As situações enfrentadas por diferentes povos tradicionais constituem desafios para a atuação e intervenção do assistente social. Para Costa et al. (2023), essas intervenções ocorrem onde se evidenciam:
- A)as interdições à cultura, à identidade e aos costumes dos povos originários;
Errada, porque a questão central não é apenas a interdição cultural, mas os processos materiais e territoriais que atingem esses povos.
- B)os efeitos dos processos de expropriação territorial a que estes povos são submetidos;
Certa, porque os efeitos da expropriação territorial são um dos principais desafios para a proteção social e para a intervenção profissional junto a povos tradicionais.
- C)a construção social e étnica dos grupamentos e tribos do público demandatário;
Errada, pois a formulação é vaga e não aponta o problema social concreto que estrutura a demanda desses grupos.
- D)o desconhecimento das especificidades e da vida cotidiana dos povos das florestas;
Errada, porque reduzir a questão ao desconhecimento das especificidades desloca o foco do conflito territorial e das violações de direitos.
- E)a incompreensão dos pareceres técnicos que enfatizam a ancestralidade desta população.
Errada, já que a dificuldade de compreensão de pareceres técnicos não expressa o principal eixo da questão, que é a luta pelo território e pela reprodução da vida.
Gabarito: B
A atuação do assistente social junto a povos tradicionais exige leitura crítica do território, da história e das desigualdades que atravessam essas populações. Quando a banca fala em intervenções, ela está pensando menos em uma abordagem genérica e mais nos conflitos concretos que marcam a vida desses समूहos, como disputa por terra, pressão econômica, violação de direitos e enfraquecimento de modos de vida coletivos. No caso dos povos tradicionais, o eixo central costuma ser o território. Isso porque a terra não é só espaço físico: ela sustenta trabalho, cultura, memória, reprodução social e espiritualidade. Por isso, os processos de expropriação territorial atingem diretamente a sobrevivência material e simbólica desses grupos, e é aí que a intervenção profissional se coloca com mais força. O gabarito é a letra B porque ela aponta exatamente esse núcleo da questão: os efeitos da expropriação territorial sofrida por esses povos. Em termos de referência normativa, a Constituição Federal de 1988 protege direitos territoriais de povos indígenas e comunidades tradicionais, e o debate socioassistencial dialoga com essa proteção ao considerar que a violação do território produz exclusão, insegurança e ruptura de vínculos comunitários. Em provas da FGV, o foco costuma ser a dimensão concreta do conflito social, e não respostas muito abstratas ou moralizantes. Então, sempre que aparecer povo tradicional, pense: território, direitos, permanência e resistência. É ali que o Serviço Social precisa enxergar o problema de verdade, sem passar reto como quem olha só o mapa e esquece quem vive nele.