No processo interventivo do assistente social, a visita domiciliar é um instrumento utilizado em uma perspectiva crítica e à luz dos princípios éticos da profissão. Assinale a alternativa que descreve corretamente uma situação em que a visita domiciliar deve ser utilizada:
- A)Para ampliar a compreensão acerca da realidade social, por meio do conhecimento do ambiente onde vivem os sujeitos e da observação direta das relações sociais e familiares.
Correta, porque a visita domiciliar serve para conhecer melhor a realidade social, o território e as relações familiares, subsidiando uma intervenção crítica.
- B)Para realizar controle sociocultural e assegurar que a população siga as normas e os valores estabelecidos pela sociedade.
Errada, pois o Serviço Social não usa a visita para controle sociocultural nem para impor normas e valores à população.
- C)Para garantir que os sujeitos participem ativamente de todas as atividades programadas pela instituição, evitando assim o cancelamento ou suspensão dos benefícios socioassistenciais.
Errada, porque a visita domiciliar não é instrumento de coerção para obrigar participação em atividades ou evitar suspensão de benefícios.
- D)Para fiscalizar o uso de benefícios sociais e garantir que os sujeitos estejam cumprindo as normas estabelecidas pela instituição.
Errada, já que fiscalizar benefícios e vigiar cumprimento de regras não é a finalidade ética e crítica da visita domiciliar.
- E)Para registrar e arquivar informações pessoais dos sujeitos atendidos, garantindo que todas as visitas resultem em relatórios que possam ser acessados por qualquer setor da instituição.
Errada, pois a visita não existe para mero arquivamento de dados nem para circulação indiscriminada de informações pessoais, devendo respeitar sigilo e finalidade profissional.
Gabarito: A
A visita domiciliar é um instrumento técnico-operativo muito útil no Serviço Social quando usada com cuidado ético e leitura crítica da realidade. Ela não existe para “vigiar” ninguém, mas para ampliar a compreensão sobre as condições de vida, a dinâmica familiar, o território e os determinantes sociais que atravessam a situação atendida. Em outras palavras: você sai da sala e vai enxergar o contexto real, sem ficar preso só ao que apareceu no atendimento institucional. Na prática, a visita domiciliar permite observar aspectos que muitas vezes não surgem na entrevista, como a organização da moradia, as relações entre os membros da família, as redes de apoio e as vulnerabilidades do cotidiano. Isso ajuda na construção de intervenções mais adequadas e respeitosas, sempre com base no sigilo profissional, no respeito à autonomia e sem caráter fiscalizatório. O Código de Ética do Assistente Social orienta uma atuação comprometida com a liberdade, a dignidade humana e os direitos sociais. Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve exatamente o uso da visita domiciliar para ampliar a compreensão da realidade social por meio do conhecimento do ambiente onde vivem os sujeitos e da observação direta das relações sociais e familiares. É um olhar profissional que busca entender, não controlar. As demais alternativas trazem uma lógica de fiscalização, controle moral ou vigilância institucional, que não combina com a perspectiva crítica do Serviço Social. Em concurso, quando aparecer visita domiciliar, desconfie de opções com cara de “policiamento social”: geralmente é a banca tentando trocar intervenção profissional por controle sobre a vida do usuário.