérios fundamentais (consagrados pelo TCU, OCDE, doutrina): economicidade, eficiência, eficácia e efetividade. Cada um avalia uma relação distinta na cadeia de valor.

Economicidade

Conceito: minimização dos custos dos insumos, preservando qualidade adequada. Refere-se à relação preço × qualidade dos insumos. Foi explicitamente incluída no rol constitucional pelo CF Art. 70 caput (controle externo). É o "comprar bem".

Exemplo: comprar lápis a R$ 0,50 a unidade em vez de R$ 1,20, mantendo a qualidade.

Eficiência

Conceito: relação entre insumo e produto. Refere-se a "fazer certo": produzir mais com menos, ou produzir mais usando recursos limitados. É o "fazer corretamente".

Princípio constitucional: introduzido pela EC 19/1998 no Art. 37 caput. Princípio da eficiência.

Exemplo: hospital A atende 100 pacientes/dia com R$ 1.000; hospital B atende 80/dia com R$ 1.000. A é mais eficiente.

Eficácia

Conceito: relação entre produto e meta planejada. Refere-se a "fazer o certo": atingir o que se propôs. É a comparação do realizado com o esperado.

Exemplo: programa de vacinação tem meta de aplicar 1 milhão de doses; aplicou 950 mil. Eficácia = 95%.

Efetividade

Conceito: relação entre resultado e impacto na realidade. Refere-se a "produzir transformação": gerar mudança concreta no público-alvo e na sociedade. Mais próximo de outcome e impact.

Exemplo: programa de vacinação aplicou 950 mil doses (eficácia); reduziu incidência da doença em 30% (efetividade direta); aumentou expectativa de vida em 1 ano (efetividade ampla / impacto).

Quadro síntese

CritérioRelaçãoPergunta-chaveFoco
EconomicidadeCusto dos insumosComprou bem?Preço × qualidade
EficiênciaInsumo → ProdutoFez direito?Otimização do processo
EficáciaProduto → MetaAtingiu o planejado?Cumprimento de metas
EfetividadeResultado → ImpactoMudou a realidade?Transformação social

Tensões entre os critérios

Os critérios podem entrar em tensão:

  • Eficiência alta sem eficácia: produz muito, mas o errado.
  • Eficácia alta sem efetividade: cumpre meta, mas não muda a realidade (a meta foi mal desenhada).
  • Economicidade extrema sem qualidade: barato demais para servir.

Boa GpR equilibra os 4. Doutrina (Behn, Falcão Martins) destaca que a tensão entre critérios é estrutural, não erro: o gestor precisa fazer escolhas conscientes.

Constituição Federal: previsão dos critérios

Os critérios estão consagrados no texto constitucional:

  • Eficiência: Art. 37 caput (EC 19/1998).
  • Economicidade: Art. 70 caput.
  • Eficácia e efetividade: previstas implicitamente, com ampla aplicação doutrinária e em jurisprudência do TCU.

Alerta do Examinador

Memorize as relações: eficiência = insumo→produto (fazer certo); eficácia = produto→meta (fazer o certo); efetividade = resultado→impacto (mudar a realidade). CESPE adora pedir o critério adequado para uma situação concreta. E economicidade é diferente de eficiência: economicidade foca no custo do insumo; eficiência foca na relação insumo/produto.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 Balanced Scorecard

Origem e conceito

O Balanced Scorecard (BSC) foi criado por Robert Kaplan e David Norton em "The Balanced Scorecard - Measures that Drive Performance" (Harvard Business Review, 1992) e desenvolvido em "The Balanced Scorecard: Translating Strategy into Action" (1996). É ferramenta de tradução de estratégia em ação: parte da missão e visão da organização, define objetivos estratégicos e os desdobra em indicadores e iniciativas.

"Balanced" porque equilibra:

  • Indicadores financeiros e não-financeiros.
  • Curto e longo prazo.
  • Indicadores de resultado (lag) e indicadores de tendência (lead).
  • Visão interna e externa da organização.

As 4 perspectivas (modelo original - setor privado)

O BSC original tem 4 perspectivas:

  1. Financeira: como aparecemos para os acionistas? (lucro, ROI, EBITDA).
  2. Clientes: como nossos clientes nos veem? (satisfação, retenção, market share).
  3. Processos internos: em que devemos ser excelentes? (qualidade, ciclo, custo).
  4. Aprendizado e crescimento: podemos continuar a melhorar e criar valor? (capacitação, inovação, cultura).

As perspectivas se conectam em relações de causa-efeito: aprendizado e crescimento alimenta processos internos, que melhora satisfação de clientes, que gera resultados financeiros.

Adaptação para o setor público

No setor público, a perspectiva financeira não é o topo (o lucro não é o fim). A doutrina propõe adaptações:

  • Topo: Missão ou Cidadão/Sociedade (em vez de Acionistas/Lucro).
  • Cidadão: como o cidadão nos vê?
  • Processos internos: idem ao privado, mas com foco em serviços públicos.
  • Pessoas e recursos: capacitação, cultura, infraestrutura.
  • Financeira: virou habilitadora (recursos para realizar missão), não meta-fim.

Doutrina brasileira (Pedro Paulo Carbone, Humberto Falcão Martins): "BSC para Resultados" - adaptação contextualizada.

Mapas estratégicos

O mapa estratégico é a representação visual do BSC. Mostra:

  • Missão e visão no topo.
  • Objetivos estratégicos por perspectiva.
  • Setas de causa-efeito entre objetivos.
  • Indicadores e metas para cada objetivo.

