O documento “Residência em Saúde e Serviço Social: subsídios para a reflexão” (CFESS, 2017) destaca a intrínseca relação entre o Projeto Ético-Político da profissão e o Projeto de Reforma Sanitária brasileira, a partir da compreensão de que ambos:
- A)foram constituídos pelos mesmos sujeitos e movimentos sociais, que operam no sentido da superação da ordem capitalista e que seguem atuando na direção do mesmo projeto societário
Errada, porque o Projeto Ético-Político e a Reforma Sanitária têm convergências históricas e políticas, mas não foram constituídos pelos mesmos sujeitos nem têm exatamente o mesmo projeto societário.
- B)ao se articularem, resultam em dificuldades de operacionalização da residência em saúde, na área do serviço social, bem como na fragmentação das experiências de supervisão de estágio, contribuindo para a lógica de que a teoria diverge da prática
Errada, porque transforma a relação entre os projetos em um problema de operacionalização da residência e da supervisão de estágio, o que não corresponde ao sentido teórico-político da questão.
- C)são ambíguos em relação ao que se destinam, articulando ao mesmo tempo o reformismo e a superação da sociedade capitalista, a ampliação da universalidade das políticas sociais e a bolsificação dos programas e políticas sociais
Errada, porque atribui ambiguidade e mistura de reformismo com superação do capitalismo, além de inserir a ideia de "bolsificação", que não expressa o conteúdo central desses projetos.
- D)vinculam-se ao mesmo horizonte social estratégico de democratização da riqueza socialmente produzida e de acesso universal aos bens e serviços, exigindo ao mesmo tempo a resistência à sociabilidade capitalista e o reforço do movimento organizado dos trabalhadores e das trabalhadoras
Certa, porque identifica o mesmo horizonte de defesa da democratização da riqueza socialmente produzida, do acesso universal aos bens e serviços e da resistência à lógica capitalista.
Gabarito: D
A questão explora a aproximação entre o Projeto Ético-Político do Serviço Social e o Projeto de Reforma Sanitária brasileira. Os dois nascem de uma leitura crítica da sociedade e não se contentam em apenas administrar os efeitos da desigualdade: eles apontam para a defesa de direitos, da democracia e da ampliação do acesso aos bens e serviços públicos. No caso da saúde, isso conversa diretamente com os princípios do SUS, como universalidade, integralidade e equidade, previstos na Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 8.080/1990. No Serviço Social, o Projeto Ético-Político se afirma como compromisso com a liberdade, a democracia, a justiça social e a defesa dos direitos da classe trabalhadora. Já o Projeto de Reforma Sanitária também tem horizonte crítico, porque defende um sistema público universal e uma política de saúde pensada como direito de cidadania, e não como mercadoria. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela acerta ao dizer que ambos se vinculam ao mesmo horizonte social estratégico de democratização da riqueza socialmente produzida e de acesso universal aos bens e serviços. Além disso, reconhece que essa direção exige resistência à sociabilidade capitalista e articulação com o movimento organizado dos trabalhadores e das trabalhadoras. Em outras palavras: não é papo de ajuste fino, é disputa de projeto societário mesmo. As demais alternativas tropeçam porque misturam coisas diferentes, exageram sem base ou deslocam a discussão para problemas operacionais da residência e do estágio, que não são o ponto central do enunciado.