No que diz respeito ao trabalho com crianças e adolescentes, todos os esforços devem ser empreendidos para preservar e fortalecer vínculos familiares e comunitários dos atendidos em serviços de acolhimento. Esses vínculos são fundamentais, nessa etapa do desenvolvimento humano, para oferecer-lhes condições para um desenvolvimento saudável, culminando na formação de sua identidade e sua constituição como sujeito e cidadão. Nesse sentido, é importante que esse fortalecimento ocorra nas ações cotidianas dos serviços de acolhimento, como:
- A)visitas e encontros com as famílias e com as pessoas de referências da comunidade da criança e do adolescente.
Certa: visitas e encontros com familiares e pessoas de referência da comunidade preservam e fortalecem vínculos afetivos e sociais da criança e do adolescente.
- B)ir a campo participar ativamente de diversificados ambientes com a criança e o adolescente.
Errada: a ideia é genérica e não corresponde a uma ação típica e objetiva de fortalecimento de vínculos nos serviços de acolhimento.
- C)buscar compreender o espaço geográfico no qual a criança e o adolescente estão inseridos.
Errada: compreender o território pode ajudar no trabalho social, mas não é a ação direta indicada para manter vínculos familiares e comunitários.
- D)solicitar à autoridade que intervenha nas situações de convívio comunitário das crianças e adolescentes.
Errada: a intervenção da autoridade não é a forma cotidiana de fortalecer vínculos no acolhimento, que deve priorizar convivência e articulação com a rede.
- E)compreender as possibilidades de inserir a criança e o adolescente em novas atividades que os distancie das suas anteriores.
Errada: afastar a criança e o adolescente de referências anteriores vai na contramão da preservação dos vínculos familiares e comunitários.
Gabarito: A
Nos serviços de acolhimento, a regra é clara: acolher não significa romper a história da criança ou do adolescente. O trabalho deve buscar, sempre que possível, preservar e fortalecer os vínculos familiares e comunitários, porque esses laços ajudam na construção da identidade, da autoestima e do sentimento de pertencimento. Isso aparece com força no ECA e, principalmente, nas Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, que tratam o acolhimento como medida provisória e excepcional. Na prática, esse fortalecimento acontece no dia a dia do serviço, com ações que mantenham a criança e o adolescente conectados à família e às referências da comunidade de origem. Não é para “apagar” a vida anterior e começar do zero, como se a criança tivesse sido transferida de planeta. O foco é manter vínculos, quando isso for possível e seguro. Por isso, o gabarito é a letra A. Visitas e encontros com a família e com pessoas de referência da comunidade são medidas concretas de preservação de vínculos. Elas permitem continuidade afetiva, apoio emocional e maior chance de reintegração familiar ou construção de outros arranjos protetivos, quando necessário. Esse entendimento está alinhado ao art. 19 do ECA, que assegura o direito à convivência familiar e comunitária, e ao art. 92 do ECA, que orienta o respeito à preservação dos vínculos. Em resumo: acolher é proteger sem romper laços desnecessariamente.