Em conformidade com Mioto in SALES, MATOS e LEAL, em sua análise sobre os programas de orientação e apoio sociofamiliar, esses serviços:
- A)Continuam se movimentando a partir de expectativas relacionadas aos papéis típicos de uma concepção funcional de família.
Certa: expressa a crítica de Mioto de que esses serviços ainda partem de expectativas ligadas a papéis tradicionais e a uma visão funcional de família.
- B)Não têm concepções estereotipadas de famílias e papéis familiares.
Errada: a autora justamente critica a presença de concepções estereotipadas sobre famílias e papéis familiares.
- C)Devem buscar moradia digna para as famílias.
Errada: moradia digna é um direito social importante, mas não é o ponto específico da análise de Mioto sobre esses programas.
- D)Precisam culpabilizar as famílias por seus fracassos.
Errada: a proposta não é culpabilizar as famílias, e sim superar leituras moralizantes e estereotipadas.
Gabarito: A
Nos programas de orientação e apoio sociofamiliar, a crítica central de Mioto é que muitas vezes eles ainda carregam uma visão antiga de família, como se existisse um modelo "certo" de funcionamento doméstico. Nessa lógica, o serviço acaba esperando que a família cumpra papéis pré-definidos, geralmente ligados à ideia de família funcional, organizada e harmoniosa, como se isso fosse o padrão universal. O problema é que a realidade das famílias brasileiras é bem mais diversa do que esse molde pronto. Por isso, a análise de Mioto aponta que esses serviços continuam, muitas vezes, orientados por expectativas sobre papéis típicos de uma concepção funcional de família. Em vez de partir da pluralidade das formas familiares e das condições concretas de vida, ainda se cobra que a família exerça funções "ideais" de cuidado, disciplina e proteção, como se todos tivessem as mesmas condições para isso. É aí que mora a crítica: a política social não pode tratar a família como culpada ou como se ela fosse naturalmente responsável por resolver tudo sozinha. Esse olhar dialoga com a proteção social prevista no ECA, na LOAS e na PNAS, que valorizam o fortalecimento de vínculos e o apoio à família sem estereótipos. A intervenção correta não é moralizar a família, mas compreendê-la na sua realidade social, econômica e cultural. Em resumo: a questão cobra justamente essa leitura crítica de Mioto, e a alternativa A acerta porque mostra que esses serviços ainda operam, com frequência, sob expectativas típicas da concepção funcional de família.