KPIs (Key Performance Indicators)

Cada objetivo do BSC tem 1-3 KPIs (indicadores-chave). O conjunto de KPIs deve ser equilibrado entre as perspectivas e os tipos (lag/lead, quantitativo/qualitativo).

Aplicações brasileiras

O BSC foi adotado em vários órgãos públicos brasileiros:

  • Banco do Brasil, Petrobras (estatais).
  • STF, STJ, TJs (judiciário).
  • TCU, TCEs (tribunais de contas).
  • Ministérios e órgãos federais (com adaptações).
  • Estados (MG, SP, RS).

Limitações e críticas

Doutrina identifica:

  • Complexidade de implantação.
  • Risco de sobrecarga de indicadores.
  • Tendência a focar em mensurável, deixando dimensões qualitativas de fora.
  • Necessidade de cultura organizacional alinhada.

Mesmo assim, é a ferramenta mais difundida de gestão estratégica no setor público e privado contemporâneo.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Decora: BSC = Kaplan e Norton, 1992 (HBR), 4 perspectivas (financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento). No setor público, o topo vira missão/cidadão. Mapas estratégicos articulam tudo. Em provas (CESPE, FCC), banca pede composição original e adaptação ao público.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Valor público

Mark Moore e o conceito de valor público

Mark H. Moore publicou em 1995 o livro "Creating Public Value: Strategic Management in Government", que se tornou referência mundial sobre gestão estratégica no setor público. Sua tese central:

"O propósito da gestão pública é criar valor público, assim como o propósito da gestão privada é criar valor privado para os acionistas."

O Strategic Triangle

Moore propõe que toda iniciativa pública precisa equilibrar três dimensões (o "triângulo estratégico"):

  1. Valor público (substantive): a iniciativa cria valor genuíno para a sociedade? Resultados, impactos, transformações concretas.
  2. Ambiente autorizativo (legitimacy and support): há apoio político, legal, institucional, social para a iniciativa? Legitimidade.
  3. Capacidade operacional (operational capacity): a organização tem recursos, conhecimento, estrutura para entregar? Capacidade de execução.

Os três precisam estar alinhados. Iniciativas que falham em qualquer das pernas tendem a fracassar:

  • Sem valor público: gasta-se em atividades sem efeito real.
  • Sem ambiente autorizativo: a iniciativa é bloqueada por veto político ou social.
  • Sem capacidade operacional: a iniciativa é boa no papel, mas não é executada.

Equivalente para o gestor público

Moore desenha o paralelo:

Setor privadoSetor público (Moore)
Valor para acionistasValor público
Mercado e concorrênciaAmbiente autorizativo (legitimidade)
Estrutura empresarialCapacidade operacional

Implicações para a GpR

O framework de Moore tem desdobramentos importantes:

  • Gestor público é estrategista, não apenas executor de regras.
  • Mensurar valor público exige indicadores de outcome e impact, não apenas output.
  • Ambiente autorizativo é insumo: tempo dedicado a construir legitimidade não é desperdício, é ingrediente do sucesso.
  • Capacidade operacional precisa ser construída: investir em pessoas, processos, tecnologia, dados.

Public Value Account / Public Value Scorecard

Moore propõe ferramenta análoga ao BSC:

  • Public Value Account: indicadores diretos de valor público criado.
  • Public Value Scorecard: equivalente do BSC, mas adaptado às três dimensões do triângulo estratégico.

Tem três perspectivas centrais (em vez das 4 do BSC original):

  • Public Value (substantive results).
  • Legitimacy and Support (autorização e apoio).
  • Operational Capacity (capacidade de entregar).

Recepção brasileira

Doutrina brasileira incorporou Moore com adaptações:

  • Falcão Martins e Caio Marini: integram Moore no "Guia de Governança para Resultados".
  • Bresser-Pereira: dialoga com Moore em discussões sobre Estado-rede e governança colaborativa.
  • Paulo Modesto: aplica em discussões de direito administrativo contemporâneo.

Crítica de Moore: indicador não substitui julgamento

Moore alerta: indicadores são insumos para julgamento do gestor público, não substitutos. A complexidade da ação pública exige sempre interpretação contextualizada. GpR mecânica e instrumental falha; GpR como suporte ao bom julgamento estratégico funciona.

O Raffinha confirma

Decora: Mark Moore (1995, Harvard), "Creating Public Value". Strategic Triangle: valor público, ambiente autorizativo, capacidade operacional. As três dimensões precisam estar alinhadas. Em provas, é cobrança certa em concursos federais (TCU, CGU, MPOG). Doutrina brasileira (Falcão Martins, Marini) incorpora.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Indicadores

Conceito

Um indicador é uma medida que oferece informação sobre desempenho, condição ou tendência de algo que se quer monitorar. Em AP, indicadores informam sobre cada elo da cadeia de valor (insumos, atividades, produtos, resultados, impactos).

Tipos de indicadores

Tipologia clássica (TCU, IPEA, Ministério da Economia):

  1. Indicadores de insumo (input): medem recursos disponíveis. Ex: orçamento alocado, número de servidores.
  2. Indicadores de processo: medem atividades realizadas. Ex: número de processos analisados, tempo médio de tramitação.
  3. Indicadores de produto (output): medem entregas diretas. Ex: número de vacinas aplicadas, quilômetros de estrada construída.
  4. Indicadores de resultado (outcome): medem efeitos sobre o público-alvo. Ex: redução da incidência de doença, melhora de proficiência escolar.
  5. Indicadores de impacto: medem transformações de longo prazo. Ex: aumento da expectativa de vida, redução do IDHmunicipal.

