O projeto ético-político do serviço social tem como referência teórica o materialismo histórico-dialético vinculado à construção de uma nova ordem social no horizonte da emancipação humana. Elege como valor central a liberdade, relacionando-a com a
- A)autonomia, a emancipação e a plena expansão dos indivíduos sociais, compreendidas como o fim da dominação e da exploração do homem pelo homem.
Correta: relaciona liberdade com autonomia, emancipação e superação da dominação e da exploração, exatamente a direção do projeto ético-político do Serviço Social.
- B)superação do preconceito de gênero, de raça e de etnia, elencadas pela defesa dos direitos e da razão instrumental pelo fim do arbítrio e da exclusão social.
Errada: mistura temas importantes, como preconceito e direitos, mas substitui a base crítica da profissão por uma formulação genérica e pela razão instrumental, que não traduz o projeto ético-político.
- C)universalidade, a sociabilidade e a conscientização, pautadas em propostas metodológicas cientificamente planejadas como produto abstrato do pensamento.
Errada: traz termos abstratos e metodológicos que não correspondem à centralidade da liberdade nem à perspectiva histórico-dialética do Serviço Social.
- D)ideação de valores, de princípios e de ações democráticas, garantidas pelos interesses da lógica formal com vistas ao respeito e a sua individualidade.
Errada: fala em lógica formal e individualidade de modo desconectado do projeto profissional, que não se orienta por uma ética conservadora nem por esse tipo de abstração.
Gabarito: A
O projeto ético-político do serviço social nasce da virada crítica da profissão, especialmente a partir da aproximação com o materialismo histórico-dialético. Isso significa olhar a realidade social como algo marcado por contradições, classes sociais, desigualdades e disputas de interesse, e não como um conjunto de problemas isolados ou meramente individuais. Nesse projeto, a liberdade é o valor central. Mas não se trata de uma liberdade abstrata, só de “fazer escolhas” no sentido individualista. A ideia é ligar liberdade à autonomia, à emancipação e à plena expansão dos indivíduos sociais, isto é, à possibilidade concreta de desenvolver capacidades humanas sem dominação e sem exploração. É exatamente isso que a alternativa A expressa: liberdade associada ao fim da dominação e da exploração do homem pelo homem, em sintonia com a perspectiva crítica do Serviço Social. Essa formulação conversa com a direção ética do Código de Ética de 1993, que afirma a liberdade como valor ético central e orienta a profissão para a defesa dos direitos humanos, da cidadania e da ampliação da emancipação humana. As demais opções tentam parecer bonitas, mas escorregam para noções genéricas, abstratas ou deslocadas da base marxista do projeto profissional. Em concurso, quando aparecer “projeto ético-político”, pense logo: liberdade, autonomia, emancipação, defesa de direitos e crítica às formas de exploração.