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Serviço Social · IADES · 2022

Questão comentada de Serviço Social

Segundo Iamamoto (2001, p. 160), “temos, por um lado, o crescimento da pressão na demanda por serviços, cada vez maior, por parte da população usuária mediante o aumento de sua pauperização. Esta se choca com a já crônica – e agora agravada – falta de verbas e recursos das instituições prestadoras de serviços sociais públicos, expressão da redução de gastos sociais recomendada pela política econômica governamental (...)”. IAMAMOTO, M. V. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001. Considerando a crescente restrição da capacidade de atendimento, o assistente social se vê cada vez mais compelido a exercer a função de um

Gabarito: A

A questão cobra a leitura crítica de Iamamoto sobre as condições de trabalho do assistente social em um contexto de aumento da demanda e escassez de recursos. Quando a população mais precisa do serviço e a instituição tem menos verba, o profissional fica pressionado a selecionar, filtrar e, muitas vezes, negar acessos. É aí que aparece a ideia de que ele pode ser empurrado para a função de “juiz” da pobreza, isto é, alguém que decide quem merece ou não atendimento, como se estivesse julgando a miséria alheia. Essa situação não combina com o projeto ético-político do Serviço Social, que defende direitos, cidadania e universalidade no acesso às políticas sociais. O Código de Ética de 1993 reforça valores como defesa intransigente dos direitos humanos, ampliação da cidadania e compromisso com a qualidade dos serviços prestados. Ou seja: o assistente social não deve atuar como fiscal da carência, mas como profissional que enfrenta a lógica excludente e busca garantir acesso a direitos. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Iamamoto está mostrando justamente o risco de o assistente social ser reduzido a uma função de controle e triagem da pobreza, em vez de atuar na defesa de direitos. A expressão é dura mesmo, mas reflete a pressão institucional que tenta transformar a intervenção profissional em mecanismo de seleção dos mais pobres entre os pobres. Em prova, sempre desconfie quando a banca troca a crítica social da autora por palavras bonitas demais. Aqui, o foco não é um ideal abstrato, e sim a denúncia de uma prática imposta pela falta de recursos e pela precarização das políticas sociais.

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