Critérios SMART

O acrônimo SMART foi proposto por George T. Doran em "There's a S.M.A.R.T. Way to Write Management's Goals and Objectives" (Management Review, 1981). Aplica-se a objetivos e indicadores. Os 5 critérios:

  • S - Specific (específico): claro, sem ambiguidade.
  • M - Measurable (mensurável): quantificável.
  • A - Achievable (alcançável): realista, factível.
  • R - Relevant (relevante): conectado ao objetivo estratégico.
  • T - Time-bound (temporal): tem prazo definido.

Variações: SMARTER (acrescenta E - Evaluated; R - Reviewed) ou SMARTIE (acrescenta I - Inclusive; E - Equitable).

Atributos da qualidade dos indicadores

Doutrina (TCU, OCDE) identifica atributos adicionais:

  • Validade: o indicador realmente mede o fenômeno que deveria medir?
  • Confiabilidade: as medições são consistentes, repetíveis?
  • Simplicidade: é fácil entender e calcular?
  • Comparabilidade: permite comparação no tempo e entre unidades?
  • Sensibilidade: detecta variações relevantes?
  • Viabilidade: a coleta de dados é factível e econômica?
  • Independência: não pode ser facilmente manipulado pelo medido.
  • Auditabilidade: pode ser verificado por terceiros.

Componentes do indicador

Um indicador completo deve ter:

  • Nome: clareza.
  • Fórmula de cálculo: como medir.
  • Unidade de medida: percentual, número absoluto, índice.
  • Periodicidade: mensal, trimestral, anual.
  • Linha de base (baseline): valor inicial de referência.
  • Meta: valor a ser atingido em prazo definido.
  • Polaridade: maior é melhor (max), menor é melhor (min), ou faixa (range).
  • Fonte de dados: onde a informação é coletada.
  • Responsável: quem mede.

Indicadores de tendência (lead) × indicadores de resultado (lag)

  • Lead indicators (indicadores de tendência): apontam para o futuro. Ex: número de matrículas iniciais.
  • Lag indicators (indicadores de resultado): refletem o passado. Ex: número de alunos formados.

BSC equilibra os dois: lead permite agir; lag verifica se a estratégia funcionou.

Riscos no uso de indicadores

  • Lei de Goodhart: "Quando uma medida vira meta, deixa de ser uma boa medida." Ex: medir pelo número de processos concluídos pode incentivar fechar processos sem qualidade.
  • Gaming the metric: comportamento para "ganhar" no indicador, mesmo sem produzir o resultado real.
  • Sobrecarga: muitos indicadores diluem foco.
  • Subdimensionamento: indicadores limitam a visão a aspectos quantificáveis.

Pegadinha da Dotôra Soffya

SMART (Doran 1981): Specific, Measurable, Achievable, Relevant, Time-bound. CESPE adora pedir o significado de cada letra. E os tipos de indicador seguem a cadeia de valor: insumo, processo, produto, resultado, impacto. Um indicador de "vacinas aplicadas" é de produto (output); "redução da incidência" é de resultado (outcome). Confunde fácil em prova.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Marcos brasileiros

PPA, LDO, LOA: o tripé orçamentário

O sistema de planejamento brasileiro é estruturado pela CF Art. 165 §1, §2 e §5. Três peças:

  • PPA - Plano Plurianual: instrumento de planejamento de médio prazo. Quadrienal (4 anos), começa no segundo ano de mandato e vai até o primeiro do mandato seguinte. Estabelece diretrizes, objetivos e metas para investimentos e programas. Lei do PPA aprova.
  • LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias: anual. Dirige a elaboração da LOA. Estabelece prioridades, metas fiscais, riscos.
  • LOA - Lei Orçamentária Anual: anual. Fixa receita e autoriza despesa. É o orçamento propriamente dito.

Os três são lei (formal). PPA dá a moldura; LDO o ajuste anual; LOA a operação.

PPA brasileiro: estrutura por programas

O PPA brasileiro adota estrutura por programas (não por órgãos). Cada programa tem:

  • Objetivo claro.
  • Indicadores.
  • Metas.
  • Ações orçamentárias para implementar.

Essa estrutura, inspirada em GpR, foi consolidada nos PPAs pós-2000. PPAs recentes (2020-2023, 2024-2027) refinaram a articulação programa-resultado.

Decreto 9.203/2017 (já tratado na Aula 03)

Marco da governança da APF. Inclui princípios alinhados a GpR: capacidade de resposta, integridade, melhoria regulatória, transparência. E os 3 mecanismos: liderança, estratégia, controle.

Decreto 10.531/2020 - EFD

Instituiu a Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD) para o Brasil no período 2020-2031. Estabelece visão de longo prazo, eixos temáticos, indicadores estratégicos. É instrumento de planejamento de longo prazo, alinhado à governança e à GpR.

Eixos da EFD:

  • Econômico: produtividade, ambiente de negócios.
  • Institucional: integridade, regulação, governança.
  • Infraestrutura: logística, energia, tecnologia.
  • Ambiental: sustentabilidade, transição energética.
  • Social: pobreza, desigualdade, capital humano.
  • Soberania nacional: defesa, política externa.

