O olhar direcionado às famílias, entendido como primeiro espaço de vínculo, proteção e cuidado, deve partir do reconhecimento dos diferentes arranjos familiares, das diversidades culturais, do território, da determinação social associada à condição de classe e de outros eixos de desigualdades estruturais e estruturantes da sociedade. O acompanhamento às famílias exige um esforço da percepção das políticas públicas e sociais, das suas complexidades na sociedade capitalista e como estas atravessam as vivências dessas famílias. Logo, se faz necessário uma escuta ativa para identificar suas necessidades, pautada em
- A)uma abordagem reguladora e passiva.
Errada, porque uma abordagem reguladora e passiva enfraquece a escuta e transforma o acompanhamento em mera burocracia ou controle.
- B)um olhar culpabilizante e disciplinador.
Errada, porque culpabilizar e disciplinar a família contraria a lógica de proteção social e ignora as determinações sociais das vulnerabilidades.
- C)uma proposta de aconselhamento e direcionamento.
Errada, porque aconselhamento e direcionamento podem até aparecer na prática, mas não resumem a perspectiva crítica e de garantia de direitos exigida no enunciado.
- D)um entendimento de apassivamento e disciplinamento.
Errada, porque apassivamento e disciplinamento reproduzem uma intervenção tuteladora, incompatível com o reconhecimento da autonomia e da cidadania das famílias.
- E)uma perspectiva da defesa dos direitos sociais e da cidadania.
Certa, porque o acompanhamento familiar no SUAS deve se orientar pela garantia de direitos sociais, cidadania e acesso às პოლიტicas públicas.
Gabarito: E
Quando a questão fala de famílias, ela está tratando de um sujeito de direitos, e não de um alvo de controle moral. Na proteção social, especialmente no SUAS, o trabalho com famílias deve reconhecer que elas vivem realidades muito diferentes, marcadas por classe social, território, raça, gênero, cultura e outras desigualdades. Ou seja, não basta olhar para a família como se ela fosse a causa do problema. Por isso, o acompanhamento familiar precisa de escuta qualificada e leitura crítica da realidade. A ideia é entender as necessidades concretas daquela família, os vínculos que ela já tem, as vulnerabilidades que enfrenta e o acesso que consegue ter às políticas públicas. Isso combina com a lógica da proteção social e da matricialidade sociofamiliar prevista na PNAS e no SUAS, em vez de uma postura de julgamento ou tutela. No campo do Serviço Social, a intervenção deve ser orientada pelo Projeto Ético-Político da profissão, que defende a liberdade, a cidadania e a ampliação de direitos. Então, quando a pergunta fala em escuta ativa para identificar necessidades, o foco não é disciplinar a família, mas construir respostas com base na garantia de direitos sociais. Por isso o gabarito é a alternativa E: o acompanhamento às famílias deve estar pautado em uma perspectiva de defesa dos direitos sociais e da cidadania. É a leitura mais coerente com a proteção social contemporânea, com o ECA, com a LOAS e com o SUAS, que tratam família e infância como prioridade de proteção, não de culpa.