Sobre o tema “questão social”, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)O pensamento neoliberal estimula um vasto empreendimento de “refilantropização do social” com seus chamamentos à “sociedade civil” e opera uma profunda despolitização da “questão social”.
Certa: o neoliberalismo estimula a refilantropização do social, deslocando problemas estruturais para ações da sociedade civil e enfraquecendo a leitura política da questão social.
- B)As múltiplas manifestações da questão social, sob a órbita do capital, tornam-se objeto de ações filantrópicas e de benemerência e de “programas focalizados de combate à pobreza”.
Certa: sob o capital, as expressões da questão social costumam ser tratadas como alvo de filantropia, benemerência e programas focalizados de combate à pobreza.
- C)A “questão social” é mais do que pobreza e desigualdade.
Certa: a questão social é mais ampla do que pobreza e desigualdade, pois envolve várias expressões das contradições do capitalismo.
- D)Na raiz da “questão social”, na atualidade, encontram-se as políticas governamentais favorecedoras da esfera financeira e do grande capital produtivo.
Certa: na atualidade, a intensificação da questão social se relaciona às políticas favoráveis ao capital financeiro e ao grande capital produtivo.
- E)As lutas sociais no Brasil jamais romperam o domínio privado nas relações entre capital e trabalho, tendo em vista a dependência ampliada do capital internacional, com isso não se viveu a possibilidade de extrapolar a “questão social” para a esfera pública.
Errada: houve, sim, processos de publicização da questão social no Brasil, com lutas sociais e ampliação de direitos na esfera pública, não sendo correto dizer que isso "jamais" ocorreu.
Gabarito: E
A "questão social" não é sinônimo de pobreza, embora a pobreza apareça nela com frequência. Em Serviço Social, o conceito aponta para as expressões concretas das desigualdades produzidas pelo modo de produção capitalista, como desemprego, precarização do trabalho, fome, violência, acesso desigual a direitos e tantas outras formas de exclusão. Ou seja: não é um problema isolado de carência, mas um resultado estrutural das relações entre capital e trabalho. Na leitura crítica do Serviço Social, especialmente em autoras e autores como Iamamoto, a questão social nasce da contradição central do capitalismo: ao mesmo tempo em que a riqueza é produzida socialmente, ela é apropriada de forma privada. Por isso, ela se manifesta na vida cotidiana e exige respostas públicas, e não apenas filantrópicas. Quando o Estado adota políticas focalizadas e a sociedade é chamada a "ajudar", ocorre uma espécie de despolitização do problema. É exatamente aí que a alternativa E escorrega. Ela afirma que as lutas sociais no Brasil jamais romperam o domínio privado nas relações entre capital e trabalho e que, por isso, não teria havido possibilidade de extrapolar a questão social para a esfera pública. Isso está incorreto, porque houve, sim, disputas e conquistas que publicizaram a questão social, como a expansão de direitos sociais e a própria Constituição Federal de 1988, que reconhece a seguridade social e amplia a presença do Estado na proteção social. Então, o ponto-chave é este: a questão social não ficou presa ao âmbito privado. Ela foi historicamente disputada na esfera pública, embora de forma incompleta e desigual. No padrão de cobrança da FUNDATEC, fique atento quando a banca mistura crítica ao neoliberalismo com frases absolutas sobre "nunca" ou "jamais" - geralmente aí mora a armadilha.