CF Art. 37 §8 - Contrato de gestão

A EC 19/1998 introduziu o Art. 37 §8 da CF:

CF/88, Art. 37 §8 (EC 19/1998) A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade [...].

É a previsão constitucional do contrato de gestão como instrumento de GpR. Pressupõe:

  • Fixação de metas de desempenho.
  • Ampliação de autonomia gerencial em contrapartida.
  • Avaliação periódica.
  • Sanções e estímulos.

Lei 9.637/1998 - Organizações Sociais (já tratado)

Aplicação concreta do Art. 37 §8: o Estado celebra contrato de gestão com OS para prestação de serviços não exclusivos.

Modelos estaduais e setoriais

  • Choque de Gestão MG (2003): pioneiro do modelo gerencial estadual. Ciclo "ajuste-resultado-pessoas".
  • GERAES (MG): programa de gestão estratégica.
  • Estado em Movimento (PE): gestão por resultados estadual.
  • Choque de Gestão SP: adotado em vários ciclos.

Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações)

Embora o tema central sejam licitações, a Lei 14.133/2021 incorpora elementos de GpR:

  • Princípio do planejamento (Art. 5): obrigatoriedade de planejamento prévio.
  • Plano de Contratações Anual (PCA): instrumento de planejamento.
  • Estudo Técnico Preliminar (ETP): análise antes de contratar.
  • Análise de riscos obrigatória.

Aprofundaremos na Aula 07 desta disciplina.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova, marcos centrais: CF Art. 165 (PPA, LDO, LOA), CF Art. 37 §8 (contrato de gestão), Decreto 9.203/2017 (governança), Decreto 10.531/2020 (EFD). Estados pioneiros (Choque de Gestão MG 2003) entram em provas estaduais e federais.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Contratos de gestão e avaliação

Contratos de gestão: o instrumento

O contrato de gestão (CF Art. 37 §8 - EC 19/1998) é o acordo formal entre poder público e órgão/entidade pública (ou OS) para fixar metas de desempenho em troca de autonomia gerencial ampliada. Tipos no direito brasileiro:

  • Contrato de gestão com OS: Lei 9.637/1998. Estado e OS celebram. OS executa serviços não exclusivos com recursos públicos.
  • Contrato de gestão com agência executiva: Lei 9.649/1998 + Decreto 2.487/1998. Autarquia ou fundação pública qualificada como agência executiva amplia autonomia mediante contrato.
  • Acordo de Resultados: forma usada por estados (MG, PE, SP). Conceito similar.

Conteúdo típico

Um contrato de gestão tem:

  • Identificação das partes.
  • Objeto (atividade).
  • Metas pactuadas (com indicadores).
  • Compromissos do poder público (autonomia, recursos).
  • Compromissos do contratado (entregas).
  • Mecanismos de avaliação periódica.
  • Sanções e estímulos.
  • Cláusulas de revisão e rescisão.

Avaliação do contrato

Em geral, há comissão de avaliação periódica que mede atingimento de metas e propõe ajustes. Em caso de descumprimento, há sanções (perda de bônus, intervenção, rescisão). Em caso de superação, estímulos.

Avaliação de desempenho do servidor

Lei central: Lei 11.784, de 22 de setembro de 2008, que dispõe sobre estrutura de carreiras e remuneração dos servidores federais e prevê avaliação de desempenho. Regulamentada pelo Decreto 7.133, de 19 de março de 2010.

Decreto 7.133/2010

Disciplina os procedimentos para avaliação de desempenho:

  • Avaliação individual (do servidor) e institucional (da unidade).
  • Periodicidade: anual em geral; ciclo coincide com ano civil.
  • Resultado: nota composta, com peso para individual e institucional.
  • Repercussão: gratificação variável de desempenho, progressão na carreira.
  • Procedimento: avaliação por chefia + autoavaliação + avaliação por pares (em alguns casos).

Tipos de avaliação de políticas públicas

A doutrina (Ramesh Patty, Ala-Harja, Helgason; no Brasil, Pedro Cavalcante, Roberto Pires) distingue:

  1. Avaliação ex-ante: antes da implementação. Análise de viabilidade, desenho.
  2. Avaliação intermediária (ou de processo): durante a implementação. Acompanhamento, ajustes.
  3. Avaliação ex-post: depois da implementação. Análise de resultados e impactos.
  4. Avaliação somativa: julga se a política atingiu objetivos. Tipo "veredicto".
  5. Avaliação formativa: orienta melhorias. Tipo "aprendizagem".

Métodos de avaliação

  • Quantitativos: regressão, controle sintético, RCT (Randomized Controlled Trial).
  • Qualitativos: entrevistas, grupos focais, etnografia.
  • Mistos: combinam os dois.
  • Quase-experimentais: diff-in-diff, propensity score matching.

No Brasil, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) é a referência institucional em avaliação de políticas públicas. Publicações sistemáticas, com metodologia rigorosa.

Lei 13.460/2017 - avaliação de serviços

Já tratada na Aula 03. Importante para GpR: prevê pesquisa de satisfação anual obrigatória dos usuários, conselho de usuários, Carta de Serviços. É instrumento de avaliação contínua a partir do destinatário.

Decreto 9.094/2017 - simplificação

Estabelece princípios da relação cidadão-Estado: presunção de boa-fé, dispensa de documentos já em poder do Estado (princípio da "once-only" digital), simplificação de procedimentos. Conecta GpR com experiência do usuário.

