O rompimento do Serviço Social com a matriz conservadora a partir da apreensão da teoria marxista e do processo denominado intenção de ruptura implica, no interior da profissão, o seu reconhecimento como:
- A)ciência;
Errada, porque o rompimento com a matriz conservadora não leva ao reconhecimento do Serviço Social como ciência autônoma, e sim como prática profissional inserida no trabalho social.
- B)habilidade;
Errada, porque habilidade é uma qualidade técnica individual, e a questão trata do estatuto social e histórico da profissão, não de uma capacidade pessoal.
- C)trabalho;
Certa, porque a intenção de ruptura, ao incorporar a teoria marxista, reconhece o Serviço Social como trabalho profissional historicamente situado.
- D)arte;
Errada, porque arte remete à expressão estética ou criativa, o que não corresponde à compreensão crítica do Serviço Social nessa formulação.
- E)conhecimento.
Errada, porque o texto não trata o Serviço Social apenas como conhecimento teórico, mas como prática social concreta e institucionalizada.
Gabarito: C
O chamado processo de intenção de ruptura marca o momento em que o Serviço Social deixa de se apoiar na velha matriz conservadora, mais moralizante e adaptadora, para buscar uma leitura crítica da realidade social. Nesse movimento, a profissão passa a olhar a questão social não como problema individual do usuário, mas como expressão das contradições do modo de produção capitalista. Quando a teoria marxista entra com força nesse debate, o Serviço Social ganha base para entender sua inserção na divisão social e técnica do trabalho. Ou seja, ele deixa de ser visto apenas como um conjunto de boas intenções ou de ajuda caritativa e passa a ser reconhecido como uma forma de atuação inserida no mundo do trabalho, com mediações institucionais, demandas concretas e função social determinada. Por isso o gabarito é a letra C. A profissão não se afirma como ciência, arte ou mera habilidade, porque o ponto central da ruptura é justamente compreender o Serviço Social como trabalho profissional, isto é, uma prática social situada historicamente e vinculada às relações entre Estado, classe trabalhadora e políticas sociais. Esse entendimento é muito cobrado nas obras de referência da área, especialmente no debate de renovação crítica do Serviço Social no Brasil, associado a autores como Iamamoto e Netto. A ideia principal é simples: a profissão não nasce como saber neutro, mas se institucionaliza como trabalho especializado na resposta às expressões da questão social.