O caderno nº. 7 da série assistente social no combate ao preconceito aborda sobre a “Discriminação contra a pessoa com deficiência”. Com base nessa informação, assinale a alternativa de acordo com as orientações apresentadas pelo CFESS no caderno em questão.
- A)Na contemporaneidade, compreender faz-se necessário compreender a deficiência, não com o enfoque no indivíduo, mas na materialidade da sociabilidade burguesa, que não oportuniza às pessoas a manifestação de suas diferenças nas atividades cotidianas.
Certa: adota a leitura social da deficiência, relacionando exclusão e barreiras produzidas pela sociabilidade burguesa, como orienta o CFESS.
- B)O modelo atual de concepção da deficiência é o biomédico, que é centrado nas características do corpo e funções biológicas do indivíduo, nos impedimentos e nas incapacidades individuais do corpo para uma vida dita “normal”.
Errada: apresenta o modelo biomédico, que o CFESS critica por reduzir a deficiência ao corpo e às limitações individuais.
- C)As políticas compensatórias para afirmar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ou na educação garantem a plena autonomia, a liberdade de expressão, a igualdade de condições e a convivência social e impedem que sejam alvo de discriminação e de preconceitos por parte da sociedade.
Errada: trata políticas compensatórias como se, por si só, garantissem inclusão plena, autonomia e fim da discriminação, o que não corresponde à realidade.
- D)O tratamento discriminatório dispensado às pessoas com deficiência independe do processo de desigualdade social, pois relaciona‑se com o atributo pessoal e individual de cada um, expresso na não aceitação à diferença.
Errada: individualiza o preconceito e ignora que a discriminação também é produzida e reforçada pelas desigualdades sociais.
- E)A viabilização do acesso a produtos, tecnologias, serviços básicos e de apoio e cuidado maximizam as barreiras de participação social das pessoas com deficiência.
Errada: acesso a produtos, tecnologias e serviços tende a reduzir, e não maximizar, barreiras de participação social.
Gabarito: A
A discussão do CFESS sobre discriminação contra a pessoa com deficiência parte de uma ideia central: deficiência não pode ser lida só como um problema individual do corpo. O foco está nas barreiras sociais, arquitetônicas, comunicacionais, atitudinais e econômicas que impedem a participação plena dessas pessoas na vida social. Ou seja, o problema não é a pessoa “não se encaixar”, mas a sociedade ter sido organizada para excluir muita gente. Essa visão conversa com o modelo social da deficiência, reforçado no Brasil pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), que trata a deficiência como resultado da interação entre impedimentos e barreiras. Então, quando a banca fala em materialidade da sociabilidade burguesa, está apontando exatamente para a organização social que produz desigualdade e restringe diferenças no cotidiano. A alternativa A acerta porque desloca o olhar do indivíduo isolado para a estrutura social que não garante condições reais de participação. Já as demais alternativas caem em armadilhas bem conhecidas: trazem o modelo biomédico, romantizam políticas compensatórias ou individualizam a discriminação, como se o preconceito nascesse apenas da pessoa e não das relações sociais. Resumo para prova: deficiência, nessa abordagem, não é sinônimo de incapacidade pessoal. O ponto é remover barreiras e enfrentar o preconceito, para que a igualdade seja concreta e não só bonita no papel.