Alerta do Examinador

Decora: contrato de gestão = CF Art. 37 §8 (EC 19/98). Lei 9.637/98 com OS. Lei 9.649/98 + Decreto 2.487/98 com agência executiva. Avaliação de desempenho: Lei 11.784/08 + Decreto 7.133/10. Tipos de avaliação: ex-ante, intermediária, ex-post, somativa, formativa.

Mapa mental

A aula inteira em um diagrama. Use para revisão rápida antes da prova.

Gestão de Resultados na AP

GpR

  • Foco em resultados (outcomes)
  • Drucker: APO (1954)
  • Performance Management
  • Falcão Martins/Marini

Cadeia de valor

  • Insumos (inputs)
  • Atividades (process)
  • Produtos (outputs)
  • Resultados (outcomes)
  • Impactos

3E + 1E

  • Economicidade: custo
  • Eficiência: insumo→produto
  • Eficácia: produto→meta
  • Efetividade: resultado→impacto

BSC (Kaplan e Norton 1992)

  • Financeira
  • Clientes
  • Processos internos
  • Aprendizado e crescimento
  • Adaptação setor público: missão no topo

Mark Moore (1995)

  • Strategic Triangle
  • Valor público
  • Ambiente autorizativo
  • Capacidade operacional

Indicadores

  • Tipos: insumo, processo, produto, resultado, impacto
  • SMART (Doran 1981)
  • Lead × Lag
  • Validade, confiabilidade

PPA, LDO, LOA

  • CF Art. 165 §§1, 2, 5
  • PPA: 4 anos, programas
  • LDO: anual
  • LOA: orçamento

Marcos federais

  • EC 19/1998 - eficiência
  • Decreto 9.203/2017 - governança
  • Decreto 10.531/2020 - EFD 2020-2031
  • Lei 14.133/2021 - planejamento

Contratos de gestão

  • CF Art. 37 §8
  • Lei 9.637/98 (OS)
  • Lei 9.649/98 (agência executiva)
  • Acordo de Resultados

Avaliação de desempenho

  • Lei 11.784/2008
  • Decreto 7.133/2010
  • Individual + institucional
  • Anual

Avaliação de políticas

  • Ex-ante, intermediária, ex-post
  • Somativa × formativa
  • RCT, controle sintético, diff-in-diff
  • IPEA como referência

Modelos brasileiros

  • Choque de Gestão MG 2003
  • GERAES MG
  • Estado em Movimento PE
  • IGG do TCU

Revisão relâmpago

Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.

  1. GpR: foco em resultados (outcomes), não em processos. Origem: Drucker (APO, 1954). Brasil: PDRAE 1995, EC 19/98.
  2. Cadeia de valor: insumos → atividades → produtos → resultados → impactos.
  3. Output × Outcome: output é entrega direta do órgão; outcome é efeito sobre o público-alvo.
  4. Economicidade: custo dos insumos (CF Art. 70). Eficiência: insumo→produto (CF Art. 37). Eficácia: produto→meta. Efetividade: resultado→impacto.
  5. BSC (Kaplan e Norton, 1992): 4 perspectivas - financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento.
  6. BSC no setor público: topo é missão/cidadão, não financeiro. Mapas estratégicos.
  7. Mark Moore (1995): Strategic Triangle - valor público, ambiente autorizativo, capacidade operacional.
  8. Indicadores - tipos: insumo, processo, produto, resultado, impacto.
  9. SMART (Doran, 1981): Specific, Measurable, Achievable, Relevant, Time-bound.
  10. Atributos: validade, confiabilidade, simplicidade, comparabilidade, sensibilidade, viabilidade, independência.
  11. Lead × Lag: lead aponta para o futuro; lag reflete o passado.
  12. Lei de Goodhart: "quando uma medida vira meta, deixa de ser uma boa medida". Cuidado com gaming.
  13. PPA (CF 165 §1): 4 anos, por programas. LDO: anual, dirige LOA. LOA: orçamento.
  14. EC 19/1998: princípio da eficiência (Art. 37 caput) + contrato de gestão (Art. 37 §8).
  15. Lei 9.637/98 (OS): contrato de gestão. Lei 9.649/98 + Decreto 2.487/98: agência executiva.
  16. Decreto 9.203/2017: governança APF. Decreto 10.531/2020: EFD 2020-2031 (6 eixos).
  17. Avaliação de desempenho do servidor: Lei 11.784/2008 + Decreto 7.133/2010 (individual + institucional).
  18. Avaliação de políticas: ex-ante, intermediária, ex-post; somativa × formativa. IPEA referência.
  19. Métodos: RCT, controle sintético, diff-in-diff (quase-experimentais), entrevistas, grupos focais.
  20. Modelos brasileiros: Choque de Gestão MG (2003), GERAES, IGG do TCU. Lei 14.133/2021: planejamento como princípio.
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20 pontos densos sobre GpR. Bora para as questões.

? 10 questões comentadas

As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula. Cada uma vem com gabarito e comentário detalhado do Prof. Affonsinho.

Sugestão de uso:

  1. Leia cada questão sem olhar o gabarito.
  2. Marque sua resposta num papel.
  3. Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
  4. Se errou, marque em um caderno qual conceito falhou e volte ao módulo correspondente.

O vilão da aula: Concurseiro Rival

Esse vilão está há anos no concurso e detesta quem chega afiado. Em GpR, ele troca eficiência com eficácia, output com outcome, BSC com Strategic Triangle. Nas dez próximas, atenção redobrada com conceitos próximos.

