Nas Diretrizes Curriculares do Serviço Social (Abepss, 1996), a dimensão investigativa tem na pesquisa a sua materialização. Ela é utilizada como
- A)uma técnica que se utiliza de mediações e contradições sociopolíticas e econômicas da sociedade capitalista em prol dos usuários.
Errada, porque reduz a pesquisa a uma técnica voltada genericamente a mediações sociopolíticas, sem captar seu papel crítico de apreensão e interpretação da realidade.
- B)uma estratégia da expressão do fazer profissional que é utilizada nas instituições sociais como forma de legitimar a intervenção do assistente social.
Errada, porque trata a pesquisa como estratégia para legitimar a intervenção institucional, quando ela tem função de produzir conhecimento rigoroso sobre o real.
- C)um diferencial nas equipes de serviços, pois somente deve ser realizada pelos profissionais academicamente mais graduados.
Errada, porque pesquisa não é privilégio de profissionais mais graduados; ela integra a formação e o exercício profissional de forma ampla.
- D)uma ferramenta de transformação da realidade, a partir de técnicas quanti-qualitativas de estruturar as demandas dos usuários e dos outros profissionais.
Errada, porque exagera na ideia de transformação por técnicas quanti-qualitativas e desvia do ponto central, que é o desvelamento crítico da realidade.
- E)um instrumental de desvelamento e interpretação que exige rigor na apreensão do real e na sistematização/interpretação de dados.
Certa, porque a pesquisa funciona como instrumento de desvelamento e interpretação do real, exigindo rigor na apreensão dos fenômenos e na sistematização/interpretação dos dados.
Gabarito: E
Nas Diretrizes Curriculares da Abepss (1996), a dimensão investigativa aparece como parte essencial do trabalho do assistente social porque não basta intervir no “achismo”. Primeiro, você precisa conhecer a realidade, captar suas determinações e entender como as expressões da questão social se apresentam no cotidiano. É aí que a pesquisa entra: ela ajuda a enxergar além da aparência e a produzir conhecimento sobre o que está acontecendo de fato. Por isso, a investigação no Serviço Social não é enfeite acadêmico nem atividade reservada a poucos. Ela é um instrumental de leitura crítica da realidade, ligado ao projeto ético-político da profissão. A lógica é simples: quanto mais rigor você tem na coleta, análise e interpretação dos dados, mais consistente fica a intervenção profissional. A alternativa correta destaca exatamente isso: a pesquisa como instrumento de desvelamento e interpretação do real, com rigor na apreensão dos fenômenos e na sistematização dos dados. Esse é o sentido da dimensão investigativa nas Diretrizes Curriculares de 1996, muito associado à formação crítica defendida pela Abepss. Em prova, quando aparecer investigação no Serviço Social, desconfie das alternativas que reduzem pesquisa a técnica burocrática, status profissional ou mera legitimação institucional. Pesquisa aqui é meio de compreender a realidade social para intervir com qualidade, e não um ritual de carimbo.