Uma das vertentes teóricas, da qual Iamamoto (2021) faz parte, entende o Serviço Social como uma especialização do trabalho coletivo, inserida na divisão social e técnica do trabalho. Mesmo nos diferentes espaços sócio-ocupacionais, a exemplo do sociojurídico, a profissão é analisada a partir das suas condições históricas e considerada como partícipe do processo de produção de valor e de mais-valia ou de sua distribuição na sociedade capitalista. Atravessada por tensões e interesses de classes, a profissão situa-se, predominantemente, no campo político-ideológico, respondendo tanto a demandas do capital como do trabalho e só pode fortalecer um ou outro polo
- A)por intermédio de sua neutralidade intrínseca.
Errada, porque a perspectiva de Iamamoto rejeita a ideia de neutralidade da profissão, já que ela está inserida nas contradições da sociedade capitalista.
- B)pela mediação de seu oposto.
Certa, porque traduz a noção de mediação contraditória: a profissão só fortalece um polo em relação ao outro, dentro da tensão entre capital e trabalho.
- C)por intervenção externa.
Errada, porque o texto não fala em algo externo à dinâmica social, mas em uma atuação interna às relações e contradições da ordem capitalista.
- D)a partir de uma postura independente.
Errada, porque a profissão não é independente das determinações históricas e das demandas de classe; ela é condicionada por esse contexto.
- E)por meio de mecanismos internos.
Errada, porque o enunciado não trata de mecanismos internos da profissão, e sim da sua inserção estrutural na divisão social e técnica do trabalho.
Gabarito: B
A questão cobra a leitura crítica do Serviço Social na perspectiva marxista, muito associada a Iamamoto, que entende a profissão como uma especialização do trabalho coletivo dentro da divisão social e técnica do trabalho. Nessa visão, o Serviço Social não fica “pairando no ar”: ele atua nas contradições da sociedade capitalista, mediando interesses do capital e do trabalho, e participando das formas de produção e distribuição da riqueza social. Por isso, a profissão é analisada historicamente, em articulação com as relações de classe e com o processo de acumulação. Ela não é neutra nem atua fora dos conflitos sociais. Ao contrário, está inserida no campo político-ideológico e responde a demandas contraditórias, podendo reforçar um ou outro polo conforme a direção social do trabalho profissional. O ponto central do enunciado é que a profissão só pode fortalecer um desses polos pela mediação do seu contrário, isto é, exatamente por estar atravessada por tensões entre capital e trabalho. Em linguagem bem direta: o Serviço Social não resolve a disputa de classe, mas atua dentro dela, e sua intervenção sempre passa pela relação contraditória entre esses interesses. O gabarito B está correto porque expressa essa lógica de mediação e contradição, típica da leitura de Iamamoto e da tradição crítico-dialética no Serviço Social. Já as alternativas que sugerem neutralidade, independência ou intervenção externa fogem dessa compreensão histórica e classista da profissão.