Q1

Questão 01 · Comentada

Enunciado. Sobre a cadeia de valor pública e a distinção entre output (produto) e outcome (resultado):

  1. A) Output e outcome são sinônimos.
  2. B) Output (produto) é a entrega direta do órgão (ex: vacinas aplicadas, quilômetros pavimentados, alunos atendidos), diretamente controlada pelo gestor; outcome (resultado) é o efeito direto sobre o público-alvo (ex: redução da incidência de doenças, redução do tempo de viagem, melhoria de proficiência), que depende de fatores adicionais ao gestor. A cadeia completa: insumos → atividades → produtos (outputs) → resultados (outcomes) → impactos.
  3. C) Output é resultado de longo prazo; outcome é entrega de curto prazo.
  4. D) Output mede impacto; outcome mede insumos.
  5. E) Apenas o output é mensurável; outcome é apenas qualitativo.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a distinção fundamental entre output e outcome.

  • A errada: são conceitos distintos. Trocar é erro grave em GpR.
  • B CORRETA cadeia de valor pública: exato. Output é entrega direta do órgão; outcome é efeito sobre o público-alvo. Cadeia completa: insumos → atividades → produtos → resultados → impactos.
  • C errada: ao contrário, output é entrega imediata, outcome é efeito subsequente. Não é distinção temporal pura.
  • D errada: output é produto direto; outcome é resultado direto. Impacto é categoria distinta (transformação social ampla).
  • E errada: ambos são mensuráveis. Outcomes podem ser quantitativos ou qualitativos.

Tese central: Output: entrega direta do órgão (controlada). Outcome: efeito sobre público-alvo (depende de outros fatores). Cadeia: insumos → atividades → produtos → resultados → impactos.

Q2

Questão 02 · Comentada

Enunciado. Conforme a tetralogia clássica dos 3E + 1E na administração pública:

  1. A) Eficiência é a relação entre produto e meta planejada.
  2. B) Economicidade refere-se à minimização do custo dos insumos preservando qualidade adequada (CF Art. 70); eficiência é a relação insumo → produto, ou "fazer corretamente" (CF Art. 37 caput, EC 19/1998); eficácia é a relação produto → meta planejada, ou "fazer o certo" (atingir o que se propôs); efetividade é a relação resultado → impacto na realidade, ou "produzir transformação". Os quatro são distintos e complementares.
  3. C) Eficácia mede a redução de custos.
  4. D) Efetividade significa cumprir o procedimento legal.
  5. E) Os quatro critérios são sinônimos.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a distinção dos 3E + 1E.

  • A errada: essa é a definição de eficácia, não eficiência. Eficiência é insumo → produto.
  • B CORRETA TCU + CF Arts. 37, 70: exato. Os 4 critérios distintos: economicidade (custo), eficiência (insumo→produto), eficácia (produto→meta), efetividade (resultado→impacto).
  • C errada: redução de custos é dimensão de economicidade, não eficácia.
  • D errada: cumprir procedimento legal é legalidade. Efetividade é mudança na realidade.
  • E errada: são distintos e complementares. Confundir é erro grave em GpR.

Tese central: Economicidade (custo) + Eficiência (insumo→produto) + Eficácia (produto→meta) + Efetividade (resultado→impacto). Quatro critérios distintos.

Q3

Questão 03 · Comentada

Enunciado. Sobre o Balanced Scorecard (BSC), conforme Kaplan e Norton (1992):

  1. A) Tem 6 perspectivas: financeira, comercial, operacional, ambiental, social e digital.
  2. B) Tem 4 perspectivas originais (modelo do setor privado): (i) financeira, (ii) clientes, (iii) processos internos e (iv) aprendizado e crescimento. Estabelece relações de causa-efeito: aprendizado e crescimento → processos internos → satisfação de clientes → resultados financeiros. No setor público, sofre adaptação: a perspectiva financeira deixa de ser o topo e a missão (ou cidadão/sociedade) ocupa essa posição.
  3. C) Foi proposto por Mark Moore em 1995.
  4. D) É exclusivamente aplicável ao setor privado.
  5. E) Tem apenas 1 perspectiva (financeira).

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o BSC.

  • A errada: BSC tem 4 perspectivas, não 6. As 4 são: financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento.
  • B CORRETA Kaplan e Norton (1992): exato. 4 perspectivas + relações de causa-efeito + adaptação ao setor público com missão no topo.
  • C errada: BSC é de Kaplan e Norton (1992). Mark Moore (1995) propôs o conceito de valor público / Strategic Triangle, distinto do BSC.
  • D errada: tem ampla aplicação no setor público, com adaptações.
  • E errada: ao contrário, o BSC enfatiza pluralidade de perspectivas, não apenas financeira.

Tese central: BSC (Kaplan e Norton, 1992): 4 perspectivas - financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. No setor público: missão/cidadão no topo.

Q4

Questão 04 · Comentada

Enunciado. Sobre o conceito de valor público proposto por Mark Moore (1995):

  1. A) Refere-se exclusivamente ao retorno financeiro de empresas estatais.
  2. B) Estabelece o Strategic Triangle: valor público (resultados substantivos para a sociedade), ambiente autorizativo (legitimidade política e apoio social) e capacidade operacional (recursos e estrutura para entregar). As três dimensões precisam estar alinhadas; a falta de qualquer uma pode levar à falência da iniciativa pública. Moore é referência mundial em gestão estratégica no setor público.
  3. C) É sinônimo de Balanced Scorecard.
  4. D) Refere-se apenas à dimensão jurídica das políticas.
  5. E) Foi proposto por Bresser-Pereira em 1995.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o framework de Mark Moore.

  • A errada: Moore amplia para todo o setor público, não apenas estatais. E o foco é qualitativo, não exclusivamente financeiro.
  • B CORRETA Mark Moore (1995): exato. Strategic Triangle: valor público + ambiente autorizativo + capacidade operacional. Três dimensões interdependentes.
  • C errada: BSC é de Kaplan e Norton (1992). Strategic Triangle é de Moore (1995). Conceitos distintos, ambos podem ser aplicados ao setor público.
  • D errada: valor público é amplo, inclui dimensões jurídicas, sociais, econômicas, políticas.
  • E errada: Moore é o autor (1995, livro "Creating Public Value"). Bresser-Pereira tem outras contribuições, mas não é autor do conceito de valor público no sentido de Moore.

Tese central: Mark Moore (1995): Strategic Triangle - valor público + ambiente autorizativo + capacidade operacional. Três dimensões alinhadas.

Q5

Questão 05 · Comentada

Enunciado. Sobre os critérios SMART para indicadores e objetivos, conforme George T. Doran (1981):

  1. A) Strategic, Measurable, Aligned, Resilient, Tactical.
  2. B) Specific (específico, claro, sem ambiguidade), Measurable (mensurável, quantificável), Achievable (alcançável, realista), Relevant (relevante, conectado ao objetivo estratégico) e Time-bound (temporal, com prazo definido). Acrônimo amplamente utilizado em GpR. Variações posteriores incluem SMARTER (acrescenta Evaluated e Reviewed) e SMARTIE (acrescenta Inclusive e Equitable).
  3. C) Simple, Material, Atomic, Real, True.
  4. D) É sigla de regulamento técnico do TCU.
  5. E) Refere-se a critérios de auditoria interna.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra os critérios SMART.

  • A errada: alternativa inventa siglas. SMART é Specific, Measurable, Achievable, Relevant, Time-bound.
  • B CORRETA Doran (1981): exato. 5 letras com significados específicos. Acrônimo central em GpR. Variações SMARTER e SMARTIE.
  • C errada: alternativa inventa significado. As siglas corretas são as de Doran.
  • D errada: SMART não é regulamento técnico do TCU. É acrônimo de Doran (1981), HBR.
  • E errada: SMART aplica-se a indicadores e objetivos em GpR. Auditoria interna usa outros critérios.

Tese central: SMART (Doran, 1981): Specific, Measurable, Achievable, Relevant, Time-bound. Critérios para indicadores e objetivos em GpR.

Q6

Questão 06 · Comentada

Enunciado. Sobre a estrutura orçamentária brasileira (PPA, LDO, LOA), conforme a CF Art. 165:

  1. A) São apenas dois instrumentos: PPA e LOA.
  2. B) São três instrumentos legais: (i) PPA - Plano Plurianual, instrumento de planejamento de médio prazo (4 anos), com diretrizes, objetivos e metas para investimentos e programas de duração continuada; (ii) LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias, anual, dirige a elaboração da LOA estabelecendo prioridades e metas fiscais; (iii) LOA - Lei Orçamentária Anual, anual, fixa receita e autoriza despesa. Os três têm natureza de lei formal.
  3. C) PPA é mensal.
  4. D) Apenas a LOA tem natureza de lei.
  5. E) LDO é instrumento privado, não público.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o tripé orçamentário.

  • A errada: são três instrumentos: PPA, LDO e LOA. Todos previstos na CF Art. 165.
  • B CORRETA CF Art. 165 §§1, 2, 5: exato. PPA (4 anos) + LDO (anual, dirige) + LOA (anual, autoriza). Todos com natureza de lei formal.
  • C errada: PPA é quadrienal (4 anos), não mensal.
  • D errada: todos os três são leis formais (PPA, LDO, LOA).
  • E errada: LDO é instrumento público de planejamento orçamentário, com natureza de lei (CF Art. 165 §2).

Tese central: Tripé: PPA (4 anos, planejamento) + LDO (anual, dirige) + LOA (anual, autoriza despesa). Todos leis formais (CF Art. 165).

Q7

Questão 07 · Comentada

Enunciado. Sobre o contrato de gestão, conforme o CF Art. 37 §8 (incluído pela EC 19/1998):

  1. A) Aboliu a estabilidade dos servidores.
  2. B) Prevê que a autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho. É a previsão constitucional do contrato de gestão como instrumento de GpR. Aplicação concreta: Lei 9.637/1998 (OS - contrato de gestão) e Lei 9.649/1998 + Decreto 2.487/1998 (agência executiva).
  3. C) Aplica-se apenas a empresas privadas.
  4. D) Foi revogado pela EC 103/2019.
  5. E) Refere-se ao contrato individual de trabalho dos servidores.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o contrato de gestão constitucional.

  • A errada: EC 19/98 não aboliu estabilidade. Modulou hipóteses de demissão por insuficiência de desempenho. O Art. 37 §8 trata de contrato de gestão, não estabilidade.
  • B CORRETA CF Art. 37 §8: exato. Ampliação de autonomia em troca de metas + aplicações concretas (OS, agência executiva).
  • C errada: aplica-se a órgãos e entidades públicas. Empresas privadas têm regime distinto.
  • D errada: EC 103/2019 trata da Reforma da Previdência. Não revogou o Art. 37 §8.
  • E errada: contrato individual de trabalho é instituto trabalhista (CLT). Contrato de gestão é institucional (Art. 37 §8).

Tese central: CF Art. 37 §8 (EC 19/98): contrato de gestão. Ampliação de autonomia mediante metas. Aplicações: OS (Lei 9.637/98), agência executiva (Lei 9.649/98).

Q8

Questão 08 · Comentada

Enunciado. Sobre a avaliação de desempenho dos servidores federais:

  1. A) Não há lei específica sobre o tema.
  2. B) Está prevista na Lei 11.784, de 22 de setembro de 2008, regulamentada pelo Decreto 7.133, de 19 de março de 2010; combina avaliação individual (do servidor) com avaliação institucional (da unidade); periodicidade anual; resultado é nota composta, com peso para individual e institucional; tem repercussão na gratificação variável de desempenho e na progressão funcional; procedimento envolve avaliação por chefia, autoavaliação e, em alguns casos, avaliação por pares.
  3. C) É feita apenas no setor privado.
  4. D) Tem periodicidade decenal.
  5. E) Não tem efeito sobre remuneração.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a Lei 11.784/2008 e Decreto 7.133/2010.

  • A errada: há lei específica: Lei 11.784/2008, regulamentada pelo Decreto 7.133/2010.
  • B CORRETA Lei 11.784/2008 + Decreto 7.133/2010: exato. Individual + institucional + anual + nota composta + repercussão em gratificação e progressão.
  • C errada: aplica-se ao serviço público federal. Setor privado tem CLT e outras normas.
  • D errada: anual em geral; ciclo coincide com ano civil.
  • E errada: ao contrário, tem efeito direto na gratificação variável de desempenho e na progressão funcional.

Tese central: Avaliação de desempenho: Lei 11.784/2008 + Decreto 7.133/2010. Individual + institucional. Anual. Repercussão em gratificação e progressão.

Q9

Questão 09 · Comentada

Enunciado. Sobre os tipos de avaliação de políticas públicas:

  1. A) Há apenas um tipo: avaliação ex-post.
  2. B) A doutrina identifica três momentos: (i) avaliação ex-ante (antes da implementação, análise de viabilidade e desenho); (ii) avaliação intermediária ou de processo (durante a implementação, acompanhamento); (iii) avaliação ex-post (após a implementação, análise de resultados e impactos). Cruzando os momentos com a finalidade, há também a distinção entre avaliação somativa (julga atingimento de objetivos) e formativa (orienta melhorias).
  3. C) Avaliação ex-ante e ex-post são sinônimas.
  4. D) Avaliação formativa não existe.
  5. E) Apenas o IPEA pode realizar avaliação.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a tipologia de avaliação de políticas.

  • A errada: há múltiplos tipos: ex-ante, intermediária, ex-post; somativa, formativa.
  • B CORRETA doutrina: exato. Três momentos + distinção somativa/formativa. Tipologia clássica.
  • C errada: ex-ante (antes) é distinta de ex-post (depois). São momentos opostos no ciclo.
  • D errada: avaliação formativa existe e é central: orienta melhoria contínua, em contraposição à somativa.
  • E errada: IPEA é referência institucional, mas órgãos próprios, agências e universidades também avaliam. CGU também tem programa de avaliação.

Tese central: Avaliação: ex-ante + intermediária + ex-post. Cruzando com finalidade: somativa (julga) × formativa (melhora).

Q10

Questão 10 · Comentada

Enunciado. Sobre o Decreto 10.531/2020, que instituiu a Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD):

  1. A) Foi revogado em 2023.
  2. B) Instituiu a Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD) para o período 2020-2031, com visão de longo prazo (12 anos), eixos temáticos (econômico, institucional, infraestrutura, ambiental, social, soberania nacional) e indicadores estratégicos. É instrumento de planejamento de longo prazo da APF, alinhado com a política de governança (Decreto 9.203/2017) e com a GpR.
  3. C) Aplica-se apenas a estados e municípios.
  4. D) Estabelece apenas metas anuais.
  5. E) Não tem relação com a governança da APF.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o Decreto 10.531/2020 (EFD).

  • A errada: está em vigor (em 2026). Houve apenas atualizações pontuais.
  • B CORRETA Decreto 10.531/2020: exato. EFD 2020-2031 + 6 eixos + indicadores estratégicos + alinhada com Decreto 9.203/2017.
  • C errada: aplica-se à APF (administração federal). Estados e municípios podem ter estratégias próprias.
  • D errada: estabelece visão de longo prazo (12 anos), não anual. Metas de longo prazo são desdobradas em PPA, LDO, LOA.
  • E errada: ao contrário, é instrumento alinhado com a política de governança (Decreto 9.203/2017) e com GpR.

Tese central: Decreto 10.531/2020: EFD 2020-2031. Visão de longo prazo + 6 eixos + indicadores estratégicos. Alinhada com governança (D 9.203/17) e GpR.

Fim da aula 04

Você dominou Gestão de Resultados.
Cadeia de valor, 3E+1E, BSC, Mark Moore.
Indicadores SMART, PPA-LDO-LOA.
Contratos de gestão, avaliação.

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Aula 04 de 10 · Administração Pública
Próxima: Planejamento Estratégico no Setor Público.

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